Tarcísio Pugliese passa no teste como comandante de grupo
Treinador consegue montar time competitivo para o Guarani
Prezado Tarcísio Pugliese, treinador do Guarani. Tomo a liberdade pra falar bem de você independente do acesso ou não do clube. E sabe por que? Porque a faceta de comandante de grupo você já mostrou e está aprovado. Ainda não tenho bases sólidas para fazer pleno juízo de seus reais conhecimentos do jogo da bola, mas por ora você está indo bem, apesar de teimosias tolas.
O fato de você ser um rapagão (prefiro usar a linguagem coloquial rapaizão) de 33 anos de idade para comandar elenco de futebol criou, sim, clima de desconfiança.
Nestes casos, se o treinador não for firme, a boleirada chuta a bunda – no sentido figurado da palavra, claro. E você já mostrou que sabe se impor sob os comandados, e sabiamente coloca em prática o dito de ‘respeito é bom e eu gosto’.
Se você falou grosso até contra a imprensa – parece-me que depois da vitória sobre o Macaé, no Rio – quando mais com os seus comandados.
E como você escolheu a dedo com quem quis trabalhar, ficou claro que teve esperteza ao recrutar boleiro bom caráter, trabalhador e que busca um lugar ao sol. Ponto positivo.
Você dimensionou bem o nível do Campeonato Brasileiro da Série C e percebeu que, apesar dos parcos recursos do clube, seria possível montar um time competitivo que jogasse por uma bola e somasse pontos para inicialmente não passar vergonha. Ponto positivo.
E como manda o figurino você cuidou inicialmente da cozinha – a defesa -, e montou um bom cinturão de marcação – com envolvimento de todo time -, de forma que adversários meia-boca tivessem dificuldades para penetração. Deu certo.
Apesar das claras limitações do time bugrino, percebe-se que está mais compactado, já toca mais bola, e reduziu consideravelmente erros de passes. É reflexo do trabalho.
Um dado tático visto com clareza na partida contra o Vila Nova foi a frequente inversão de jogo para o lado direito, numa tentativa de encontrar o lateral Jefferson Feijão desmarcado e com atribuição de colocar velocidade na jogada para chegar rapidamente às imediações da área adversária.
Isso não acontece por acaso. De certo foi trabalhado. Portanto, outro ponto positivo para o treinador.
NENA
Agora, Pugliese, a torcida bugrina tem razão quando lhe dá um puxão de orelha pela equivocada insistência com o atacante Nena.
Na linguagem mais clara sobre a condição técnica de Nena, as opiniões convergem para um jogador ‘grosso’. Então, desista desta teimosia de mantê-lo como titular. Do contrário, estará caracterizada injustiça com o outro atacante, caso de Henan.
Ainda não dá para conceituar os reais conhecimentos de Pugliese como estrategista de futebol, porque a Série C não é o palco mais adequado para criteriosa avaliação. A bola viaja muito. São muitos chutões, falta de articulações e raríssimas individualidades.
Por isso, plena avaliação de suas reais potencialidades apenas quando você comandar um time de Série B, dispondo de jogadores de melhor nível técnico.
Apesar disso, no quesito comandante de grupo – que tem peso considerável para um treinador -, você passou no teste.





































































































































