René Simões exalta rendimento do Paris Saint Germain em vitória frente o Real Madrid

Treinador de 66 anos participa de duas semanas de estudos em tour pela França

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Campinas, SP, 19 (AFI) – Prezado amigo e leitor do Portal Futebol Interior

Voltei ao hotel logo após o jogo do Paris Saint-Germain contra o poderoso Real Madrid.

Era previsível que o Real, sem Sérgio Ramos e Modric, não fosse tão poderoso como sempre. Mas e o PSG?

Afinal, não estariam em campo Neymar, Cavanni e Mbappé. Então, o que seria deste time?

Ao chegarmos no hotel, depois da partida, não quis beber nada além de água. Estava em alta adrenalina e preocupado que fiquei com medo de que qualquer coisa além de água fosse excesso.

Fui ao quarto e o cansaço era grande. O dia havia sido exaustivo, de lugares visitados e quantidade de informações recebidas para um hardware de 66 anos.

Esperava desmaiar ao deitar em minha cama. Que nada! A cabeça girava a mil.

René Simões participa de curso de futebol na França

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Desculpe-me outra vez, mas o que fizemos com o futebol brasileiro e para onde vamos?

Que planos temos para saber o que será do nosso esporte tão amado no Brasil daqui a cinco ou dez anos?

Ontem, o que vimos do PSG foi uma aula do futebol moderno.

Havia egoísmo exacerbado dos jogadores do time. Foram intransigentes na negociação do espaço com o Real. Ao Real, nada, ocupação total, aqui é minha casa e tudo é meu: a bola, o drible, o passe perfeito, as triangulações e a obsessão pelo gol.

Os zagueiros não dão chutão para o mato porque é jogo de campeonato; os locutores não alardeiam que o zagueiro jogou sério porque despachou a bola para o campo do adversário; a torcida não aplaude quem faz falta desnecessária/ não há espaço para atletas ficarem caídos no chão fazendo cera; nenhum goleiro foi atendido durante o jogo, nem perdedor ou vencedor.

Os beques são tão construtores e iniciadores do jogo como os homens de meio-campo. Um a zero, dois ou três não fizeram o PSG diminuir o ritmo e a intensidade. O torcedor não pagou para ver 60 ou 70 minutos da partida. Ele pagou para um espetáculo de 90 minutos regulamentares e mais os acréscimos. Relação de honestidade com o seu cliente.

Enfim, com reiterado votos de desculpas e perdão, tinha de manifestar minha preocupação com um futebol pentacampeão que se preocupa em matar o tempo e é neurótico pelos três pontos. Pobre espetáculo!

Jamais imaginei ter uma aula de futebol de um senegalês. O segundo volante do PSG é onipresente e com técnica sul americana incrível, no melhor estilo de Carlinhos de Jesus. Desfilou bailando e acertou 95% dos passes durante o jogo.

Neste momento, sonho e, com humildade, desejo somente igualdade. Não imagine que eu queira ser europeu. Jamais! Quero os conceitos do jogo moderno com a ginga e autoridade de outrora.

Que espetáculo maravilhoso fui agraciado em assistir in loco e em choque.

Acorda, Brasil! Podemos – e devemos – voltar a ser os melhores, mas precisamos desconstruir para reconstruir o que de mais moderno existe.

Renê Simões, técnico de futebol