'Rússia não está livre do doping', revela Richard Pound, presidente da Wada
O resultado acabou levando parte do esporte e esportistas russos a serem banidos dos Jogos Olímpicos
Diante do comportamento do governo da Rússia em relação aos recentes escândalos de doping no esporte do país, não há como ter garantias de que o time de futebol que disputa a Copa
São Paulo, SP, 04 – Diante do comportamento do governo da Rússia em relação aos recentes escândalos de doping no esporte do país, não há como ter garantias de que o time de futebol que disputa a Copa do Mundo esteja “limpo”. Quem faz o alerta é Richard Pound, o primeiro presidente da Agência Mundial Antidoping (Wada, a sigla em inglês), vice-presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI) e decano do movimento olímpico.
O canadense liderou, em 2015, um ampla investigação sobre o doping na Rússia e concluiu que a prática era até mesmo apoiada pelo Kremlin. Ou seja, pelo governo de Vladimir Putin. O resultado acabou levando parte do esporte e esportistas russos a serem banidos dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.
No centro do escândalo estava o então ministro dos Esportes, Vitaly Mutko, acusado de ser o artífice do sistema de doping. Após as revelações, o presidente russo retirou Mutko da pasta. Mas, desafiando a agência internacional, o colocou como vice-primeiro-ministro.
Em entrevista exclusiva ao Estado, Richard Pound também critica a Fifa e alerta que a entidade não quer exames positivos saindo das partidas da Copa do Mundo. Em resposta, a entidade diz que o dirigente está desinformado, pois, entre janeiro e 13 de junho, 2,7 mil amostras foram coletadas em controles de surpresa – 912 amostras de sangue, das quais 24 foram em competições e o restante fora de jogos. “Não houve caso positivo na caminhada para a Copa do Mundo”, garantiu a Fifa. “E podemos confirmar que a seleção russa foi uma das mais testadas antes da competição”. Eis os principais trechos da conversa.
Diante do doping no esporte russo e seu envolvimento pessoal nas investigações sobre o atletismo, podemos estar certos de que os jogadores atuando na Copa do Mundo estão limpos?
Onde o doping em todos os esportes na Rússia foi provado – e a Rússia se recusa a reconhecer esse fato -, não pode haver garantias de que o time que está jogando a Copa seja limpo.
O vice-primeiro-ministro Vitaly Mutko vai aos jogos e se faz presente. O senhor considera que o governo fez o suficiente para lutar contra o doping desde que o senhor revelou o doping de Estado?
Não. O governo se recusou a reconhecer o sistema estabelecido e ainda se recusa a dar acesso à Wada ao laboratório onde centenas de amostras são mantidas. Isso faz parte de um acordo estabelecido para readmitir a Agência de Controle de Doping Russo dentro do status de “compliance” (da Wada).
Como o senhor avalia a posição da Fifa com o controle de doping?
A Fifa nunca foi uma entusiasta do controle de doping. Jogadores são escolhidos num sorteio. Não há um teste com um alvo. Ele é desenhado para ser ineficiente. Mas você pode ter certeza que não haverá um só resultado positivo de doping durante a Copa na Rússia.
Por quê?
Por ser um evento de US$ 6 bilhões e eles não querem qualquer resultado positivo.
Mas a Fifa alega que fez mais de 2,7 mil testes…
Mas não sabemos em quais circunstâncias esses testes foram realizados. Que tivessem feito 20 mil testes: não significa nada. Os números não importam. O que interessa são as circunstâncias. Como, quando, onde e por quem foram realizados.





































































































































