Sem Ruy Rei! Ponte quer saber quem será o Washington da vez
Campinas, SP, 1 (AFI) – Washington “Mega Massa” já não está mais na Ponte Preta, mas a torcida da Macaca espera que algum atacante do atual elenco incorpore o espírito do artilheiro na partida final do Paulistão, neste domingo, quando o time campineiro precisa ganhar por dois gols de diferença para sagrar-se campeão paulista de 2008. É que foram dos pés de Washington que saiu a única vitória da Ponte por essa diferença no Palestra Itália, palco da decisão de domingo.
O feito aconteceu pelo Brasileirão de 2001. No dia 22 de setembro daquele ano, a Macaca venceu por 2 a 0 e calou o estádio palmeirense. Washington, atualmente no Fluminense, deixou sua marca duas vezes: uma em cada tempo. Em toda sua trajetória pelo clube alvinegro de Campinas, o atacante marcou 86 gols, tornando-se o sétimo maior artilheiro da história da Ponte Preta. As esperanças da torcida, agora, estão depositadas em seis jogadores.
A principal esperança é o meia Renato, artilheiro da equipe no Paulistão, com oito gols até aqui. Suspenso, ele não pôde atuar na derrota do último domingo, por 1 a 0, em Campinas. Com seu retorno, a Ponte ganha em qualidade técnica e aumenta seu poderio nas bolas paradas. Especialista nesta jogada, Renato já marcou três gols de falta neste ano. Um deles, inclusive, foi contra o Mirassol, pela terceira rodada, quando Renato conduziu a Ponte aos 3 a 2, marcando os três gols da vitória.
“Vamos ganhar em qualidade com o Renato. É um jogador que poderá nos ajudar muito nessa missão”, afirmou o técnico Sérgio Guedes.
Outro Hat-trick!
Além de Renato, outro jogador da Macaca já marcou três gols em um único jogo. Trata-se do atacante Danilo Neco, que na goleada sobre o Juventus, por 5 a 2, pela sétima rodada, deu show em Majestoso encharcado pela forte chuva que pairou sobre Campinas em 7 de fevereiro. Depois dessa exibição de gala, Neco ganhou a confiança da torcida, mas só voltou a balançar as redes adversárias mais uma vez, na vitória sobre o Guaratinguetá, por 3 a 0, ainda na primeira fase.
Na frente de Danilo Neco na artilharia do time estão o meia Elias e o atacante Marcelo Soares, com cinco gols cada. Os dois jogadores foram peças fundamentais para a brilhante campanha pontepretana na primeira fase. Marcelo Soares era, até sua lesão contra o Barueri, na 10ª rodada, titular absoluto do ataque.
Recuperado, mas não totalmente, voltou a brilhar na vitória do dérbi sobre o Guarani, por 4 a 2, quando barrou Wanderley e marcou um dos gols. No mesmo jogo, porém, voltou a sentir a contusão e até agora não readquiriu o ritmo de jogo ideal. Mesmo assim, está à disposição do técnico Sérgio Guedes para domingo. A mesma certeza não tem o meia Elias.
Super-herói?
De fora da equipe titular desde a primeira partida da semifinal contra o Guaratinguetá, devido a uma fratura na costela, corre contra o tempo a fim de jogar a última partida do Paulista. Considerado por muitos o principal jogador da Ponte, Elias é o motorzinho do time. Além de atuar de forma insinuante quando com a bola no pé, ajuda os volantes na marcação, dando, também, qualidade à saída de bola da defesa para o ataque.
Sua utilização domingo é tratada com muito mistério por parte da comissão técnica. A evolução de seu quadro clínico abriu a possibilidade de atuar com um colete de proteção. Até o momento, porém, nenhum dos modelos apresentados pelos médicos da Macaca agradou ao jogador. Em meio à recuperação, Elias se envolveu em uma possível negociação com o Corinthians, que já dá como certa sua contratação, para a disputa da Série B. Os boatos e a posição do jogador perante eles não agradaram ao treinador pontepretano.
“Acho que o Elias poderia ter tido uma posição diante de tudo isso que está se falando sobre ele. Iria clarear a situação para todos”, comentou Sergião.
Talismãs
Mesmo não marcando tantos gols, dois jogadores podem ser considerados os talismãs da Ponte neste Paulistão. Os atacantes Wanderley e Luis Ricardo mostraram estrela e brilharam nos momentos mais importantes.
