Série D: Movida a 'dedicação e amor', Edina será 1ª árbitra a apitar decisão nacional

A marca vem depois de comandar um jogo de Série A após hiato de 15 anos sem mulheres no apito

A marca vem depois de comandar um jogo de Série A após hiato de 15 anos sem mulheres no apito

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Campinas, SP, 16 (AFI) – O jeito simples, tímido e focado de Edina Alves, 39, escondem alguns feitos recentes que entraram para a história da arbitragem paulista.

Depois de comandar um jogo de Série A após hiato de 15 anos sem mulheres no apito, e representar São Paulo e o país na Copa do Mundo da França, Edina será a primeira mulher a apitar uma final de Campeonato Brasileiro.

Neste domingo (18), ela estará no comando de Manaus x Brusque, jogo de volta da grande final da Série D do Campeonato Brasileiro. Alex Ang Ribeiro, Daniel Zioli, Adriano de Assis Miranda e Evandro de Melo Lima, todos de São Paulo, complementam a equipe de arbitragem.

“Muitas questões culturais não serão alteradas do dia para a noite, mas sabemos que focando nos pontos que descrevi anteriormente, tiraremos o foco do gênero”, disse Edina em entrevista exclusiva ao portal da Federação Paulista de Futebol.

Foto: Rodrigo Corsi/FPF

Foto: Rodrigo Corsi/FPF

Confira o bate-papo com Edina Alves.

FPF: O que significa para um árbitro apitar uma final de campeonato?
Edina Alves:
Estudei muito, me preparei fisicamente e psicologicamente por muito tempo e nunca decidi. Hoje surge a oportunidade de apitar uma final de campeonato e interpreto como o reconhecimento por todo esse trabalho.

FPF: Sua mudança para São Paulo, ainda que recente, ajudou a impulsionar a sua carreira?
Edina Alves:
Foi a melhor mudança que poderia ter realizado. Digo isso pois recebo um apoio incrível da Federação Paulista de Futebol em todos os aspectos, além do nível de competitivdade do campeonato estadual que nos propricia um preparo excelente para as competições nacionais e internacionais.

FPF: Você se vê como uma figura de representatividade feminina no futebol?
Edina Alves:
Considero que sou um espelho para muitas mulheres que ingressam ou sonham ingressar na arbitragem do futebol brasileiro. Isso aumenta muito a minha responsabilidade, mas exalta o desejo de que meninas tenham a coragem de lutar pelos seus sonhos.

FPF: A sociedade está pronta para ver uma mulher apitar e ainda mais uma final de campeonato?
Edina Alves:
Acredito que o mais importante é a capacidade técnica, dedicação e amor ao que é proposto. Muitas questões culturais não serão alteradas do dia para a noite, mas sabemos que focando nos pontos que descrevi anteriormente, tiraremos o foco do gênero, e vamos melhorar o esporte e consequentemente a sociedade.

FPF: Existe uma estatégia diferente para a final?
Edina Alves:
Final é um jogo onde atenção e concentração não podem faltar. Todas as decisões técnicas precisam ser acertadas. Eu e minha equipe vamos planificar nossas ações para trabalhar com excelência e fazer com que o destaque da partida seja o bom futebol.

FPF: A francesa Stéphanie Frappart apitou a final da Supercopa da Eruopa entre Liverpool e Chelsea. Existem outros movimentos de inserção da mulher na arbitragem mundial?
Edina Alves:
Creio que essa semana foi incrível para nós (mulheres) no mundo da arbitragem. A Stéphanie Frappart é minha amiga e fiquei muito feliz pela designação e principalmente pelo grande desempenho dela. Estamos caminhando e como disse anteriormente, o que importa é a qualidade do trabalho desenvolvido.