Segundona: Com fama de louco, presidente do Manthiqueira ergue taça honrando fair play

“Se ser louco é ser honesto, eu não quero ser normal”, afirmou o dirigente após levantar a taça de campeão

“Se ser louco é ser honesto, eu não quero ser normal”, afirmou o dirigente após levantar a taça de campeão

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Guaratinguetá, SP, 03 (AFI) – A fama de louco não ofende Geraldo Márgelo de Oliveira, presidente do Manthiqueira, mais conhecido como Dado, que realizou um de seus sonhos no último dia 30 de setembro. Aos 56 anos, o ex-militar da Força Aérea, que também é filósofo, viu seu clube conquistar o primeiro título em 12 anos de existência – o da Segunda Divisão do Campeonato Paulista –, honrando o jogo limpo.

“Se ser louco é ser honesto, eu não quero ser normal”, afirmou o dirigente após levantar a taça de campeão.

Mas nenhuma conquista seria possível sem um pouco de ‘loucura’. Nas quartas de final da competição, por exemplo, antes da equipe alcançar o passaporte para o Paulistão A3, Dado apostou numa ideia ousada. Para reverter o placar adverso por 1 a 0, da partida de ida diante do Osvaldo Cruz, o mandatário colocou um zagueiro como centroavante. A aposta funcionou.

Com fama de louco, presidente do Manthiqueira ergue taça honrando fair play

Com fama de louco, presidente do Manthiqueira ergue taça honrando fair play

“Naquela partida, o Dado chegou para mim e pediu para eu colocar o Léo Turbo como centroavante. Eu comprei a ideia e ele fez o gol da classificação. Às vezes, uma ideia que parece louca é tudo o que a gente precisa na hora de uma decisão”, afirmou Luís Felipe, treinador do Manthiqueira.

“PAI DE TODOS”
No elenco, o respeito e a admiração pelo presidente são nítidos. Considerado “pai de todos” no Manthiqueira, Dado instiga em seus atletas a paixão pela camisa alaranjada. Inclusive, os jogadores dedicaram o caneco do torneio ao ex-militar.

“As pessoas acham que o Dado é louco, mas ele não é. É muito inteligente. Ele sempre correu muito para dar tudo de melhor para nós. E foi por ele que corremos tanto, por amor a essa camisa”, contou o meio-campista Dener. “Dado é como um pai para a gente. Desde o início, quando chegamos no Manthiqueira, ele sempre nos deu força, nos apoiou. Passamos por muita coisa aqui. Ele mereceu muito esse acesso e esse título”, acrescentou

A FAMA
Tudo começou em 2005, quando o projeto de montar um time de futebol finalmente saiu do papel. Da evolução de uma escolinha do São Caetano para categorias de base, o Manthiqueira se tornou uma equipe, com escudo, hino e a filosofia do fair play. Curiosamente, todos os conceitos pregados pelo time haviam sido escritos pelo mandatário em sua obra literária, “Jogo Sério”, alguns anos antes.

“Eu sempre fui um amante do futebol e um admirador do fair play. Desde o início minha ideia era montar uma equipe que jogasse bonito, assim como a seleção holandesa de 1970, o Carrossel Holandês, e fizesse tudo honestamente dentro de campo”, revelou o presidente. “Foi assim que a minha fama de louco começou. As pessoas me perguntavam como eu queria ganhar alguma coisa sem malandragem, mas eu sempre soube que era possível”, acrescentou.

Mesmo que de um lado ele enfrentasse a falta de dinheiro e a desconfiança, do outro existia a persistência. E ela funcionou. Em pouco mais de uma década, o Manthiqueira sagrou-se campeão, mantendo sua filosofia e perpetuando um legado. “Quando a gente acredita em alguma coisa com todo o coração, não importa o que as pessoas falem. Tudo é possível”, finalizou.

Livia Camillo, especial para a FPF