Série B: Após cinco anos no São Bento, Paulo Roberto abre o jogo e fala de sua saída
O treinador deixou o Bentão após a primeira derrota na Série B e concedeu entrevista ao Futebol Interior
O treinador deixou o Bentão após a primeira derrota na Série B e concedeu entrevista ao Futebol Interior
Sorocaba, SP, 26 (AFI) – Após uma saída polêmica neste final de semana, do Esporte Clube São Bento, onde estava desde 2013 – faria seis anos no final de 2018, o treinador Paulo Roberto Santos, falou à imprensa e ao Futebol Interior, sobre o que gerou o fim do ciclo vitorioso no clube de Sorocaba. Após a derrota para o Londrina, sábado por 1 a 0 – o clube vinha em sexto lugar e brigando para chegar ao G-4, e invicto a 14 jogos -, uma discussão acalorada nos vestiários, entre ele e o presidente Márcio Dias, parece ter provocado sua saída do clube, fato esse definido na segunda-feira, numa reunião da diretoria.
Na entrevista, Paulo Roberto deixou claro que foi o fato de sábado provocou sua saída, e não a derrota para o time paranaense. Lembrando que, de forma oficial o clube apontou que a decisão da saída, foi tomada em conjunto, e se deveu ao desgaste do longo período de trabalho do treinador, considerado normal no futebol.
Paulo Roberto disse ao FI,que não esperava reconhecimento dos dirigentes pelos cinco anos de trabalho no clube. Destacou, que em todos esses anos todos, os problemas de dentro do campo de jogo eram resolvidos nos dias seguintes, na reapresentação. Frisou ainda que acredita na qualidade do elenco para a sequência do Brasileiro, ao comentar como o plantel poderá reagir a um novo trabalho de um novo treinador, depois de cinco anos.
O técnico agradeceu aos torcedores, diretores e em especial a Xixo e Fernando Martins, nestes cinco anos. E não deu certeza se um dia voltaria a trabalhar no São Bento com a atual diretoria.
NÚMEROS VITORIOSOS
Paulo Roberto está em Sorocaba 2007, quando assumiu o Atlético Sorocaba e fez uma grande campanha faturando a Copa Paulista e levando o Galo para a Copa do Brasil. Depois de passar por Noroeste, Rio Branco, Ituiutaba, Barbarense, Arapongas, Rio Claro e Santo André, chegou ao São Bento no fim de 2013, quando assumiu o clube no lugar de Edson Vieira, que tinha subido o time para a Série A3. De lá pra cá, foram inúmeras conquistas e hoje éconsiderado o maior treinador da história do clube, superando o memorável Capão, que comandou o Bentão primeiro acesso para o Paulistão na década de 60.
Sob o comando de Paulo Roberto,o clube fez de 2013 a 2018, 127 jogos, somando 202 pontos, com 51 vitórias, 49 empates e 27 derrotas, um aproveitamento de 53% dos pontos disputados. Desde que assumiu, e projeção estadual e nacional. Paulo Roberto conseguiu vários acessos, levando o time para a Série A1 Paulista em 2014; manteve o Azulão na elite desde então. E ainda obteve vaga na Copa do Brasil, além de conquistar a vaga para a Série D, onde disputou em 2016 e obteve o acesso para a Série C. Em 2017, novo acesso, desta feita para a Série B de 2018, sempre terminando entre os três primeiros colocados nos certames nacionais.

Confira a entrevista de Paulo Roberto Santos ao Futebol Interior:
FI – Você viu falta de reconhecimento depois de cinco anos de trabalho no clube com essa atitude?
PRS– Não, porque estou no futebol há 40 anos e nunca espero reconhecimento eamizade de dirigente. Isso não existe no futebol. Isso é muito raro. Não esperava aqui. Fui pego de surpresa? Sim ! Não vou entrar em detalhes. Alguém tinha que pagar a conta pelo epísódio que ocorreu após o jogo. Nem sempre o maior devedor é quem paga a conta, principalmente em episódios como esses. Há um pouco de decepção? Sim, mas nunca falta de reconhecimento.
FI- Como foram esses últimos momentos no clube? Fale de sua saída…
PRS –Fizemos a reunião (estava no treino da manhã), e numa conversa entre eu e a diretoria e foi acertada a minha saída. Mas a saída do clube não foi por causa do resultado. Nem poderia ser e não podemos falar isso, porque as pessoas não são leigas. Estávamos há 14 jogos sem perder, dois pelo Torneio do Interior do Paulistão, Red Bull e Ponte Preta, e 12 no Brasileiro da Série B. Obvio que a saída não foi por causa da derrota,mas pelo episódio. Mas que para mim já pus uma pedra em cima e não vou ficar entrando em detalhes. Até porque, tudo que pudemos, temos de fazer para blindar o time e imagem do clube e entidade e o time está num bom momento e em condições de buscar esse acesso.
