Roberval relembra carreira e fala dos "craques" que revelou

Campinas, SP, 16 (AFI) – A humanidade corre e correrá sempre atrás da resposta à seguinte pergunta: qual o segredo do sucesso? No futebol, a busca não é maior, nem menor. Afinal, o que é ser bem sucedido no esporte? Ganhar títulos? Trabalhar em grandes equipes? Ser respeitado? A pergunta segue sem resposta definitiva, mas, quando se fala em Roberval Davino, não se pode descartar nenhuma das alternativas anteriores.

Confira:
Onde Anda: Seleção Brasileira, campeã mundial em 1994

“Não tenho o que reclamar da minha carreira. Tenho o respeito de muitos e reconhecimento por onde passo”, garantiu o atual treinador do Brasiliense, em conversa com o Portal Futebol Interior. Roberval lembrou momentos de seus 32 anos de carreira e falou, principalmente, dos jogadores que revelou para o futebol.

Desde seu primeiro trabalho como técnico, em 77, pela Equipe Universitária de Alagoas, o alagoano de 52 anos aguçou o faro de descobridor de talentos. “Revelei jogadores que fazem sucesso hoje no Santos, no Guarani, no Cruzeiro e no Atlético-MG”, revelou Davino. Nomes à lista não faltam: Marquinhos Paraná (Cruzeiro), Jadílson e Souza (Grêmio), Chicão (Corinthians), Márcio Araújo e Serginho (Atlético-MG), além de Maranhão (Guarani).

“Mas não acaba por aí não. Trabalhei com jogadores que hoje são técnicos, como o Sérgio Guedes (comandante do Santo André) e o Jorginho (efetivado nesta quinta-feira como técnico do Palmeiras)”, lembrou o treinador.

Propostas dos grandes
Roberval Davino nunca dirigiu um dos 12 grandes clubes do futebol brasileiro, mas não foi por falta de propostas. Ao Portal FI, o treinador confidenciou que recebeu propostas para dirigir os times B de Palmeiras e Corinthians, além de ser muito elogiado pelos dirigentes do São Paulo.

“Eu quase trabalhei no time B do Corinthians. O diretor que conversou comigo me disse que, assim que o treinador de cima saísse, eu assumiria o lugar. Mas acabei não indo”, disse Roberval, que ocuparia o lugar que já foi de Márcio Bittencourt e Ademar Braga, entre 2005 e 2006.

O Palmeiras também chegou a procurá-lo, graças à indicação de Jorginho. “Por ter sido meu atleta, ele me indicou, mas também não trabalhei lá”, explicou o comandante, que também guarda elogios de cartolas são-paulinos. “O doutor Marco Aurélio Cunha já me disse que eu era o treinador do futuro, um novo Cilinho”, disse Roberval, lembrando o treinador campeão paulista pelo São Pauloo em 85 e famoso por revelar jogadores.

Injustiçado?
Roberval Davino não gosta da palavra injustiçado. O treinador acredita ser realizado na profissão e que, após mais de 30 anos de carreira, tem muitos feitos para contar. “Não sou injustiçado. Trabalhei em mais de 30 equipes e não me arrependo. Revelei muitos jogadores e os treinadores de sucesso me respeitam”.

O comandante do Brasiliense acredita, porém, que poderia ter feito mais sucesso se fosse adepto do marketing ou pegasse equipes mais bem estruturadas, principalmente fora de campo.

“Tenho um jeito quieto de ser, mas os jogadores me respeitam. Já disputei várias vezes a primeira divisão do Campeonato Paulista, mas quase sempre com condições ruins de trabalho. Se tivesse mais marketing, poderia ter sido diferente. Mas repito: não me arrependo de nada”, garantiu Roberval, que aproveitou para exaltar o que considera os seus melhores trabalhos.

“Quando tive tempo, fiz bons trabalhos. Fiquei 1 ano e meio no Juventude, e revelei o Fernando (volante, que passou pela Seleção Brasileira) e o Michel (atacante, que defendeu o Internacional). No Mirassol, fiquei oito meses e montei o time que fez boa campanha no Paulistão”, disse.

Títulos também fizeram parte da carreira de Roberval Davino, entre os quais o Campeonato Goiano (93, pelo Vila Nova), o Campeonato Alagoano (96, pelo CSA), o Campeonato Catarinense (2001, pelo Figueirense) e o Campeonato Candango (2009, peloo Brasiliense). Mas não é apenas isso que faz o treinador bem sucedido.

Respeitado por pessoas do meio do futebol, Roberval Davino, mesmo sem querer, deu ao menos uma resposta à pergunta do início da matéria. “Não tenho o que reclamar. Tenho o respeito e o reconhecimento de todos dentro do futebol”. Isso, de fato, não se discute.