Sidnei Poly defendeu pênalti cobrado por Pelé
Sidnei Poly defendeu pênalti cobrado por Pelé
Sidnei Poly defendeu pênalti cobrado por Pelé
Pelé iniciou a carreira de jogador profissional em 1957 e atravessou sete anos sem errar um pênalti sequer. Sua marca registrada nas cobranças era a ‘paradinha’. O goleiro se esparramava em um canto e o ‘rei’, com frieza e malícia, só rolava a bola para o outro canto.

Pelé foi imitado por tanta gente nesse estilo de paradinha até que a Fifa ordenou que a International Board interviesse e proibisse aquilo que qualificava como abuso. Heitor, um goleiro de razoável para bom do Corinthians, na década de 60, teve o privilégio de ser o primeiro a defender um pênalti cobrado por Pelé. Em seguida, em numa partida em Araraquara (SP), diante da Ferroviária, o ‘rei’ chutou pênalti para fora e o goleiro sortudo era Rosan. Por capricho, uma semana depois, dia 18 de novembro de 1964, o goleiro Sidnei Poly – que jogava no Guarani – defendeu um pênalti cobrado igualmente pelo melhor jogador do mundo, que, paradoxalmente, perdeu três pênaltis em um ano.
MOLEQUES
E Sidnei pegou pênalti numa quarta-feira de gala do Bugre, que sapecou 5 a 1 no lendário time santista, em jogo disputado no Estádio Brinco de Ouro, em Campinas (SP). Na época, o Guarani tinha um ataque de moleques formado por Joãozinho, Nelsinho, Babá e Carlinhos, coadjuvados pelo experiente meio-campista Américo Murolo, um professor em campo para os meninos.
Daquela leva, o ponteiro Carlinhos, meia Américo e Sidnei já se foram. Carlinhos foi assassinado covardemente em sua residência ao reagir a um assalto, enquanto Sidnei morreu no dia 17 de janeiro de 2000. Sidnei havia desbancado o regularíssimo Dimas Monteiro (também falecido), e suas atuações destacadas com a camisa do Guarani serviram para despertar interesse do Flamengo, para onde se transferiu em 1969. Depois passou pelo Corinthians, jogou no futebol mato-grossense pelo Operário de Campo Grande, e, em 1975, no final de carreira, voltou ao Guarani, para substituir Sérgio Gomes.
RESERVA
Em 1976, na reserva de Neneca, decidiu encerrar a carreira de jogador, sem contudo pendurar as chuteiras. Abraçou, incontinente, a carreira de preparador de goleiros, uma atribuição em comissão técnica que começou com Valdir Joaquim de Moraes, no Palmeiras. Sidnei sempre foi leal aos membros de comissão técnica. Quando caía treinador no Bugre, era sempre chamado para ser o técnico tampão, e nunca se prendeu ao cargo. Sua praia era corrigir falhas de goleiros e assim prosseguiu a carreira no Rio Branco de Americana (SP), Ponte Preta e União São João, de Araras (SP), último clube que trabalhou.
Sidnei morreu aos 57 anos de idade e um ano antes de partir ainda exibia a vasta cabeleira grisalha. Tocava uma empresa de produtos para limpeza, esbanjava energia em frequentes caminhadas, e não dispensava bons goles de cerveja. Morreu deixando uma história de quem soube ser leal e transparente num mundo promíscuo como é o do futebol.





































































































































