Quando a Ponte consegue se organizar em campo, não conta com o ‘matador’

Time pontepretano fica no empate sem gols com o Coritiba

Quando a Ponte consegue se organizar em campo, não conta com o ‘matador’

Quando a Ponte Preta resolve colocar em prática um sistema que implica em volume de jogo e assédio à meta do adversário – caso do Coritiba durante quase todo primeiro tempo -, cai em contradição pela falta do homem-gol, do centroavante familiarizado com esse troço.

De que adianta criar chances para conclusões do lateral-direito Igor Vinícius duas vezes, se as finalizações não são precisas?

Se o atacante André Luís não tem cacoete de cabeceador, é natural que em cabeçada recue a bola para o goleiro. Se o treinador interino João Brigatti insiste com Danilo Barcelos, ‘paga’ pra ver o jogador adentrar a área adversária em condições de marcar o gol, mas simplesmente ‘tropica’ na bola e cai.

Não se faz planejamento para disputar campeonato sem que se tenha o camisa nove que empurre a bola pra dentro do gol. A Ponte paga alto preço por desconsiderar esse aspecto preponderante.

Assim, desperdiçando chances reais, notadamente durante o primeiro tempo em que foi superior, não pode lamentar o empate sem gol na noite deste sábado no Estádio Couto Pereira, na capital paranaense.

JOÃO VITOR

Tem-se que reconhecer que o formato tático adotado por Brigatti surpreendeu o seu adversário Eduardo Baptista.

Ao dar liberdade aos volantes João Vitor e Paulinho para que avançassem e fossem participativos nas descidas dos laterais, a Ponte ganhou em volume de jogo pelas beiradas do campo, principalmente do lado direito, com triangulações que envolveram a marcação coritibana.

Apesar da presença decorativa de Barcelos pelo lado esquerdo, o lateral Ruam atacou bastante na primeira fase, sem tomar bola nas costas.

BAPTISTA MEXEU BEM

Se inicialmente o treinador do Coritiba Eduardo Baptista não soube dar configuração à sua equipe, e tomou nó tático de Brigatti, pelo menos acordou no intervalo.

É sabido que o polivalente Chiquinho – ex-Ponte – não só guarneceria a lateral-esquerda no lugar do inoperante Willian Matheus, como poderia atacar e coadjuvar Nathan, que entrou no time coritibano por aquele setor ofensivo.

Pronto. Baptista matou a saída de bola da Ponte pelo lado direito, e nos pés de Chiquinho a sua equipe teve chance real de ‘matar o jogo’ quase no final da partida, mas o goleiro pontepretano Ivan praticou defesa difícil em chute cruzado.

Era natural que Paulinho e João Vitor não teriam o mesmo ‘gás’ para se adiantarem, visando o abastecimento ofensivo no segundo tempo.

Com isso a Ponte ficou mais resguardada e o Coritiba teve mais controle de bola, ocasião em que Brigatti não detectou a necessidade de duas providenciais alterações logo no início do segundo tempo.

BARCELOS

Primeiro a saída de Barcelos – que nem deveria ter começado – para a entrada de Felipe Saraiva.

Pois apenas aos 30 minutos o treinador criou coragem para sacar Barcelos, mas errou ao colocar o centroavante Neto Costa.

Àquela altura a Ponte já não atacava com frequência, e bolas já não eram cruzadas à área adversária.

Poderia ter sacado, igualmente, Júnior Santos, que, na tentativa de prender demasiadamente a bola, era dominado e provocava contra-ataques ao adversário.

O ideal, nessa circunstância, seria a opção por um jogador com capacidade de prender a bola no ataque. Quem?

EDUARDO BAPTISTA

De qualquer forma, pelas limitações do time pontepretano, tem-se que enaltecer a valentia dos jogadores que foram extremamente competitivos.

Quanto ao treinador Eduardo Baptista, o passar do tempo mostra que ainda está longe de organizar adequadamente equipes que dirige.

Prova está que foi surpreendido pelo discípulo Brigatti, e demorou pra acordar. E se fosse tarde?