O primeiro, autor de quatro gols, não conseguiu se firmar como titular, mas quem pensa que isso foi algo negativo para ele se engana. Em duas oportunidades, Wanderley entrou durante o jogo e, em seu primeiro toque na bola, marcou.
Isso aconteceu no dérbi contra o Guarani, quando após ter o nome pedido pela torcida, entrou e fez o quarto gol da vitória por 4 a 2, no momento mais delicado da partida. Na segunda partida da semifinal contra o Guaratinguetá, Wanderley foi chamado por Sérgio Guedes aos 30 minutos e, três minutos depois, recebeu dentro da área, limpou o zagueiro e bateu para fazer o segundo da Macaca, definindo a vitória por 2 a 1 e, consequentemente, a classificação à final.
Novo Luis Fabiano? Pelo menos tem Luis no nome…
Comparado com o ex-atacante da Ponte, Luis Fabiano, atualmente no Sevilla, onde é artilheiro do Campeonato Espanhol, com 23 gols, Luis Ricardo é o jogador de frente da Ponte que menos foi ás redes: apenas três vezes. O número de gols, porém, não tira a confiança de Guedes no seu pupilo.
Contratado junto ao Marcílio Dias-SC com o campeonato já em andamento, Luis Ricardo, mesmo marcando em sua estréia, nos 3 a 0 da primeira fase sobre o Guaratinguetá, demorou a ganhar a condição de titular. Seu estilo de jogo, no entanto, logo foi assimilado pela equipe e pelos demais companheiros, que entenderam a importância do atacante.
Sempre sereno e concentrado, foi um dos poucos que não se desesperou com o primeiro gol do Guará na segunda partida da semifinal. Tanto é que um minuto depois, apareceu na área adversária e, com uma cabeçada fantástica, empatou o duelo, tranqüilizando todo o time e torcida da Ponte Preta. Resta saber, agora, quem estará inspirado no próximo domingo para repetir a façanha de Washington, levando a Macaca ao seu primeiro título em 107 anos de história.
Outras oportunidades
Mas a vitória com a marca de Washington não foi a única vez que a Ponte se deu bem no Parque Antártica. Ela foi, sim, uma das únicas cinco vezes que a Macaca saiu vitoriosa em um confronto contra o Verdão em São Paulo, de acordo com o site oficial da Ponte Preta, o www.pontepreta.esp.br. Nas outras oportunidades, porém, a vantagem foi mínima (2 a 1, em 1957 e 86, 1 a 0 em 81 e 3 a 2 em 2006).
Em 45 partidas na capital paulista, o predomínio, assim como no retrospecto histórico, é do Palmeiras, que venceu 26. Foram também 14 empates. Juntando os jogos em Campinas, a vantagem palmeirense se torna ainda maior.
São 56 vitórias doVerdão, 28 da Ponte Preta e também 28 empates, em 102 encontros desde 1939, com 184 gols a favor do Palmeiras e 111 para a Macaca. O placar mais freqüente é o 2 a 1, repetido em 20 oportunidades.
Nada de Ruy Rei
Com tantas opções para fazer história, a torcida da Ponte não quer nem pensar na possibilidade de um dos atacantes fazer igual a Ruy Rei em 1977, quando o jogador, artilheiro do time, protagonizou um episódio que até hoje não foi esclarecido.
Na última partida da final do Paulista daquele ano contra o Corinthians, que precisava vencer para quebrar um longo jejum de 22 anos, 8 meses e uma semana, Ruy Rei foi expulso logo no início do confronto, após reclamar acintosamente de uma marcação contrária do árbitro Dulcídio Wanderley Boschillia. Dias depois, Ruy foi apresentado no Parque São Jorge como reforço do Timão. Lembrando desse episódio, o presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, tirou sarro da Ponte Preta recentemente.
“A Ponte Preta vai ser que nem o peru de natal: vai morrer de véspera. Só estou esperando para saber quem vai ser o Ruy Rei da vez”, cutucou o dirigente tricolor. A torcida da Ponte, por sua vez, espera para ver quem será o Washington da vez!





































































































































