Silvio Gumiero: Intensidade, intenso, palavras da moda do futebol

É o que os dirigentes querem do time, a comissão técnica exige dos jogadores e eles aplicam com disciplina

De tempo em tempo, aparecem palavras no futebol brasileiro, que são usadas frequentemente. Assim tivemos foco, concentração, de resultado, equilíbrio e tantas outras. No atual momento, as palavras intensidade e intenso estão na boca dos jogadores, pr

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De tempo em tempo, aparecem palavras no futebol brasileiro, que são usadas frequentemente. Assim tivemos foco, concentração, de resultado, equilíbrio e tantas outras. No atual momento, as palavras intensidade e intenso estão na boca dos jogadores, preparadores físicos e de goleiros, treinadores e até dos dirigentes.

Nas definições destas palavras pelo dicionário Aurélio, intensidade é grau muito elevado de força, energia, potência e atividade ao passo que intenso é que exige o uso de grande força ou energia; duro; penoso; muito ativo.

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É isso que os dirigentes querem do seu time, a comissão técnica exige dos jogadores e eles aplicam com disciplina. O torcedor, quando vê o seu time jogar com intensidade, fala que o jogo é muito corrido, rápido demais. E é isso mesmo que estamos assistindo, independentemente de qual divisão.

Tite, treinador do Corinthians na primeira divisão, Gilson Kleina do Palmeiras na segunda e Tarcísio Pugliese do Guarani na terceira, não cansam de dar entrevistas, onde dizem prevalecer o jogo intenso dos seus times. Aquele jogo cadenciado, pensado e que foi proporcionado por grandes times de outras épocas não existe mais.

O Santos do Clodoaldo, o Cruzeiro do Tostão, o Palmeiras que foi chamado de academia, quem viu viu…Não é possível ver mais porque o futebol atual é jogado com intensidade. Aquele jogador que dominava a bola, erguia a cabeça e colocava o companheiro na cara do gol, como Gerson fez na Copa de 1970 servindo Pelé, é difícil de ver hoje. Saudades de Rivelino, Dicá, Zenon, Pita, Ademir da Guia, Mário Sérgio, etc…

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Para Roger Flores, que encerrou a carreira recentemente, o espaço para ele nas 4 linhas era diminuto. Para Paulo Henrique Ganso mostrar o seu futebol, ele precisa de muita movimentação, senão ele não pega na bola. Carlos Alberto Parreira, declarou recentemente que às vezes tem treinador que dá treino de duas horas, ou melhor reúne os jogadores durante esse tempo, mas o que vale mesmo são os 30 minutos levados com muita intensidade.

Parreira também disse que, com a intensidade que o futebol é disputado, jogadores como Zé Roberto do Grêmio, Juninho Pernambucano do Vasco, Alex do Coritiba e outros com uma idade perto dos 40 anos, não têm condições de estar na Copa do Mundo de 2014. porque serão 7 jogos jogados com muita intensidade em um período muito curto. Esses jogadores demonstrariam lentidão, passividade, atitudes não compatíveis com a Copa. A imprensa também está na moda, usando com intensidade a palavra intenso, como o conteúdo desta coluna.