Rui Rei foi "usado" por Vicente Matheus

Rui Rei foi "usado" por Vicente Matheus

Campinas, SP, 19 (AFI) – Na decisão do Campeonato Paulista de 1977, não havia a menor possibilidade de intrusos se aproximarem dos jogadores da Ponte Preta. O elenco todo, assim como, comissão técnica e departamento médico, ficaram “escondidos” em um clube de campo na cidade de Atibaia.

A preocupação desse esconderijo todo se deu depois que, no EStádio Moisés Lucarelli, chegou notícia de que o Corinthians estaria disposto a “engavetar” algum jogador da Ponte. Assim, até familiares mais próximos daqueles que estavam lá foram impedidos de entrar no clube de campo que pertencia a um grande banco.

Todos os movimentos dos jogadores, que nada sabiam, eram observados e policiados. Nem mesmo ligações telefônicas eles podiam receber. Aliás, somente o presidente e seus asseclas tinham permissão de entrar no “esconderijo”. Todo cuidado era pouco, afinal, dinheiro grande ninguém resiste.

No jogo, logo no início, o atacante Rui Rei, foi expulso. Como já havia corrido na cidade o boato que o Corinthians havia comprado um jogador da Ponte, e após a expulsão, ninguém mais duvidou: o Rui Rei foi o “Judas” que se vendeu por trinta moedas.

Saída mexicana
Na segunda-feira, quando o assunto começou a tomar proporções ainda maiores, a Ponte recebeu uma proposta de 300 mil dólares de um time mexicano interessado na contratação de Rui Rei. Imediatamente os diretores se reuniram e pediram ao jogador que aceitasse a proposta. Ele recusou.

“Quero provar que não sou o vendilhão que todos estão falando”, afirmou Rui Rei. Vou ficar na Ponte e mostrar que sou homem, que não sou e não serei traidor, continuou o atleta. Logo que saiu na calçada, deparou-se com duas moças funcionárias da SEARS REBOUK que, sem a menor cerimônia, xingaram o craque.

Perto dele, um amigo e diretor da Ponte, ainda tentou demovê-lo mais uma vez:

“Rui, aceite a proposta do México. Vai embora que a situação ainda vai ficar pior.”

Mais uma vez o jogador se encheu de brio e disse que não:

“Eu vou mostrar que eu sou honesto”.

Juiz levou à sério o conselho
O que na verdade aconteceu, segundo consta, é que o árbitro, Dulcidio Vanderlei Boschila, daqueles que não admitia ser admoestado por diretores e jogadores, foi muito bem trabalhado por Vicente Matheus que lhe teria dito:

“Olha, Dulcidio, o Rui Rei é dos tais jogadores que costuma apitar o jogo e, muitas vezes, joga o juiz contra a torcida. Não deixe esse cara montar a cavalo em você”.

Dito e feito. Aos doze minutos, Rui Rei, como era de seu costume, chamou a atenção do juiz que, incontinenti, o expulsou de campo. Parte da crônica esportiva de Campinas e parte da torcida que estava no Morumbi, desceu a lenha no jogador ali mesmo, não aceitando sua expulsão.

Matheus ficou arrependido
Algum tempo depois, o presidente corinthiano Vicente Matheus, movido pelo arrependimento por ter, “praticamente, encerrado a carreira” do inocente atacante, para tentar reparar o erro e consertar a situação, levou o jovem jogador para o Parque São Jorge. Com este gesto, que era para ser entendido como louvável, Vicente Matheus, botou mais lenha na fogueira.

“Ninguém compra jogador vendilhão”, diziam os torcedores, tanto do Corinthians como da própria Ponte Preta..

Por fim, o que aconteceu?

Rui Rei ficou com a pecha maior de ter sido “engavetado” pelo Corinthians.

O árbitro não foi questionado porque sua arbitragem foi considerada “acima de qualquer suspeita”.

À Ponte, coube a perda do campeonato e a perda de um bom dinheiro pela venda certa de Rui Rei para o futebol mexicano.

Igual o caso de Jean?
Será que, agora, no caso Jean, o fato não esteja se repetindo, em circunstâncias diferenciadas? Desta forma, meus amigos, em casos dessa natureza, ou parecidos, o melhor que fazemos em ouvir ou ler as matérias, é dar um passo para trás, ficar em silêncio e analisar a notícia. Quem está tão interessado no assunto? Quem vai se beneficiar dele, ou, quem mais vai ser prejudicado? Eu estou à distância esperando maiores desfechos.

Porém, estou certo, que o grande perdedor com isso tudo é, sem sombra de dúvidas, o nosso glorioso futebol, que, a cada dia, pelo mau comportamento de seus dirigentes, fica menos honesto, mais distante da torcida, mais desacreditado, mais falido e cada vez mais sem graça. É uma pena.