Seleção rende aquém do previsto, mas valorize o trabalho dos suíços

Jogadores brasileiros encontram dificuldades na estreia e só empatam

Seleção rende aquém do previsto, mas valorize o trabalho dos suíços

Por volta das cinco horas da tarde deste domingo, quando o árbitro mexicano César Ramos apitou o final do jogo em que Seleção Brasileira e Suíça empataram por 1 a 1, na estreia de ambos na Copa do Mundo, de certo deve ter caído a ficha pra muita gente.

Torcedor brasileiro havia se habituado com o show em campo de seu selecionado, inclusive com vitória em amistoso sobre a poderosa Alemanha. Logo, projetou que próximos adversários seriam amassados.

Torcedor também ficou com antiga impressão daquela Suíça que montava um ferrolho defensivo e jogava por uma bola. Na prática já não é isso que ocorre.

E a boleirada brasileira foi pro jogo dando ‘tapa’ na bola, com natural projeção de que só no toque envolveria o adversário.

NEYMAR

Imaginou a individualidade de Neymar como diferencial para persistência do clima de vitória.

Na prática, o estilo moroso que o Brasil colocou em prática facilitou o trabalho de destruição de jogadas dos suíços.

O esperto treinador adversário, Vladimir Petkovic, dobrou a marcação sobre Neymar para que não andasse em campo.

Apesar de perder a maioria das jogadas, Neymar ignorou o conjunto e abusou indevidamente da individualidade.

Assim, ao recuperar a posse de bola, a Suíça sabia valorizá-la sobremaneira.

BURACO NO MEIO DE CAMPO

E essa capacidade de trabalhar a bola dos suíços colocou em xeque a estrutura de marcação que o treinador Tite havia adotado no meio de campo, com apenas um volante especialista em marcação – caso de Casemiro – e a desobediência tática de Paulinho que só queria avançar, e demorava para a recomposição.

Assim, deixava buracos no setor, visto que Willian e Phellipe Coutinho – embora recuassem – não têm capacidade para desarme.

Ficou o recado ao treinador Tite que, em desenho tático com essa semelhança, o risco será maior contra adversários mais qualificados.

Além da advertência para que Paulinho só avance quando a situação permitir, será recomendável, a partir da segunda fase, que Renato Augusto reforce o setor, mesmo que isso implique em sacar Willian da equipe.

De prático no primeiro tempo brasileiro, apenas o golaço do meia-atacante Phellipe Coutinho, que colocou incrível efeito na batida da bola, aos 19 minutos.

GOL ILEGAL

Era de se esperar que após o intervalo, em desvantagem no placar, a Suíça fosse se expor ainda mais, e com isso empurrou o Brasil para o seu campo defensivo.

Com aquele volume de jogo, a Suíça chegou ao gol de empate logo aos cinco minutos, em cabeçada de Zuber, após cobrança de escanteio.

Falhou o árbitro mexicano ao validar o gol, visto que Zuber empurrou claramente o zagueiro Miranda.

Ao ceder o empate, o time brasileiro se enervou e chegou a ser dominado pela Suíça.

A entrada de Renato Augusto, no lugar de Paulinho, serviu para melhorar um pouco a marcação. E a pressão brasileira nos 15 minutos finais teve mais a ver com cansaço dos suíços, prejudicados também com alterações daqueles que entraram em campo.

Com maior volume de jogo, o Brasil criou chances para empatar em cabeçadas de Firmino e Neymar, e gol perdido por Phellipe Coutinho cara a cara com o goleiro Sommer.

SÉRVIA E COSTA RICA

Se é que serve de consolo ao torcedor brasileiro, Sérvia e Costa Rica – próximos adversários – são técnica e taticamente mais fracos comparativamente à Suíça.

Se alguém duvida, então responda se em ambas seleções há pelo menos um jogador cujo nível se assemelhe ao atacante palmeirense Keno, que sequer consta na relação dos 35 nomes de brasileiros enviados à Fifa.

Logo, na projeção natural, equipes como Palmeiras e Grêmio seriam favoritas em confrontos contra os próximos adversários brasileiros.

Isso indica a obrigação dos comandados do treinador Tite de vitória.