Sérgio Carvalho: Superliga Europa já nasceu morta, mas movimento é válido

Faltou tato e sensibilidade desses dirigentes. Diria até que a ideia foi boa, mas mal elaborada.

Faltou tato e sensibilidade desses dirigentes. Diria até que a ideia foi boa, mas mal elaborada.

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De repente uma notícia publicada pela imprensa esportiva da Europa no último fim de semana, balançou o mundo futebolístico. A notícia dizia que doze dos mais poderosos clubes europeus (Manchester United, Arsenal, Tottenham, Liverpool, Manchester City, Chelsea (da Inglaterra), Milan, Inter e Juventus (da Itália) e Real Madrid, Barcelona e Atlético Madri (da Espanha) tinham se reunido para formar o que chamavam de Superliga Europeia de Futebol.

A partir de sua criação, essa entidade iria gerir os interesses destes clubes na formatação de novas competições que pudessem levar muito mais dinheiro aos cofres daquelas importantes agremiações.

A proposta era fazer um torneio entre os doze clubes que fundaram esta nova entidade, que pudesse render a cada um 1 bilhão e 800 milhões de reais por edição. Algo que, na atual Champions League, nenhum clube não chega nem perto de receber, nem mesmo o campeão da temporada.

Bayern e PSG ficaram de fora da lista da Supercopa Europa

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REAÇÃO ESPERADA
A reação, já esperada, foi imediata. Tanto o presidente Infantino, da FIFA como Aleksander Ceferin, da UEFA reagiram forte. Prometeram punição severa aos clubes rebeldes e até aos jogadores que compõem hoje seus elencos.

Essa reação já era esperada pelos clubes que integram a nova Liga. Afinal, sem esses clubes, FIFA e UEFA perderiam muito dinheiro e poderiam até perder sua identidade como verdadeiros representantes do futebol mundial ou europeu.

MENORES CHIAM
Dirigentes de clubes menores também chiaram e reclamaram do elitismo daqueles clubes na criação de uma nova Liga. Mas o que os administradores dos poderosos não esperavam era a reação negativa dos torcedores de suas equipes.

A maioria deles criticou severamente a criação desta nova Liga e até fizeram manifestos à frente da sede de alguns dos clubes rebeldes. Em razão disso, nas últimas horas, vários dos dirigentes dos doze clubes rebeldes começaram a roer a corda e a desistir do projeto ambicioso que haviam idealizado.

DONO DO LIVERPOOL PEDE DESCULPAS À TORCIDA

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SAINDO, UM A UM
A partir daí as desistência começaram a surgir. Os clubes ingleses desistiram logo de insistir na criação da Superliga. A diretoria do Tottenham até pediu desculpa a seus torcedores reconhecendo o erro de participar deste movimento.

Logo em seguida os representantes do futebol da Itália e da Espanha, fizeram o mesmo. Com o retrocesso, a Superliga ficou no papel e seu projeto engavetado. Não haverá mais Superliga, nem um super torneio com os doze clubes rebeldes.

Não houve clima para manter o ambicioso projeto. Como consequência, a FIFA e a UEFA devem evitar qualquer tipo de punição aos rebeldes e até podem reunir-se com eles para acomodar a situação, dando a cada clube da Superliga, uma verba mais polpuda por participação nos eventos tanto da FIFA, que dirige o futebol mundial, como da UEFA, que administra o futebol europeu.

MOVIMENTO VÁLIDO
Diante desses fatos, vamos apresentar nossa opinião. Consideramos esse movimento válido. Afinal os grandes clubes são a alma da Liga dos Campeões e os verdadeiros responsáveis pelas polpudas verbas de patrocínio que FIFA e UEFA recebem pela sua realização.

Mas acho que houve uma enorme precipitação dos dirigentes que resolveram criar a Superliga. Eles poderiam sim se reunir e criar um projeto novo para o futebol europeu e em seguida fazer sua apresentação às duas entidades que administram o futebol na Europa.

No contato com FIFA e UEFA poderiam pedir uma melhoria considerável nas cotas e prêmios distribuídos pela Liga dos Campeões ou criariam um novo torneio com administração própria. Se as entidades citadas não concordassem, fariam um manifesto às torcidas de seus clubes e pediriam o aval de seus torcedores.

FALTOU DIÁLOGO E PLANEJAMENTO
Mas ao lançarem a ideia de uma Superliga sem qualquer tipo de diálogo, provocaram uma reação em cadeia que inviabilizou o projeto. Faltou tato e sensibilidade desses dirigentes. Diria até que a ideia foi boa mas mal elaborada.

Como consequência, o projeto foi deletado. Com isso, perderam os grandes clubes, perdeu o futebol europeu.

E a Liga dos Campeões bem ou mal vai continuar como estava.

Simples assim.