Segundona: Emílio Brumati fecha ciclo como presidente do Noroeste

Segundona: Emilio deixa o clube fora da realidade deficitária na qual herdou e o Noroeste parou de gerar dívida

Emilio deixa o clube fora da realidade deficitária na qual herdou e o Noroeste parou de gerar dívida

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Bauru, SP, 06 (AFI) – O presidente Emílio Brumati anuncia oficialmente, nesta quarta-feira, o fim de seu ciclo à frente da administração do Esporte Clube Noroeste. O vice, Rafael Padilha, também deixa o cargo. A decisão já vinha sendo pensada há alguns dias e foi acertada com assinatura da carta de renúncia após reunião entre diretores do Norusca. Quem assume, interinamente, até a convocação de novas eleições, é o presidente do Conselho Deliberativo, Toninho Rodrigues. O motivo da saída é a busca do aporte financeiro que o clube objetiva para conquistar acesso a Série A2 e recolocar a Maquininha Vermelha na elite do futebol.

Emílio Brumati e Rafael Padilha assumiram o clube, de forma interina, no dia 2 de outubro de 2013, após sucessivas gestões deficitárias. Brumati resolveu ser presidente, em 2013, objetivando a saúde financeira e econômica do Noroeste. Ele foi nomeado pelo Conselho para não deixar o maior patrimônio esportivo de Bauru fechar. A dupla venceu as eleições promovidas pelo conselho no dia 21 daquele mês. Seu primeiro ato na presidência foi pagar os funcionários da sede.

Noroeste fechou aquele ano, dois meses depois de assumir, com patrimônio líquido negativo de 17.849.027,66. Estes números eram déficit operacionais entre o período de 2009 a 2012.

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Em 2014, quando começou o seu primeiro ano, a administração de Emílio Brumati reduziu o patrimônio líquido negativo para 10.021.037,05. Isso foi possível graças às negociações de Brumati com credores, conquistando o perdão de algumas dívidas, entre elas, o da família Garcia, que perpetuava desde quando o falecido ex-presidente Damião Garcia comandava o Noroeste. Além deste valor, revertido ao clube como doação, houve ainda pagamentos de ações trabalhistas de ex-jogadores, somando 83 ações pertencentes ao ano de 2014. Um total de aproximadamente R$ 360 mil em 2014.

Com isso, a gestão Brumati apresentou um resultado de exercício negativo daquele ano de cerca de R$ 355 mil para manter o time profissional, os times de base, funcionários, além de contas e impostos da administração da sede. A renda daquele ano foi de aproximadamente 1,1 milhão, fechando o balancete em pouco mais de R$ 10 milhões, contudo, as dívidas trabalhistas foram negociadas e a credibilidade conquistada na vinda de novos parceiros e patrocinadores no clube.

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Em 2015, a diretoria reduziu o patrimônio negativo para R$ 9.792.010,68. Cerca de R$ 400 mil foram para sanar dívidas trabalhistas e ainda formar um time para alcançar o acesso de volta a A3, graças à parceria conquistada pela diretoria com o time da Ferroviária, que cedeu jogadores e técnico. Isso aliviou a necessidade de gastos diários. No final daquele ano, o acesso foi conquistado com 7.021 torcedores presentes nas arquibancadas e empurrando o centenário Noroeste a deixou a Série B para trás.

SUPERÁVIT E FECHAMENTO NO AZUL
Pela primeira vez, desde 2009, o clube apresentou um superávit líquido de aproximadamente R$ 229 mil no fechamento do balanço anual de 2015. Valor direcionado para dívidas trabalhistas. Outro ponto positivo da gestão Brumati foi a quitação de todos os pagamentos de jogadores e comissão técnica que disputaram a Série A3 de 2016 pelo Noroeste. Diferentemente das gestões anteriores, que deixavam valores em aberto com os atletas para os anos subsequentes. A gestão Brumati fechou no mês passado o pagamento da folha salarial de todos do elenco.

