Sem receber, Pegorari e Salamene acionam Guarani na Justiça e rescindem contratos
O meio-campista está com incríveis 28 meses de salários atrasados e sequer teve conta de FGTS criada
Sem receber, Pegorari e Salamene acionam Guarani na Justiça e rescindem contratos, após o Campeonato Paulista da Série A2
Campinas, SP, 14 (AFI) – A desorganização administrativa da atual diretoria aumentou ainda mais a extensa lista de credores do Guarani, após o Campeonato Paulista da Série A2. Nesta quinta-feira, o goleiro Pegorari e o meia Daniel Salamene conseguiram uma liminar na Justiça Trabalhista para rescindirem seus contratos com Bugre. O vínculo do camisa 1 tinha término previsto para 30 de novembro deste ano, enquanto o contrato do meio-campista acabaria no próximo dia 30 de setembro.
Com esta liminar, os dois jogadores ficam livres para negociarem com qualquer clube e o time alviverde não terá direito a nada. Com a liberação em mão, ambos darão sequência à ação para cobrança de rescisão, salários, férias, 13º salário e Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), que estão atrasados.
“Entramos com este pedido de liminar, a fim de que os jogadores pudessem encerrar o vínculo e darem sequência às suas carreiras. Ficou caracterizado que o Guarani não vinha cumprindo o contrato e, por isso, a liminar foi concedida”, revelou o advogado João Henrique Chiminazzo, que defendeu os jogadores.
SALÁRIOS EM DIA?
O caso mais alarmante é do jovem Daniel Salamene, de apenas 21 anos. Revelado nas categorias de base do próprio clube, o jogador cobra nada menos que 28 meses de salários em carteira que estão atrasados. Além disso, reclama de férias não pagas e a conta do FGTS sequer tinha sido aberta. Uma grave infração contra as leis trabalhistas vigentes.
Por outro lado, Pegorari reclama que parte de alguns salários em carteira e direitos de imagens não foram pagos. Além disso, também não recebeu valores referentes às férias e também nunca teve FGTS recolhido. Isso porque foi titular nos 19 jogos do time na Série A2 e foi eleito o melhor goleiro da competição. Além de abrir mão de um bom jogador, ainda terá mais gastos desnecessários.
O agravante é que o goleiro ainda teve a liberação do contrato negada pela diretoria do clube. Após ser informado de que não seria aproveitado no Brasileiro da Série C, Pegorari pediu a rescisão amigável para negociar com outros times. Ele teria recebido como resposta, que só seria liberado caso assinasse um termo abrindo mão do que teria direito a receber.
MAIS AÇÕES?
A tendência é de que, nos próximos dias, mais jogadores que tenham sido dispensados, após o Paulista da Série A2 e cujos nomes não foram , acionem o clube na Justiça. Alguns jogadores, como o zagueiro Mateus Sales, o meia Ricardinho e o atacante Flávio Caça-Rato fizeram acordo para a rescisão. Vários outros jogadores, contudo, tinham contrato até o final do ano e simplesmente foram dispensados de forma unilateral.
Até o momento, 12 jogadores ainda constam com contrato vigente com o Guarani. De acordo com o site da Federação Paulista de Futebol (FPF), o goleiro Gatti, o lateral Eduardo, o zagueiro Lucas Bahia, o volante Diego Tabata e o atacante Max possuem vínculo até 30 de maio e ainda não chegaram a um acordo. Os atacantes Bruno Santiago e Marcelinho têm vínculo até o início de junho.
Outros cinco jogadores, assim como Pegorari, possuíam contratos até o final do ano. Portanto, ou chegarão a um acordo ou então terão de recorrer à Justiça Trabalhista. O lateral Oziel, o zagueiro Carpini, o volante Diego Silva, o meia Douglas Packer assinaram até 30 de novembro, enquanto o vínculo do lateral Mário Sérgio se estende até 31 dezembro.
EM CACOS!
Por enquanto, o técnico Marcelo Chamusca está trabalhando com apenas 12 jogadores no elenco, desde a reapresentação na segunda-feira. Apenas quatro deles não são garotos da base. Deste grupo, apenas o meia Fumagalli tem contrato até o final da temporada. O lateral Denis Neves e os volantes João Paulo e Lenon tem vínculo até 30 de maio e ainda não tiveram a renovação sacramentada. Ou seja, podem assinar pré-contrato com outro clube.
Os outros oito remanescentes são oriundos da base. Entre eles, o goleiro Passarelli, o zagueiro Léo Rigo, os volantes Wesley e Watson, o meia João Vittor, e os atacantes Lorran, Gabriel Rodrigues e Rai. Alguns, como Lorran e Rai, serão emprestados para ganhar experiência. O primeiro já está de partida para o Caxias.
QUAL A VERDADE?
Curiosamente, a situação atual do clube é semelhante à vivida, após a eliminação no último Brasileiro da Série C. Naquela oportunidade, assim como agora, a diretoria garantiu que os salários estavam em dia, inclusive, com a confirmação dos jogadores. Porém, bastou o vínculo entre clube e jogadores se encerrar para os “podres” aparecerem. ´
No início deste ano, o Bugre sofreu com uma ação conjunta movida por um grupo de 21 ex-funcionários, sendo 19 jogadores, o técnico Paulo Roberto Santos e o gerente Leandro Spíndola. A maior parte dos envolvidos cobraram salários, férias, 13º, FGTS e multas por verbas rescisórias referentes a 2015. As cifras do processo chegaram a R$ 3,5 milhões.
Neste grupo de 19 jogadores, estão os goleiros Edilson Guerra e Rafael Santos, os laterais Eric, Raoni e Bruno Pacheco, os zagueiros Gladstone, Pitty e Jonas, os volantes Johnnattan, Fernando Lopes, Simião e Coppetti, os meias Serginho Catarinense, Erik Mamadeira, Thiago Marin e João Henrique e os atacantes Clementino, Malaquias e Anderson Cavalo.





































































































































