Sérgio Carnielli abre o jogo e passa a Ponte Preta a limpo

Campinas, SP, 21 (AFI) – Na véspera da Ponte Preta completar 109 anos de sua fundação, o que acontece no dia 11 de agosto, o presidente Sérgio Carnielli reuniu toda a Imprensa de Campinas para “abrir o jogo e passar o clube a limpo”. A boa idéia da assessoria de imprensa, reuniu mais de 40 profissionais na sede do Jardim das Paineiras, nesta terça-feira à tarde.

Carnielli falou abertamente, expondo alguns pontos importantes para o projeto administrativo do clube nos próximos três anos, bem como respondeu, atenciosamente, a todo tipo de pergunta dos jornalistas e radialistas. Falou de tudo, sem exceção durante uma hora e meia.

Da construção da Arena Ponte Preta e do novo Centro de Treinamento; do futuro do Majestoso; sobre o time e os planos no futebol; da situação política e da inclusão da Ponte Preta no Clube dos 13.

Não há dúvida de que tudo ficou bem esclarecido, de forma transparente e honesta. O Portal Futebol Interior também participou do evento e abaixo transcreve os principais pontos debatidos.

ARENA PONTE PRETA
Segundo o presidente, o projeto está totalmente aprovado junto aos órgãos competentes. O clube será incluído dentro do projeto do governo federal que destinará verbas, através do BNDES. A data limite é 31 de agosto para a definição das sedes e sub-sedes da Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil.

”A Ponte Preta será incluída neste pacote, e, no futuro, pode até ser incluído como um estádio de apoio para o Mundial” – revelou Carnielli.

0003 250O custo total da obra, para 32 mil espectadores sentados, é de R$ 165 milhões, sendo que o BNDES vai financiar R$ 70 milhões. O restante, R$ 100 milhões, será dividido entre a Ponte Preta e Oderbrechet, empreitara que elaborou e vai executar o projeto.

O valor de investimento e o pagamento do mesmo será gerado pela receita vinda da própria Arena, como uso para shows (dois grandes por ano), propaganda, aluguel de cadeiras e camarotes (80 Vips), estacionamento (220 carros), além de Salas de Reuniões e Eventos (carentes na cidade).

Os atuais sócios do Jardim Eulina serão ressarcidos ou transferidos para a Unidade Paineiras. Ou ainda para o Clube Andorinhas, localizado perto do Jardim Eulina.

CENTRO DE TREINAMENTO
Só falta definir o local, que deve ser a cidade de Sumaré ou a vizinha Monte Mor. O terreno será doado ao clube, que não vai dispor de dinheiro nenhum também para a construção. Os locais foram priorizados porque são bem próximos à Arena Ponte Preta, que será construída nas margens da Rodovia Anhanguera, na atual Unidade do Jardim Eulina. Ela vai ter campos e alojamentos, inclusive para o Departamento Profissional.

“Vamos buscar recursos na Lei de Incentivo ao Esporte. Além da Ponte, apenas Santos e São Paulo preenchem estes requisitos atualmente dentro do Estado de São Paulo” – esclareceu Carnielli.

TIME E DICÁ
O presidente voltou a depositar confiança no trabalho realizado nesta temporada dentro do departamento de futebol. Ele acha que o time pode subir para o Brasileirão, em 2010. Admitiu que até o término do período de inscrição, em setembro, pode buscar algum reforço “desde que seja algum jogador para vir e resolver, não para quebrar o galho”.

Sobre a saída do ex-diretor de futebol Dicá, o presidente rasgou elogios “à história daquele que foi o maior jogador da vida do clube”. E completou: “É meu amigo e meu irmão e vamos zempre zelar pela trajetória maravilhosa dele no clube., Mas como diretor de futebol ele foi muito bonzinho”, concluiu.

PARTBOL E FINANÇAS
Carnielli fez um esclarecimento importante sobre a criação da Partbol, empresa que administra o futebol da Ponte Preta.

”Foi uma medida necessária, na qual fomos orientados por juristas especializados. O objetivo era evitar que nossas receitas ficassem sujeitas à penhoras ou dívidas antigas. Com isso, foi possível iniciar a administração do futebol”, reconheceu.

E foi mais incisivo ainda em relação aos valores que ele colocou, do próprio bolso, na Ponte Preta, declarado no balanço oficial de R$ 28 milhões.

Essa foi uma transferência de dívida da Ponte Preta para o Sérgio Carnielli. Mas nunca vou colocar o clube na Justiça. É claro que espero um dia ser ressarcido, talvez, com a venda de algum jogador, mas posso garantir que este dinheiro não faz mais parte do meu orçamento pessoal”, garantiu. E até cutucou o rival Guarani.

É preferível a Ponte Preta dever R$ 28 milhões para o Carnielli do que ficar devendo R$ 120 milhões para todo o mundo (dívida do Guarani”,

Esclareceu ainda que o clube segue acordo firmado com a 1.ª Vara do Trabalho para quitar um débito total em torno de R$ 5 milhões, o que é pouco em relação ao valor do patrimônio do clube, estimado em R$ 200 milhões. O presidente acha que até o final deste ano, o orçamento do clube estará equilibrado, possivelmente com a venda de um atleta.

Negou que a Ponte pague, mensalmente, perto de R$ 600 mil para quitar as dívidas trabalhistas, valor confirmado depois pela Assessoria de Imprensa como de R$ 228 mil e com previsão para abaixar para R$ 170 mil nos próximos meses.

POLÍTICA, OPOSIÇÃO E CLUBE DOS 13
O presidente confirmou que existem oito processos movidos pelo ex-presidente Marco Eberlin, muitos com a intenção de tirá-lo do cargo.

”Mas ele (Eberlin) não conseguiu êxito em nenhum”, assegurou Carnielli.

O presidente considera normal existir uma “oposição” na Ponte Preta como “existem em outros clubes”. Mas acha que a sua representatividade pode ser comprovada nas últimas eleições.

Carnielli acredita que o trabalho atual da Ponte Preta é todo “desenvolvida por uma diretoria competente e, acima de tudo, honesta”. E que se tiver que deixar o clube dentro de dois anos e meia, quando acaba seu mandato, vai seguramente ter um substituto à altura para completar seu projeto administrativo.

QUEM ERA E QUEM VAI SER A PONTE PRETA
Quando assumiu a presidência em 1996, a Ponte Preta estava quebrada.

“Pegamos o clube no hospital, dentro da UTI. Depois mandamos para o quatro, a tratamos e a recuperamos. Fora m investidos R$ 40 milhões, mas agora a Ponte não precisa mais de alguém para colocar tanto dinheiro nela. Agora é administrar bem e manter os projetos adiante”, finalizou.

Para Carnielli, a Ponte Preta vai consolidar seu projeto dentro da história de ser a número 1 do Brasil, fundada em 11 de agosto de 1900. E espera que o clube integre, em breve, o Clube dos 13, que comanda os grandes clubes do país.

“Nós precisamos voltar à série A, depois teremos apoio de muitas pessoas importantes para nos ajudar a entrar no Clube dos 13, porque a Ponte Preta tem história e competência para estar entre os grandes clubes do futebol brasileiro”, concluiu.