Saiba os motivos da queda inesperada do São Bento
Sorocaba, SP, 20 (AFI) – O Campeonato Paulista de 2007 ficará marcado no Esporte Clube São Bento, como um dos mais “negros” na sua gloriosa história. Foi o segundo e o mais doído rebaixamento do alvi-celeste de Sorocaba para a Série A-2 do Estadual.
O primeiro e não menos vexatório, foi em 1991. E que deve deixar marcas profundas no clube, fundado em 14 de setembro de 1913, por um grupo de operários de uma fábrica de arreios e que neste ano vai completar 94 anos de vida.
Depois de 14 anos de espera, em 2005, Bentão ressurgiu das cinzas, após conquistar os acessos em 2005, mas em 2007 não teve competência para se manter na elite. Um rebaixamento que foi alertado pelo técnico João Abelha em 2006, ano que o treinador tinha salvo o Azulão.
Entre os motivos do fracasso, acima de tudo, um trabalho mal planejado, mal executado, com pessoas, que apesar da boa vontade, estavam em lugares errados.
Pressionada e alegando falta de patrocinadores, cartolas do São Bento apostaram as “fichas” em um técnico sem expressão e experiência, sob a alegação de que com ele (Freddy Rincón), a equipe conseguiria os investidores e e teria um time de alto nível.
Nem uma coisa, nem outra. Com o passar do tempo e dos jogos, o time não conseguiu nem patrocinador forte e pior. Ficou com uma equipe fraca, sem nenhum envolvimento com a cidade. E como informou o próprio presidente João Câncio (foto), um folha de pagamento exageradamente alta, R$ 200 mil mensais.
Histórico do fracasso
Entre agosto a outubro de 2006, a confusão já começava, com o presidente querendo o técnico Marcelo Conte, mas prevalecendo a diretoria, que indicou o colombiano Rincón. Foram ainda mais um mês para o anúncio dos jogadores e foram apresentados 25 atletas, que ainda passariam por “testes”.
Depois da “peneira”, em vários amistosos, sobraram 15 jogadores que passaram uma primeira pré-temporada em Salto de Pirapora. Daí a especulação aumentou e com ela, a vinda de novos jogadores e problemas de liberação.
Mais confusões
O time foi para uma segunda pré-temporada, mas os problemas continuaram. Fornecedor de camisa que vai, que vem, falta de campos para treinar e neste ritmo de bagunça, o Bentão começou a disputar o Paulistão.
Neste meio período, brigas internas tumultuaram ainda mais o clima. Conflitos entre o presidente e o diretor fiscal, Roberto Carlos Felisberto, o Betinho, problemas que envolveram também os diretores Agacir Maister (financeiro), Ary Brandão (jurídico). Assim como a contratação e demissão de dois gerentes de futebol, Eduardo Massariol e Antonio Dias Tabajara.
Time nega fogo
Com bola rolando, o time não mostrava qualidades, e perdeu para o Noroeste e Corinthians, 4 a 2, mas ao invés do técnico, quem acabou pedindo demissão, (e voltando atrás depois), em 21 de janeiro, foi o presidente João Câncio. Três empates, seguidos com América (1×1), Ponte Preta (2×2) e Juventus (1×1), e derrotas por 3 a 0 para Bragantino e São Paulo, deixaram o clima pior.
As vitórias por 2 a 1 contra o Sertãozinho e 2 a 0 contra o Santos, deram uma sobrevida a Rincón, e uma falsa esperança à torcida. Na volta à realidade, novas derrotas, 2 a 1 para o Paulista e um humilhante 6 a 1 em casa para o Marília, que ocasionou a demissão do técnico colombiano, dia 4 de março.
Mais confusão e a “condenação”
Outro atrito se estabeleceu no clube. O presidente anunciou Marcelo Conte como técnico, no domingo (4 de março), mas no mesmo dia outros diretores acertaram com João Abelha. Com isso, Conte dirigiu o time só na derrota para o Santo André (4×3) e Abelha assumiu vencendo o Ituano logo em (2×0). Mas a missão do “salvador da pátria” era árdua.
Grupo desunido
A desunião do grupo de jogadores, fragmentado, apesar das palavras comuns tipo “estamos unidos para tirar o time desta situação”, nos finais das partidas, foi a tônica. Isso ficou exposto claramente com o episódio “Roberto Santos”.
O artilheiro do time no campeonato, com oito gols, foi afastado pela diretoria, a pedido dos jogadores. A alegação era de que ele estaria aparecendo demais na mídia. E o técnico Abelha teve de aceitar esta imposição do grupo, também culpe da fraqueza da diretoria.
O fraco elenco, problemas como a demora inexplicável para a liberação de alguns jogadores, como o uruguaio Esmerode, 40 dias, também prejudicaram. Veio o empate em 3 a 3 com o Rio Claro, mais uma derrota humilhante, 6 a 1 em casa para o Guaratinguetá, outra para o Barueri, 1 a 0, que praticamente condenaram o Bentão à Série A-2.
O time, na base da conversa do técnico Abelha, ainda teve forças para vencer o Rio Branco fora, 3 a 2. Mas vieram no final, as duas últimas chances, onde precisava de duas vitórias milagrosas, contra fortes concorrentes. Mas contra a incompetência e falta de planejamento não há “santo que dê jeito”.
Duas derrotas, 2 a 1 para o São Caetano e 3 a 0 para o Palmeiras, dia 11 de abril, sepultaram o São Bento, de volta à segundona. E com toda a justiça.
Mas apesar dos pesares e do rebaixamento, o São Bento segue vivo, porque tem um patrimônio que nenhum cartola incompetente poderá destituir: sua torcida, que apoiou o time o campeonato inteiro e colocou o clube entre as melhores médias de público.
Ou segundo se comenta em Sorocaba: “A torcida do São Bento não merece os cartolas que o time têm”. Espera-se que a atual diretoria tenha aprendido a lição e para um futuro próximo coloque profissionais para planejarem dentro e principalmente fora de campo o São Bento.





































































































































