Quem cobra o VAR? Entrada de Pulgar no Fla-Flu expõe a cobrança por critérios e respostas

Avaliação de ex-árbitros sobre lance em Castillo amplia o debate sobre intervenções do vídeo

Quais situações exigem intervenção, quem mantém a decisão final e como a arbitragem deve explicar ao público os critérios?

Foto ilustrativa

Rio de Janeiro, RJ, 12 (AFI) – O lance aconteceu em segundos. A discussão continua depois do apito final. A entrada de Erick Pulgar em Rodrigo Castillo no primeiro tempo do Fla-Flu, vencido pelo Flamengo por 1 a 0, voltou a colocar a arbitragem no centro do noticiário. O volante recebeu cartão amarelo, enquanto ex-árbitros avaliaram que a jogada exigia expulsão. A divergência torna necessária uma explicação sobre a decisão tomada em campo e a atuação do VAR.

Pulgar atingiu a região do joelho do atacante, que sofreu um corte. Na avaliação de Paulo César de Oliveira, a entrada deveria ter resultado em cartão vermelho. Renata Ruel, Sálvio Spinola e Manoel Serapião também reuniu seis ex-árbitros que defenderam a expulsão.

Esse conjunto de opiniões constitui uma crítica técnica relevante. Não prova, porém, intenção de favorecer um clube. Tampouco permite afirmar qual seria o resultado da partida com um jogador a menos. O que pode ser discutido com base no lance é a aplicação da regra e o funcionamento do protocolo.

O que a regra determina

As regras da International Football Association Board estabelecem que uma disputa de bola com força excessiva ou que coloque em risco a segurança do adversário deve ser punida como jogo brusco grave, com expulsão.

Por isso, a análise não depende apenas de o jogador ter procurado a bola ou de declarar que não pretendia machucar. Altura do contato, intensidade e risco para o adversário são aspectos importantes na avaliação. Também não é necessário que a vítima sofra uma lesão grave para que a jogada mereça cartão vermelho.

O VAR pode intervir em situações de potencial expulsão direta, mesmo quando o árbitro mostrou amarelo inicialmente. A decisão final permanece com o responsável pela partida. Em avaliações subjetivas, a revisão no monitor integra o procedimento previsto para que o árbitro examine as imagens.

Checar não é o mesmo que chamar ao monitor

A ausência de uma revisão à beira do campo não demonstra, por si só, que o vídeo ignorou um lance. Uma situação pode ser checada sem que a equipe recomende a alteração da decisão. Essa diferença é importante para evitar que a crítica parta de uma conclusão que as imagens da transmissão não permitem sustentar.

Ao mesmo tempo, dizer apenas que houve checagem não explica o mérito da decisão. O público precisa compreender por que determinado contato foi considerado compatível com amarelo e por que não atingiu o patamar necessário para uma intervenção.

A resposta precisa tratar do lance

Uma explicação útil apresentaria os elementos avaliados: o ponto de contato, a intensidade, a posição do pé e a interpretação sobre o risco à segurança de Castillo. O áudio da comunicação, acompanhado de uma análise técnica, pode ajudar a esclarecer o procedimento.

A responsabilidade da CBF, como organizadora, inclui enfrentar essa cobrança por critérios compreensíveis. Também cabe avaliar o desempenho de árbitros e equipes de vídeo de maneira consistente, evitando que a repercussão de um clube determine o tamanho da resposta.

O futebol continuará tendo decisões discutíveis. O VAR não elimina toda interpretação. Mas a existência dessa margem aumenta a obrigação de explicar as escolhas.

No caso do Fla-Flu, a pergunta que merece resposta é objetiva: quais elementos fizeram uma entrada considerada expulsão por diferentes especialistas permanecer como cartão amarelo?