Crise na Ponte: Greve, saída de técnico e nota de sindicato

O protesto dos atletas, aliado à saída do técnico Márcio Zanardi, motivou uma manifestação oficial do Sindicato dos Atletas SP

O Sindicato dos Atletas reiterou estar à disposição dos jogadores da Ponte Preta para garantir o cumprimento dos direitos trabalhistas

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A Macaca vive uma crise enorme dentro e fora de campo - Foto: Marcos Ribolli / PontePress

Campinas, SP, 28 (AFI) – A crise financeira e desportiva na Ponte Preta atingiu o seu ponto mais crítico na temporada. Em protesto contra os constantes atrasos salariais, os jogadores decidiram interromper as atividades e deixaram o CT do Jardim Eulina sem treinar na manhã de quarta-feira (26).

O protesto dos atletas, aliado à saída do técnico Márcio Zanardi, motivou uma manifestação oficial do Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de São Paulo (Sindicato de Atletas SP), que acompanha o cenário de perto.

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Mesmo diante do quadro gravíssimo e sem treinos, a diretoria alvinegra descarta qualquer possibilidade de não entrar em campo no próximo domingo (30), quando enfrenta o América-MG fora de casa, pela 25ª rodada da Série B. O vice-presidentes e diretor de futebol, Marco Antônio Eberlin, garantiu a presença do time:

“Não trabalhamos com o W.O. no domingo. Um novo treinador já estará no clube na quinta-feira e estamos buscando as soluções para colocar um time à disposição contra o América-MG.”

SINDICATO SE POSICIONA

Com o agravamento da situação trabalhista no Moisés Lucarelli, o Sindicato de Atletas SP publicou uma nota esclarecendo sua atuação na defesa do elenco pontepretano. A entidade explicou que mantém interlocução frequente no clube desde março, com reuniões no CT e acompanhamento do Departamento Jurídico.

Contudo, a entidade ressaltou que só pode agir jurídica ou administrativamente mediante a autorização expressa dos próprios atletas:

“A entidade sindical pode orientar, negociar, representar os atletas e adotar as medidas administrativas e judiciais cabíveis, desde que os jogadores procurem o Sindicato e manifestem interesse nessa atuação. O Sindicato é acionado pelo trabalhador, e não pela repercussão do caso na mídia. Da mesma forma, não possui poder para determinar diretamente pagamentos ou impor sanções esportivas aos clubes.”

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O órgão reiterou estar à disposição dos profissionais para garantir o cumprimento dos direitos trabalhistas:

“Diante do agravamento da situação, o Sindicato de Atletas SP permanece à disposição dos jogadores da Ponte Preta para que, respeitada a decisão dos trabalhadores, sejam adotadas todas as medidas legais e efetivas necessárias à defesa de seus direitos.”

HORA DA SAF?

A instabilidade nos bastidores reflete diretamente no desempenho dentro de campo. Vinda de derrota por 2 a 0 contra o Avaí, a Macaca segura a lanterna isolada da Série B com apenas dez pontos somados e carrega um incômodo jejum de 18 partidas sem vencer na competição.

Pressionado pela má fase e pela escassez financeira, Marco Antônio Eberlin admitiu que a única saída para estancar o débito e reestruturar o clube é a migração do modelo associativo para a Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Historicamente contrário à ideia, o dirigente mudou de postura diante do cenário dramático.

“Existe uma hecatombe financeira e a única solução de resolver essa hecatombe é transformando a Ponte Preta numa sociedade comercial, numa sociedade anônima. Eu sempre fui contra e ainda sou contra, porque eu queria esse escudo sendo da torcida, sendo do seio do pontepretano. Mas hoje a única maneira de dar uma condição da Ponte Preta se reestruturar é com dinheiro externo”, concluiu.