Técnico de clube do Brasileirão é homenageado no Sul por luta contra o racismo
Em um discurso forte, Roger expôs as raízes do preconceito enfrentado pelos jogadores negros no futebol brasileiro
Em um discurso forte, Roger expôs as raízes do preconceito enfrentado pelos jogadores negros no futebol brasileiro
Porto Alegre, RS, 20 (AFI) – O técnico do Bahia, Roger Machado, recebeu nesta sexta-feira a Medalha do Mérito Farroupilha, maior honraria concedida pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. A iniciativa, do deputado estadual Valdeci Oliveira (PT), contou com a aprovação unânime da Mesa Diretora. Nascido em Porto Alegre, o ex-jogador, de 45 anos, vem se notabilizando pela luta contra o racismo no Brasil.
Em um discurso forte, Roger expôs as raízes do preconceito enfrentado pelos jogadores negros no futebol brasileiro. Ele adverte que o Brasil passa uma falsa impressão de democracia racial porque nunca editou leis segregacionistas, como nos Estados Unidos e na África do Sul.
“O Brasil fez pior: adotou um modelo que nos torna invisíveis. Um país construído com uma mão de obra escravizada não pode ser considerado uma democracia. A democracia racial no Brasil é um mito. E o Brasil precisa parar de negar a existência do racismo se quiser, de fato, uma nação igualitária e democrática”, disse.
Roger Machado afirmou ainda que sempre encarou o “futebol como um meio e nunca como um fim”. “Chutar a bola para dentro da rede é só uma parte. A outra é política, como a arte de dialogar”, resumiu. Em outubro, o treinador concedeu entrevista em que falou abertamente sobre sua visão do racismo no Brasil.
PALMAS!
Aplaudido por lideranças políticas e sociais durante o evento, realizado na Assembleia Legislativa, o técnico do Bahia reforçou que a reflexão racial deve ser permanente, uma vez que mais de 50% da população é negra no País.
“Se não há preconceito no Brasil, por que os negros têm o nível de escolaridade menor que o dos brancos? Por que 70% da população carcerária é negra? Por que quem morre são os jovens negros no Brasil? Por que os menores salários, entre negros e brancos, são para os negros?”, questionou.
O proponente da homenagem, deputado Valdeci Oliveira, afirmou que a maior honraria do Legislativo foi dada ao treinador em função do trabalho realizado por ele dentro e fora das quatro linhas.
“Não é só por causa do desempenho e das conquistas no meio esportivo, mas por fazer boa parte da sociedade brasileira refletir sobre o tamanho do racismo no Brasil e sobre o quanto estamos atrasados para nos livrar dessa mazela”, destacou.





































































































































