Sem bets na camisa: quem ocupa o espaço mais valioso do futebol brasileiro?
A 29ª rodada oferece o primeiro retrato dessa reorganização após a entrada em vigor das restrições à publicidade do setor.
A resposta para quem ocupa o lugar das bets ainda varia de clube para clube
Campinas, SP, 09 (AFI) – A retirada das casas de apostas dos uniformes abriu espaço para uma combinação incomum no Brasileirão. Na região da camisa antes dominada pelas bets, aparecem agora uma empresa de inteligência artificial, uma varejista, plataformas de estatísticas, programas de sócios e até uma mensagem de protesto. Outros clubes entram em campo sem substituto comercial.
A 29ª rodada oferece o primeiro retrato dessa reorganização após a entrada em vigor das restrições à publicidade do setor. O cenário reúne soluções diferentes: acordos para uma partida, exposição de parceiros que já estavam no uniforme e uso do espaço para divulgar iniciativas dos próprios times.
Uma partida pode valer R$ 1 milhão
O Corinthians utilizou a marca Jota.ai no confronto com o Internacional. A empresa oferece um agente de inteligência artificial voltado à organização financeira pessoal e de negócios.
O acordo pontual rendeu R$ 1 milhão ao clube. A operação mostra que o espaço continua atraindo anunciantes, embora um contrato de jogo único não tenha a mesma duração nem a previsibilidade de receita de um patrocínio de temporada.
Do outro lado, o Internacional exibiu a Shopee, com destaque para a campanha promocional “10.10”. O clube gaúcho já não tinha uma bet como patrocinadora principal antes das restrições.
A marca muda, o grupo permanece
São Paulo e Fluminense recorreram à Superscore, plataforma de estatísticas esportivas pertencente ao mesmo grupo econômico da Superbet.
A solução permite a presença de outra atividade do grupo no uniforme. Ela também evidencia uma diferença relevante: retirar a marca de uma casa de apostas da camisa não significa, necessariamente, encerrar toda relação comercial com a empresa que a controla.
No caso do São Paulo, a utilização foi anunciada como ação pontual, enquanto as partes avaliam a continuidade do acordo diante do novo cenário.
O espaço também vira mensagem
O Flamengo escolheu uma manifestação. No jogo contra o Santos, colocou a frase “Proibir não é proteger” na área do patrocinador principal.
O Santos utilizou o uniforme para divulgar o Instituto Leão do Mar, iniciativa ligada a projetos de impacto socioambiental. Botafogo, Vasco e Athletico deram exposição aos seus programas de sócios.
Nessas situações, a camisa mantém uma função de comunicação, mesmo sem apresentar uma nova marca comercial naquele espaço.
Parceiros antigos ganham destaque
Remo e Chapecoense reforçaram a presença de empresas que já integravam seus uniformes. O Banpará ganhou protagonismo na camisa do clube paraense, enquanto a Aurora permaneceu em evidência na equipe catarinense.
Palmeiras, Atlético-MG, Cruzeiro, Vitória e Grêmio, por sua vez, apareceram sem substituto para o patrocínio máster.
A resposta para quem ocupa o lugar das bets ainda varia de clube para clube. Os primeiros jogos mostram compradores de outros setores e soluções temporárias, mas também camisas sem anunciante. A próxima disputa comercial será transformar essas alternativas em contratos capazes de oferecer receita contínua.





































































































