FI- E o São Bento vinha com uma boa campanha…
PRS –Sim. Vínhamos fazendo a melhor campanha entre os paulistas na Série B do campeonato, para um debutante desde o inicio. Uma equipe que não está entre as de maior investimento e estrutura, ao contrário, estamos entre as de menor investimento e estrutura. Por tudo isso, ficamos meio pegos de surpresa. Mas alguém tinha de pagar a conta.
FI-Como eram resolvidos nestes cinco anos os problemasdas partidas: no calor do jogo ou na reapresentação?
PRS –Tudo no São Bento foi resolvido no dia seguinte. Eu mesmo com os atletas nunca critiquei, cobrei dentro de vestiário, após uma partida. Sempre procurei me controlar e deixar para a reapresentação. Foi sempre assim. E com a diretoria também foi sempre assim, no trato de conversas sobre as partidas no dia seguinte ou na reapresentação. Nunca tivemos esse problema de querermos conversar alguma coisa a mais dentro do vestiário. Essa foi à primeira vez. E obviamente foi a primeira e a última vez.
FI- Você vinha sendo responsável por montar, nestes anos todos os elencos do São Bento, juntamente com a diretoria. Como o plantel poderá reagir a um novo técnico. Isso pode ter algum efeito daqui em diante no Brasileiro pelo que você conhece do time?
PRS –Futebol é muito dinâmico, e não podemos falar nada com precisão. Muitas vezes a mudança de treinador é bem assimilada pelo grupo rapidamente; ás vezes demora um pouco. No São Bento, a mudança de comando não foi por causa de resultados. E até por aí, quem vier, pega o clube navegando em mares mais tranquilos. Diferente de quando você pega um time na zona de rebaixamento, com uma pressão grande por estar longe da zona de classificação. Quem chegar pegará um ambiente tranquilo, um bom grupo para trabalhar. Um grupo de profissionais que não deram um problema dentro nem fora de campo para o treinador. E vai encontrar um ambiente mais saudável que o normal quando da troca de um treinador.
FI- Já tem sondagens para sua sequencia de carreira? Você ainda pensa em ser manager?
PRS –No futebol, a tendência de todos nós (treinadores) é de um dia se tornar um dirigente, um manager, um executivo do futebol. Hoje, eu não penso ainda nisso. Penso no futuro, mas não momentaneamente.Vamos aguardar o que vai acontecer daqui para frente. E ver o que e melhor para a minha carreira. Não vou ter pressa, não e ver as coisas que irão aparecer. Não tenho (oficialmente), nenhuma proposta até agora desde minha saída vou aguardar julho que as coisas começam a acontece nas várias séries.
FI- O que você falaria ao torcedor do São Bento depois do fim deste ciclo de cinco anos no clube?
PRS –Eu gostaria de deixar aqui meu agradecimento ao verdadeiro torcedor do saobentista, pois sabemos que sempre tivemos apoio e credibilidade deles Agradece à imprensa em sua maioria que apoiou nosso trabalho, aos funcionários do clube, desde o mais humilde, da rouparia, cozinha etc. até os demais. Agradeço a todos atletas que passaram no clube neste ciclo e contribuíram nestes cinco anos para seu engrandecimento. A diretoria do clube, que sempre teve mérito nesta campanha. Um clube que sempre cumpriu com suas obrigações em dia e isso deve ser dito. Gostaria de aproveitar esse momento e fazer um agradecimento em público, já que falei anteriormente nos dirigentes. Queria falar de duas pessoas que não fazem mais parte da diretoria do São Bento, mas na minha ótica fazem muita falta no convívio dia a dia do EC São Bento e foram responsáveis pela minha vinda, que foram me buscar em Santo André, Xixo, Fernando, que foram me buscar lá junto com o atual presidente. São duas figuras que eu fiz uma grande amizade e tenho um carinho e respeito muito grande. E não poderia, de publico, deixar de citar essas duas grandes pessoas, Xixo e Fernando.
FI- Você voltaria um dia ao São Bento. E com o atual comando?
PRS –Não sei se esse é um adeus, um até breve, ou até logo. Não sei dizer neste momento sevoltaria com a atual direção ou não. Não posso responder isso. Pode ser que um dia eu possa responder. Até porque eu sou uma pessoa muito sincera. Se eu tivesse essa certeza (de voltar um dia com a atual diretoria), eu responderia, tanto sim como não. Mas hoje não tenho essa certeza. Vamos deixar a poeira baixar, a ficha cair, um outro dia, falar sobre isso com mais precisão.





































































































































