Sete anos longe do banco e salário milionário: a aposta do Corinthians em Seedorf sob pressão

Clube recorre ao ex-craque após oito derrotas seguidas; histórico como treinador e situação financeira tornam a escolha um teste para a diretoria

Corinthians escolheu Clarence Seedorf para tentar reagir no Brasileirão após oito derrotas consecutivas

São Paulo, SP, 13 (AFI) – Corinthians entregou uma missão de emergência a um treinador que estava havia sete anos longe do banco. Clarence Seedorf chega a um clube pressionado por oito derrotas consecutivas e pela proximidade da zona de rebaixamento. A escolha tem o peso do nome de um ex-craque e exige uma explicação esportiva compatível com a urgência da situação.

Marcelo Paz, diretor de futebol, apresentou liderança e experiência vencedora como argumentos. “Um nome como o do Seedorf transcende”, afirmou ao explicar a contratação. O desafio é transformar essas qualidades em organização e pontos nas oito rodadas restantes.

O CURRÍCULO DE JOGADOR NÃO RESOLVE A DISCUSSÃO

Seedorf construiu uma carreira extraordinária dentro de campo. Como treinador, porém, sua trajetória é mais curta: 63 jogos, com 20 vitórias, 17 empates e 26 derrotas, em passagens por Milan, Shenzhen, Deportivo La Coruña e seleção de Camarões.

Seu último trabalho no comando de uma equipe terminou em 2019. O intervalo não demonstra incapacidade para voltar à função, mas aumenta a necessidade de entender como será a retomada: preparação, comissão técnica e conhecimento do elenco serão decisivos.

Há pouco tempo para adaptação. O Corinthians tem 32 pontos, a mesma pontuação do Internacional, primeiro integrante do Z-4, e leva vantagem no desempate.

O CUSTO TAMBÉM ENTRA NA AVALIAÇÃO

Segundo Samir Carvalho, no programa De Primeira, do UOL, Seedorf acertou remuneração de R$ 1,7 milhão e contrato até o fim de 2027. O valor permanece atribuído ao jornalista, sem confirmação pública do clube nas fontes consultadas.

A informação ganha relevância diante da cobrança por salários feita por Gabriel Paulista após a derrota para o Palmeiras. Contratar um treinador faz parte da tentativa de recuperação; sustentar financeiramente o compromisso é uma obrigação administrativa que acompanha a escolha.

A DIRETORIA TAMBÉM SERÁ TESTADA

Um técnico pode reorganizar funções, recuperar confiança e corrigir comportamentos de jogo. Não consegue, sozinho, resolver pendências financeiras nem substituir a proteção institucional cobrada pelo elenco.

O primeiro julgamento de Seedorf será pelos resultados. A avaliação da diretoria precisa incluir os critérios da contratação e as condições oferecidas para trabalhar.

O nome pode atrair atenção imediata. Para justificar a aposta, o Corinthians precisará mostrar que encontrou um plano de recuperação — e que consegue sustentá-lo dentro e fora do campo.