Série D: Presidente do Itaporã analisa a crise e reconhece "a culpa é minha"

O mandatário assumiu a culpa na crise financeira do clube, dois meses sem pagar os jogadores, e analisou o cenário nacional

A crise no futebol brasileiro atinge desde os clubes com folhas salariais milionárias, como São Paulo e Botafogo, até os times modestos, como é o caso do Itaporã

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Itaporã, MS, 28 (AFI) – A crise no futebol brasileiro atinge desde os clubes com folhas salariais milionárias, como São Paulo e Botafogo, até os times modestos, como é o caso do Itaporã. Há dois meses sem pagar salários, o clube do Mato Grosso do Sul pensa em abandonar a disputa do Campeonato Brasileiro da Série D. Nesta semana, o presidente Dione da Silva Lima, em entrevista ao site Futebol na Canela, assumiu a sua culpa na má fase financeira da equipe.

COMO COMEÇOU

Em 2013, o Itaporã terminou o Campeonato Estadual Sul-Matogrossense em terceiro colocado (o campeão foi o CENE, deixando o Naviraiense com o vice-campeonato). Com direito a uma vaga na Série D do Campeonato Brasileiro, o campeão abriu mão da vaga alegando falta de recursos.

A proposta então foi apresentada ao Naviraiense, que também recusou pelo mesmo motivo do CENE. O Itaporã, terceiro time a ser oferecida a vaga, também estava inclinado a recusar, quando, depois que do presidente fechou uma parceria com o Soccer Union, do empresário Daniel Medeiros, Dione caiu na conversa mole do cartola e aceitou disputar a competição nacional.

Em 2014 o Itaporã foi rebaixado no estadual, em sexto no Grupo B, apenas com 9 pontos.

Dione da Silva Lima, presidente do Itaporã Futebol Clube
Dione da Silva Lima, presidente do Itaporã Futebol Clube

RIFA, ALMOÇOS E DOAÇÕES

Neste momento o time depende de doações e rifas para pagas as contas. Os jogadores se reuniram com torcedores e diretoria para resolver o problema. “Foi feito um acordo com eles (jogadores) ontem, sobre a rifa que vamos fazer, o almoço que alguns torcedores estão se propondo fazer para levantar dinheiro e a nossa situação agora é dessa forma”, comentou Dione.

EU ERREI

Influenciado com argumentos como ‘não deixe o futebol sul-matogrossense morrer’, Dione hoje se arrende de ter sido mais firme na sua decisão de não entrar na Série D. “A palavra final é sempre do presidente. Então se existe um maior culpado, um maior responsável pelos problemas sou eu. Então eu, como diretoria, tenho que agora buscar uma forma de resolver. Nós, desde o início, dizíamos que não tínhamos condições financeiras de participar, que nós não tínhamos condições de tocar esse projeto, então eu deveria ter mantido minha palavra”, disse Dione da Silva Lima em entrevista ao site Futebol na Canela.

O presidente foi enfático quando lembrou da boa campanha do Itaporã na Série D, a equipe é a terceira no A5, com 7 pontos. “Ali tem pai de família, profissionais. Da mesma forma que eu gosto de receber, você gosta de receber, os atletas também gostam de receber. Então foi criada essa situação e agora nós precisamos resolver. Os atletas e a comissão técnica não tem culpa nenhuma no problema que foi criado”, comentou.

Na última rodada, o Itaporã sentou em campo em forma de protesto aos salários atrasados
Na última rodada, o Itaporã sentou em campo em forma de protesto aos salários atrasados

VAI JOGAR

Sábado a equipe tem confronto marcado para as 16h, em Cachoeiro de Itapemirim, contra o Estrela do Norte, no estádio Sumaré .“O time viaja amanhã às 3h da madrugada para Cachoeiro de Itapemirim”, confirmou o presidente Dione.

NÃO É SÓ AQUI!

No final da entrevista, o presidente do Itaporã Futebol Clube, Dione da Silva Lima, lembrou que não é só no Mato-Grosso do Sul que os problemas financeiros vem tirando o sono dos presidentes. Os grandes clubes do cenários nacional também enfrentam os desafios em gerir uma equipe de futebol profissional.

“Não é só (o futebol) do Mato Grosso do Sul que está falindo, é o futebol brasileiro que está falindo. Botafogo está em crise, o Santos até outro dia não tinha patrocinador na camisa, o Grêmio Barueri, que já disputou série A de Campeonato Paulista, passando situações difíceis. Imagine o estado do Mato Grosso do Sul, que perdeu credibilidade com os empresários”, afirmou. “O futebol profissional hoje é muito caro”, finalizou.

CONFIRA A ENTREVISTA DO PRESIDENTE:

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