Renato Gaúcho faz do limão uma boa limonada nesse time do Grêmio
Treinador compactou equipe e a organizou em todos os compartimentos
Renato Gaúcho faz do limão uma boa limonada nesse time do Grêmio
Raciocinem coerentemente quem joga nesse time do Grêmio portoalegrense, que chegou a mais uma final de Libertadores da América, mesmo com derrota por 1 a 0 para o Barcelona de Guiayaquil, na noite desta quarta-feira, na Arena do Grêmio.
Claro que você vai citar o talentoso Luan, que, bem marcado, esteve apagado em campo nesse jogo.
Vai pensando aí quem participa desse time gremista.

Edilson é um lateral-direito técnico, pega bem na bola, tem experiência para a marcação, mas não cobre dele velocidade pra fazer jogada de fundo.
Cortez, ex-são-paulino, aprendeu a ter o tempo de bola para marcação, mas já não mostra aquele vigor de outrora para arrancadas.
O que dizer do meia Cícero, que andou de lá pra cá em clubes, sem que fosse notado ultimamente?
O rodado Fernandinho, atacante de beirada?
Jogador sujeito a chuvas e trovoadas. Um dia faz ‘miséria’ em campo, no outro é anulado com incrível facilidade.
Por que esse preâmbulo? Pra citar que nas mãos de um treinador apenas razoável esse time gremista sequer seria candidato a título de uma Sul-Americana, que dirá na Libertadores.
RENATO GAÚCHO
O responsável pela transformação de um grupo nominalmente razoável em eficiente chama-se Renato Gaúcho, o comandante.
Como foi uma baita craque no passado, de certo repreende jogadores que se desfazem da bola inutilmente. Condiciona o seu time a valorizá-la mesmo com marcação alta do adversário.
O time do Grêmio é tão compactado entre as suas linhas que de certo Renato abusa do chamado treino dois toques em gramado reduzido.
Assim as jogadas fluem até as imediações da área adversária. Depois a equipe fica na dependência da criatividade de alguém para o arremate.
Quando o adversário oferece brecha e Luan está inspirado, as coisas acontecem.
Sem atacante de estatura e cabeceador contra o Barcelona, sabiamente Renato trabalhou bola no chão quando o seu time se aproximava da área adversária.
Até nos escanteios, antes de a bola ser levantada, havia troca de passes entre jogadores gremistas, com proposta de confundir a marcação dos equatorianos.
Tem-se que realçar a qualidade do trabalho de Renato Gaúcho porque do limão ele mostra à treinadorzada ‘meia boca’ como é possível fazer uma boa limonada.
Taticamente trabalha os volantes pra transição com a bola e assim se incorporarem a meias e atacantes. Assim, com naturalidade pode ser visto seu time atacar com cinco e até seis jogadores, sem que haja prejuízo para se defender. A capacidade de recomposição de seu time é exemplar.
A maneira como a boleirada do Grêmio se preocupa em desarmar jogadas evitando faltas faz lembrar treinadores do passado que se descabelavam quando seus atletas picotavam o jogo derrubando adversários.
MARCOS CAICEDO
Ora, se o Grêmio é tudo isso, então por que perdeu o jogo?
Primeiro porque não enfrentou um adversário qualquer. O Barcelona de Guayaquil sabe se defender e trabalha bem a bola já no campo de ataque.
Inteligentemente o seu treinador Guilhermo Almada procurou concentrar a maioria das jogadas ofensivas no talentoso Marcos Caicedo, jogador de beirada de campo que lembra, no estilo, o habilidosíssimo Edu Jonas, ex-ponteiro-esquerdo do Santos dos anos 60 e 70, que o saudoso narrador de futebol Fiori Gigliotti dizia, em seus bordões, ‘o moço que veio de Jaú’.
Como Edu, Caicedo tem a facilidade para conduzir a bola grudada ao pé, inesperadamente dar o breque, e, incontinente, mostrar explosão no sentido vertical da jogada.
Enquanto teve pernas até a metade do segundo tempo, ele obrigou dupla marcação dos gremistas. Foi dele o início da jogada do gol vitorioso dos equatorianos.





































































































