MOTIVO DA SAÍDA
Emilio deixa o clube fora da realidade deficitária na qual herdou. E o Noroeste parou de gerar dívida. “O objetivo do clube é o acesso para série A2. Para isso, o clube necessita de mais recursos que estão além do alcance da minha administração. Chegou o momento de expandir a área de capitação. É necessário regularização de situações fiscais para obtenção de certidões negativas de débitos, necessários para participação de novas empresas no programa de incentivo fiscal”, explica Brumati.

O vice-presidente Rafael Padilha também complementou sobre a saída. “Até o momento nós nos dedicamos e fizemos tudo o que estava ao nosso alcance. Em um ato pessoal de desapego e respeito a instituição do Noroeste, abrimos a possibilidade para uma nova diretoria que se apresenta com capacidade de realização financeira superior a atual”, ressalta.

Agora o planejamento visualiza, a médio prazo, recolocar o Noroeste de volta a Série A1, e isso precisa da regularização fiscal. Para tanto, é necessário aderir ao Profut. O impacto de investimento financeiro inicial e imediato, para até o fechamento deste mês, é de cerca de R$ 200 mil, que hoje o clube não tem.

AGRADECIMENTO
“Gostaria de agradecer todas as empresas e pessoas físicas que desde o começo acreditaram em nosso projeto e investiram recursos na sua realização. Agradeço o apoio recebido de toda a torcida noroestina, em especial da Sangue Rubro e da Falange. Agradeço ainda aos meus colaboradores, sem os quais, o trabalho não teria sido realizado com o grau de eficiência e sucesso conseguidos. Aos membros do conselho que me confiaram esta tarefa e que estamos encerrando, neste momento, certos de que nos dedicamos o máximo possível à sua realização. Agradecemos o apoio recebido de toda a imprensa que nos acompanhou ao longo dessa jornada com respeito e profissionalismo”, conclui Emílio Brumati.

ADESÃO AO PROFUT – EMPRESÁRIO TEM INTERESSE DE ASSUMIR
O Noroeste deve retomar a adesão ao Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut) do Governo Federal. E o Noroeste precisa de cerca de R$ 200 mil para fazer a adesão até o último dia útil deste mês. Surgiu um empresário de Bauru com atuação em nível nacional e que se ofereceu pra suceder o Emilio nessa nova etapa do planejamento.

Os clubes que aderem ao Profut têm um prazo de até 240 meses para parcelar suas dívidas, com descontos decrescentes ao longo dos anos. Ao parcelar seus débitos pelo programa, o valor do passivo dos clubes tem 70% de desconto em multas, 40% nos juros e 100% dos encargos legais.

EMÍLIO DEIXA LEGADO DE 400 CRIANÇAS EM AÇÃO SOCIAL
O projeto social que havia começado pequeno, em 2014, com jovens de 14 a 17 anos, expandiu. O número de crianças atendidas quadruplicou em 2016. A parceria de um grupo com o Noroeste e apoio da Prefeitura Municipal de Bauru, iniciada pelo presidente Emílio Brumati, proporcionou que meninos, a partir de 7 anos de idade, integrassem a iniciativa social e esportiva que visa aproximar do clube os jovens de baixa renda ou em situações de risco na cidade de Bauru (SP). Daí nasceu o “Noroestel”.

Agora são mais de 400 crianças, de 7 a 17 anos, que treinam no clube de segunda a quinta, em dois períodos: segunda e quarta, 14h às 17h, e terça e quinta, das 8h às 11h, sob coordenação técnica de Luciano Sato.

O agora ex-presidente do clube, Emilio Brumati, reforça que o Projeto Noroestel já trouxe resultados positivos dentro de campo também. O time sub-13 foi campeão no final do ano passado na Copa América, reunindo 10 times em Bauru. Os meninos do sub-15 foram vice-campeões. Neste ano, eles fazem ótima campanha no campeonato da cidade de Bauru, a Copa Big Boys.