Rumo ao abismo, Ponte gasta R$ 50 mi e vê dívida com Carnielli superar R$ 100 mi
Conselho aprovou suplementação orçamentária de R$ 13 milhões, que deve ser bancado pelo presidente de honra
A dívida somente com o presidente de honra Sérgio Carnielli, que já chegava a R$ 95 milhões até 2012, deve aumentar com a suplementação orçamentária de R$ 13 milhões aprovada pelo Conselho Deliberativo, na última semana.
Campinas, SP, 08 (AFI) – A atual diretoria da Ponte Preta sempre se gabou de não sofrer com salários atrasados e ações trabalhistas, além de ter negociado as dívidas com a União. A situação, porém, não é a maravilha que aparenta. Se o arquirrival Guarani agoniza com execuções da Justiça Trabalhista e uma dívida que beira os R$ 200 milhões, a Macaca não fica muito atrás. A dívida somente com o presidente de honra Sérgio Carnielli, que já chegava a R$ 95 milhões até 2012, deve aumentar com a suplementação orçamentária de R$ 13 milhões aprovada pelo Conselho Deliberativo, na última semana.
Quando Carnielli vai cobrar a conta?O valor garantirá que o clube não feche a temporada ainda mais no vermelho. Isso mesmo com a previsão orçamentária estratosférica para os padrões da Ponte, que foi de R$ 39,7 milhões. Considerado o maior da história de 113 anos, o investimento de quase R$ 40 milhões (antes do novo aporte de R$ 13 milhões) teria como destino a montagem de um time para brigar pelos títulos paulistas e da Sul-Americana, além de garantir a permanência no Brasileirão. Pelo menos o primeiro objetivo já não fora conquistado.
A diretoria alvinegra não revela publicamente a origem da tal suplementação. No entanto, tudo indica que mais uma vez a quantia seja advinda de um empréstimo de Sérgio Carnielli. Antes do retorno à elite, o ex-presidente sempre “bancou” grande parte dos investimentos do clube. Em 2012, por exemplo, mesmo com as cotas do Brasileirão, ele já tivera de emprestar cerca de R$ 12 milhões para o clube fechar a conta ao final do ano.
Desta vez, porém, o novo empréstimo traz muitos questionamentos de alguns conselheiros e oposição. Afinal, em 2012, o orçamento do clube foi de apenas R$ 23 milhões, menos da metade do que será gasto em 2013. No passado, mesmo com um valor bem inferior, o clube conseguiu se manter na elite. Neste ano, mesmo gastando mais de R$ 50 milhões a Série B parece um destino quase certo.
E Della Volpe ainda acha que a gestão é um sucesso
Como não é má gestão?
O presidente Márcio Della Volpe acredita que a necessidade de um novo aporte financeiro não é culpa de má gestão dos recursos financeiros. “Não significa que a situação financeira se descontrolou. O futebol está inflacionado, com salários além do que era previsto”, argumentou.
As justificativas do cartola, entretanto, não conferem com o discurso adotado na montagem do elenco do Brasileirão. Afinal, a Ponte contratou um caminhão de “refugos” para disputar uma elite nacional, sempre justificando que não poderia comprometer o orçamento e não que fugiria do teto salarial, inferior a R$ 100 mil.
No atual elenco, o único jogador que ganha um valor acima do teto é o meia Ramirez. Ainda assim, os vencimentos do jogador nem são pagos pelo clube campineiro. Detentor dos direitos do peruano, o Corinthians arca com os salários para pagar a compra do lateral-direito Guilherme Andrade, que estava avaliado em R$ 1 milhão quando saiu da Ponte.
Onde foi parar?
O que intriga é onde foram parar os mais de R$ 50 milhões do orçamento de 2013. Até porque o elenco alvinegro não conta com grandes craques, com salários astronômicos. Haja vista, que o time disputa um dos nacionais mais fortes do mundo, com jogadores do quilate dos zagueiros César e Betão, os volantes Magal, Paulo Roberto e Fernando, os meias Rafinha e Brian Sarmiento, e o atacante Dennis, que têm ou tinham salários bem abaixo do valor de mercado. Três deles, inclusive, foram liberados há algumas semanas – Paulo Roberto e Rafinha rescindiram e acertaram com Figueirense e Guaratinguetá, enquanto Dennis foi emprestado ao Paysandu.
Onde foi parar dinheiro de Cléber, Cicinho, Luan?Neste ano, a Ponte viu entrar em seus cofres cifras que nunca recebeu em sua história. A principal é a cota de TV de quase R$ 30 milhões recebidas pela disputa do Brasileirão. Além disso, recebeu quase R$ 3 milhões entre cotas e premiações do Paulistão, além de quase R$ 1 milhão em premiação com a Copa do Brasil. Isso sem contar com a Sul-Americana.
Não bastasse isso, o clube admitiu ter fechado o maior contrato de patricínio de sua história com a Hitachi – cujos valores não foram anunciados. E ainda arrecada quase R$ 300 mil mensais com seu programa de sócio-torcedor, que conta com quase 7 mil integrantes e é uma referência entre clubes médios e pequenos.
Ainda há outros questionamentos. A diretoria sempre alegou não ter dinheiro para contratar jogadores de peso. No entanto, no início do ano, o clube negociou 40% dos direitos econômicos do atacante Luan ao Atlético-MG por mais de R$ 2 milhões. Já após o Paulistão recebeu mais de um terço pelos mais de R$ 10 milhões das negociações do zagueiro Cléber e do lateral Cicinho. E ainda assim Carnielli precisou emprestar dinheiro.





































































































































