Tchau, Bom Senso: chega de ideologia de botequim

Entidada dos boleiros errou em sete aspectos; confira quais são

​Durou menos do que se esperava. O movimento Bom Senso, pai do Profut, despediu-se, melancolicamente, num pedaço de página de jornal.

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Durou menos do que se esperava. O movimento Bom Senso, pai do Profut, despediu-se, melancolicamente, num pedaço de página de jornal. Claro que é bom a sociedade dispor de movimentos de contestação, desde que suas propostas sejam lincadas com a nossa realidade, ou até mesmo para divergir, propor e levantar a bandeira da mudança. Só que, alguns movimentos, às vezes, misturam as bola e, por erro de avaliação, passam a defender ideias e propostas de aventureiros e ideólogos de botequim.

Na hora em que o movimento defende parte de uma categoria, ainda que com as impressões digitais das elites, e não dos menos favorecidos num futebol cheio de injustiças e não inclusão dos excluídos do circo maior do futebol. Jogador de chuteiras de luxo todos defendem. Jogador pé de barro, nem sempre.

Na verdade, quando empunhou a bandeira da punição aos caloteiros do futebol – os que atrasam salários, enquanto fazem verdadeiras orgias financeiras nos clubes, o fez corretamente, embora às vezes, tenha exagerado em algumas pautas de reivindicações por posturas políticas e ideológicas.

Essa história de defender a tese de que os jogadores devem participar da gestão dos clubes e achar que o voto e as leis resolvem tudo é um despautério. O Brasil tem 10 milhões de leis – alguns acham que é bem menos – e não melhorou como se esperava, apesar desse estoque de leis, que na maioria das vezes, não são cumpridas. Onde o Bom Sendo errou. Vamos lá:

Bom Senso chegou ao fim

Bom Senso chegou ao fim

1 – Um movimento com propostas sérias e factíveis merecem apoio. Já dissemos que a questão da inadimplência, levantada pelo movimento, não era coisa nova. Há muito tempo que o futebol vive de chapéu na mão. Tirar pontos de times caloteiros não resolve. Tomamos um exemplo, o do ex-governador José Maria Alkmin, de Minas Gerais, num comício enfrentou grevistas que não recebiam salários. Um dos seus assessores sugeriu: “Chama a Polícia pra bater nessa gente”. A sapiência mineira de Alckmin aflorou: “Isso não resolve. É melhor chamar o trem pagador”.

2 – No futebol, os clubes não pagam por causa de políticas financeiras absurdas e também não existe uma política salarial consentânea com a nossa realidade. Afinal, pagar 800 mil reais por mês para quem não joga – caso de Pato – é coisa de loucos e uma irresponsabilidade paquidérmica, Mario Gobbi fez isso no Corinthians, ao mandar comprar Pato, e até hoje ninguém o cobrou por esse absurdo e Gobbi foge da explicação como o diabo foge da cruz. Não há Bom Senso que consegue achar que isso é bom.

3 – Para mudar uma realidade não basta ter boa vontade. É preciso clareza das ideias e um projeto que não pode e nem deve ser contaminado pelo vírus ideológico e político.

4 – O Profut estabeleceu um leque de proteção aos jogadores, um poup-porri de obrigações dos clubes, cometendo até desvios inconstitucionais. Tanto é que a presidente licenciada vetou, por exemplo, a monstruosidade de reduzir de 16 para 13 anos o direito de um garoto assinar contrato profissional. Essa burrice feria até o Estatuto da Criança e do Adolescente. Isso não ajudava, nem ajuda o futebol. Pelo contrário, favorece a máfia dos empresários que sempre ficam com a maior parte do dinheiro na venda dos jogadores.

5 – O parcelamento de dívidas não beneficiou o futebol porque, ainda com descontos nas parcelas mensais nos próximos cinco anos, lá na frente os clubes se tornarão inadimplentes. Não é novidade porque no Brasil, os refisda vida são feitos quase sempre e no fim, o governo não recebe o dinheiro e isso gera um dano irreparável a quem precisa de educação e saúde. Aliás, parece que já adiaram os pagamentos das parcelas do Profut.

Braços cruzados era uma marca do BSFC

Braços cruzados era uma marca do BSFC

6 – Outra coisa tóxica do Profut é a criação de mais uma loteria, sem falar que o cassino Brasil será reaberto proximamente. O Profut, filho bastardo do Bom Senso, brindou-nos com mais uma loteria. A lei dos reformadores produziu mais uma excrescência lotérica: a Lotex, que o governo atual vai aproveitar brevemente para tirar mais dinheiro de circulação e, naturalmente, dos setores mais pobres da população.

7 – A história de botar jogadores como gestores e um colégio eleitoral mais representativo nos clubes, federações e CBF é muito bonita em discursos. Se querem livrar o futebol de incompetentes é só responsabilizar os dirigentes com o bloqueio de seus bens e severas punições para quem roubar no futebol. Dispositivo legal já existe. Mas quem vai por o guizo no pescoço dos gatos? Por exemplo: o 217 da Constituição diz que é livre a organização e funcionamento das entidades (federações) e associações (clubes).

Ora, quem botou isso na Constituição? Dizem que foi Marcio Braga com amplo apoio dos “revolucionários” de botequim. Eles deram cartão verde para a fina flor da cartolagem invadir a horta de couve e comê-lapor inteiro. Hoje, ninguém assume o erro do apoio ao artigo 217. Assim, eles enganam a galera.

Tchau, Bom Senso. Na próxima vez, melhorem o discurso e livrem-se desses ideólogos de botequim aonde ruminam conceitos e teses do século passado. O futebol precisa de Bom Sendo, mesmo, e não de defensores de cérebro de ostra e QI de ameba.