Profissionalização da Arbitragem recebe apoio geral. Veja!

Rio de Janeiro, RJ, 18 (AFI) – Foi dada a largada para a discussão da tão comentada “Profissionalização da Arbitragem”. Em suas declarações, o presidente da Comissão de Árbitros, Sérgio Corrêa (foto à esquerda), oriundo do seio da arbitragem e profundo conhecedor das necessidades da categoria em particular e do futebol como um todo, tem recebido apoio geral para suas iniciativas, cuja profundidade nunca foi abordada neste País. Passa pela deficiência clara na formação, caminha pelo aprimoramento teórico e, principalmente, prático e avança claramente nas exigências a profissionais de um segmento tratado de forma amadora.

Recentemente, foi sugerida uma comissão para tratar do assunto, sendo que os nomes de Carlos Eugênio Simon-RS, Evandro Rogério Roman-PR, Sálvio Spínola Fagundes Filho-SP, Mílton Otaviano-RN e Carlos Berckembrock-SC, Erick Bandeira-PE, além de mais um a ser indicado pela Associação Nacional dos Árbitros de Futebol, serão os responsáveis para, no prazo de 90 dias, apresentarem um projeto à Comissão. A entidade e os seus associados também devem estudar e apresentar as sugestões.

Com o irrestrito apoio demonstrado pelo presidente da CBF, Ricardo Teixeira, a comunidade esportiva renovou as esperanças de caminhar a passos largos para a profissionalização e, nas entrevistas, o presidente da Comissão afirma categoricamente que, antes, os árbitros devem cumprir com seus deveres para, depois, com os resultados alcançados, possam reivindicar os merecidos benefícios que a função merece.

Os investimentos!
Outro ponto importante é o elevado investimento dos clubes de futebol, que gira em torno de milhões de reais em patrocínios, por intermédio dos direitos de arenas, das vendas de camisas, placas de publicidades, cessão de craques para o exterior, etc. A cobrança feita é que os clubes, antes de fecharem os contratos milionários, exijam um percentual para ser destinado à formação, aprimoramento e suporte à arbitragem. O projeto de patrocínio nos uniformes é outro ponto que está sendo analisado e servirá de fonte de recursos para a arbitragem colocar em práticas seus objetivos.

O presidente da Comissão, dentro do projeto iniciado em 2006, colocou em prática os Avaliadores Estaduais, com profissionais oriundos das universidades tendo a missão de avaliar os árbitros com mais rapidez e com menos custo. Também está instituindo os Orientadores Estaduais, formados por três profissionais com elevados conhecimentos teóricos e práticos da função para, após treinamento feito pela Comissão de Ensino, levar aos árbitros de seus estados uma única linguagem, aproximando critérios.

Entre as medidas adotadas e amplamente divulgadas na mídia, mais duas delas serão implementadas: Avaliação prática e teórica dos observadores, além de Calendário anual de avaliações físicas e teóricas (quatro por ano).

Também ouvimos do alto mandatário da arbitragem que é necessário que todos acreditem nas exigências e que, em 2008, os avaliadores físicos e os orientadores serão deslocados para supervisionar as avaliações físicas e teóricas nos estados, dando assim a devida segurança para que todos saibam que o aplicado no Sul do País o será também no norte.

O material!
Em contato com o presidente da comissão, a Assessoria de Comunicação da ANAF soube da pretensão do dirigente ir à Zurique, na Suíça e lá buscar todo o material didático para disponibilizar aos Orientadores Estaduais – sua pesquisa nas estruturas das arbitragens pelo mundo, sua decisão de editar farto material didático aos árbitros, o calendário anual com quatro avaliações físicas e quatro teóricas.

O novo presidente tem dado demonstrações da importância da renovação do quadro, mas de maneira responsável, aproveitando os melhores com experiência adquirida nas competições estaduais. Isso evita o eterno problema da CBF: durante oito meses, prepara os árbitros para atuar nas competições estaduais que duram, em média, três meses. O processo é justamente o inverso. Os presidentes das comissões estaduais têm a responsabilidade de aprimorar seus árbitros e assistentes e indicar à comissão nacional apenas os melhores.

Para evitar algum problema nas indicações e também evitar distorções, o ranking será fundamental. Esta divisão será elaborada com critérios objetivos – exatamente como acontece com os atletas profissionais. A isto chamamos de responsabilidade com as instituições, que exigem sempre o melhor já que o que vale é o resultado final.

Ponto de discussão!
Nesta interessante conversa com o Sérgio Corrêa, perguntamos sobre as mulheres na Arbitragem. Ele foi taxativo ao afirmar que os direitos são iguais e que jamais teriam chegado ao futebol masculino se não tivessem demonstrado competência para tanto.

Dentro do aspecto físico, a exigência para atuar nas competições masculinas serão os indicies da Fifa que, durante quase 25 anos, utilizou o sistema de avaliação física que previa dois tiros de 200 metros, dois tiros de 50 metros e a corrida de 12 minutos, com o árbitro devendo percorrer 2.700 metros. Há três anos, após estudos profundos, oriundos da UEFA, estes testes foram alterados e, desde 2006 a CA-CBF tem informado aos árbitros e federações da implantação do mesmo teste no Brasil.

Não se pode, agora, dizer que a mudança é injusta por que sempre foram aceitos os índices femininos e agora estão exigindo os masculinos. Aqui um reparo: quem exige o indicie feminino é a FIFA, e não a CBF. Seria o mesmo que dizer que os árbitros que entraram antes somente fariam os testes antigos.

Ressalte-se que a FIFA busca o três em um, ou seja, um árbitro bom no campo, no físico e no teórico. Não basta mais ser o melhor nas quatro linhas se este árbitro não tiver os outros dois atributos.

Em relação à Associação Nacional o presidente, que foi secretário-geral de 1997 a 2004, vê com bons olhos a união de todos em prol de um mesmo objetivo. Acredita que os problemas jurídicos serviram de lição e assim que tudo voltar a normalidade, os árbitros devem contribuir para que a entidade recupere sua energia para colaborar nos estudos da profissionalização. Enfatiza que os objetivos devem ser os mesmos em favor da arbitragem. Se a futura diretoria da entidade agir em consonância com os projetos apresentados, avançaremos rapidamente; mas se os objetivos forem por escalas ou por interesses pessoais, não haverá avanços significativos.