São Paulo vive uma crise dos infernos e só falta um abraço no diabo

O DNA da crise barraqueira veio no propósito continuísta de Juvenal Juvêncio. Pensou que o São Paulo fosse um território pessoal, como sua fazenda em Santa Rosa do Viterbo

A sede de poder cega os fanáticos, só que ela vem contaminada pela bactéria k que infecciona o ser humano e, às vezes, leva as pessoas à alta celestial

0002050120215 img scaled

“Nós somos o que fazemos repetidas vezes. Portanto, a excelência não é um ato, mas um hábito” A frase é de Aristóteles, filósofo grego, e que se aplica muito bem a qualquer análise que se queira fazer sobre a crise barraqueira do São Paulo, um clube que servia de exemplo para os adeptos da ética, da decência e da dignidade. Só que os erros se repetiram, há algum tempo, a excelência desapareceu, pois deixou de ser um hábito.

O DNA da crise barraqueira veio no propósito continuísta de Juvenal Juvêncio. Pensou que o São Paulo fosse um território pessoal, como sua fazenda em Santa Rosa do Viterbo, onde cria seus cavalos de raça. A sede de poder cega os fanáticos, só que ela vem contaminada pela bactéria k que infecciona o ser humano e, às vezes, leva as pessoas à alta celestial. Naturalmente, não é o caso de Juvenal.

Juvenal Juvêncio, ao centro, fez do São Paulo como seu fosse sua fazenda de criar cavalos

Juvenal Juvêncio, ao centro, fez do São Paulo como seu fosse sua fazenda de criar cavalos

O mais incrível nessa fobia continuísta, Juvêncio se amparou na Constituição Cidadã de Ulisses Guimarães que, no seu artigo 217 não coíbe o continuísmo nos clubes, federações e confederações. O pior é que esse maroto 217 teve o apoio de mediáticos progressistas, que hoje combatem o continuísmo. Mas nenhum desses mediáticos têm coragem de assumir que erraram ao apoiar essa besteira do artigo 217.

Sem poder mexer no estatuto outra vez, Juvenal apoiou Carlos Miguel Aidar. Não se sabe porque fez isso. Talvez quisesse se manter nas sobras do poder, sem o apoio das urnas. Aidar aceitou, mas depois detonou Juvenal. Só que a crise veio, Aidar demitiu Juvenal e o bicho pegou. A crise, também.

Só que Aidar passou a cometer seus pecadilhos administrativos, eles foram se acumulando e o Conselho Deliberativo e Conselho Consultivo se omitiram. Os órgãos fiscalizadores não fizeram nada. Fecharam os olhos. Uma deslavada e comprometedora omissão. Houve aquele caso da namorada de Aidar, que teria recebido comissões em negócios do clube. Aidar não mede as consequências de suas opiniões. Chegou a ofender terceiros quando disse que não compraria Ganso ao Napoli, nem que fosse com o dinheiro da máfia italiana.

Aidar e Juvenal após eleição. Depois começaram as brigas e os pecadilhos de Aidar

Aidar e Juvenal após eleição. Depois começaram as brigas e os pecadilhos de Aidar

O resultado de tudo isso é uma crise difícil de ser dimensionada e resolvida. Como Aidar irá estancá-la e dirigir o clube com eficiência e competência? Há um requerimento de 62 conselheiros que querem a aprovação de uma moção de censura por parte do CD ao presidente Aidar. O presidente do CD sentou em cima do documento. Isso deu força a Aidar e isso aumentou os atritos e as críticas ao atual presidente.

Como construir a paz no Morumbi se a diretoria está contra Aidar? Um dos membros do clã de Laudo Natel exigiu a renúncia do presidente.

Por mais que se queira, será difícil um acordo de paz. O desgaste foi muito grande e esse barraco manchou a história do São Paulo.

Está na hora de surgir alguém para recuperar o clube dessa desmoralização. Aidar terá condições de continuar? Haverá um acordo? Mesmo que volte a paz será uma paz duradoura ou será a paz dos cemitérios? O São Paulo é maior do que esses barraqueiros. Hoje, o clube está como o demônio gosta. Aliás, se por acaso Aidar passar na porta do inferno, poderia dar um abraço no diabo. Afinal, essa é uma crise dos infernos.

P I X U L E C O S

Tirone, à esquerda, e Paulo Nobre: troca de farpas

Tirone, à esquerda, e Paulo Nobre: troca de farpas

1 – A cartolagem verde também adora uma briga. Foi isso que aconteceu nas últimas reuniões do COF do Palmeiras. Paulo Nobre e Arnaldo Tirone se estranharam e não fosse a turma do deixa-disso, sobraria porrada à vontade. Tiveram que tirar Tirone do recinto e levaram-no ao estacionamento para que fosse para casa.

2 – A briga ente Nobre e Tirone começou no banquete do Palmeiras no mês passado. O atual presidente disse que recebeu um clube semifalido. Tirone contratou um monte de pernetas, reafirmou. Num programa de rádio, Tirone respondeu: “Contratei sim, mas Nobre comprou mais do que eu”. Só que, comigo, o Palmeiras ganhou a Copa do Brasil. Nobre torrou milhões e não levantou, até agora, nenhuma taça. Na reunião, um chamou o outro de mentiroso e pau por pouco não comeu.

Pato precisa ser vendido para Timão saldar dívidas

Pato precisa ser vendido para Timão saldar dívidas

3 – Prepare-se, corintiano: os empresários saíram pelo mundo com ordem de vender Felipe, Malcom e Pato, um cara que custou 40 milhões de reais. Não reclame, corintiano. Isso aconteceu no mundo da bola causada pela Lei Pelé, tão a gosto e defendida ferozmente por progressistas de araque, que apoiaram essa besteira para enriquecer os clubes da Europa.

4 – Mais um custo para o futebol: a lei da meia entrada. Ela já funciona, mas agora foi regulamentada. Quarenta por cento dos ingressos devem ser disponibilizados a crianças, jovens, além dos idosos, protegidos pela Lei dos idosos. Quem vai subsidiar os clubes? Para quem não sabe, um jogo tem um custo de 30 a 40%. Agora com essa obrigatoriedade, os clubes receberão menos. Fazer média é legal, mas não existe almoço, nem jantar de graça.