René Simões explicita modelo de jogo do futebol francês após tour pela Europa
Algumas das ideias explicitadas pelo brasileiro são aplicadas por Jorge Sampaoli no Santos
Algumas das ideias explicitadas pelo brasileiro são aplicadas por Jorge Sampaoli no Santos
Campinas, SP, 25 (AFI) – Prezado amigo e leitor do Portal Futebol Interior..
No último domingo, terminei nove dias de imersão no futebol francês. Fomos ao Centro de Treinamento saber como fazem a formação da seleção.
Começam aos 13 anos, com atividade orientada em Clairefontainne. Aos 16, qualquer clube pode levar os jogadores. Basta acertar com as famílias e o atleta. Eles só voltam se forem convocados.
Existem 13 centros em toda França, cujo objetivo é formar ótimos jogadores e enviá-los aos clubes, os quais também trabalham a formação na base.
Os meninos começam aos sete anos e vão ate os 14 sem serem alojados. Os centros também servem para formação e capacitação dos treinadores. Os profissionais passam por quatro níveis até chegarem ao Pro.
Somente oito treinadores por ano podem fazer o este curso. Ser técnico da Seleção Francesa, aliás, exige todos os diplomas e experiência. A Federação cuida de todas as categorias de clubes amadores. Sim, amadores!
Todos são mapeados e recebem orientação de um programa chamado ‘My Coach”. Os times profissionais são empresas. Entretanto, somente o estádio do Lyon é próprio – os outros são dos governos de vários níveis.
O futebol de alto nível:
1) Jogado em altíssima intensidade
2) Goleiro tem de saber jogar para ampliar o campo de jogo e variar a saída de bola
3) Zagueiros devem ser construtores e saber o que é uma bola descoberta ou coberta e decidir sua movimentação
4) Bom passe é fundamental. A teoria do zagueiro ‘ter que zagueirar’ já é passado
5) Acabou o ‘cabeça de área’ ou ‘volante marcador’ – todos jogam com e sem a bola, aproveitam os espaços criados pelos meias, enquanto atacantes penetram e finalizam.
6) Os meias precisam ser polivalentes, sem possibilidades de serem fazendeiros, ou seja, um pedaço de terra e parado ali
7) Mobilidade total com a bola: é preciso criar o caos e, sem a pelota, acabar com os espaços e possibilidades de passes para quem tem a posse
8) Os passes são com força, não há toquinhos lentos, tudo é forte e rápido. Espaços precisam ser conquistados e, para isso, é preciso ocupar todos eles
9) Os atacantes de centro ou beirada precisam dar profundidade Quando isso não acontece, o time tem posse de bola e não é efetivo na hora de finalizar
10) Por último, os laterais: são peças fundamentais nos diferentes jogos. Ora ficam mais fixos na linha de quatro atrás, ora compõem a linha de quatro no meio, ora integram a linha de três ou quatro na frente. Precisam saber jogar por dentro e por fora.
As marcações variam muito em função do adversário e qualidade do time. O PSG não muda: fora ou dentro está sempre na bola coberta com marcação lá em cima.
Não há simulação do goleiro caindo, jogadores rolando no chão. Nao vi tentativa de olé. Vi sede de fazer mais.
Não temos nada disso no Brasil? Não diria isso, mas toda essa cultura de ‘perdeu três tá fora’ deixa o jogo mais conservador e cuidadoso.
Avançar a marcação significa correr o risco de contra-ataques. O risco faz parte e tem que existir para a beleza do mesmo. Se as derrotas, ao invés de gerar aprendizado geram demissão, tem que ser evitadas de todas as formas e o jogo fica sem brilho.
Alex Ferguson só ficou 26 anos no Manchester United porque não o mandaram, embora nos quatro primeiros anos foi de fracasso total.
Guardiola não se classifica à final de Champions League desde os dois últimos anos de Barcelona. São três anos Bayern de Munique e dois de Manchester City. Algum treinador resistiria no Brasil?
Eles são clubes empresas. O dono não depende de votos para ficar no cargo e toma as decisões como executivos analisando números e possibilidades futuras.
Enfim, uma grande experiência profissional. Volto ao Brasil com mais conhecimento e determinação em fazer melhor do que já fiz.
Estou em Orlando para uma visita de pesquisa sobre o que se faz aqui na América.
Os estádios andam cheios. Por que será?
França, adeus e obrigado pelos ensinamentos.
Renê Simões, técnico de futebol





































































































































