Problema do Guarani é tático, não físico

Time precisa corrigir postura quando atua como visitante

Problema do Guarani é tático, não físico

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Quando disserem que futebol é coisa simples, que qualquer torcedor entende, desminta categoricamente.

Futebol é coisa complexa. Infelizmente a maioria não o enxerga adequadamente, principalmente aqueles com olhos voltados para um só lado, casos dos torcedores apaixonados.

Logo, acabam influenciados por opiniões de profissionais da mídia.

Por que esse preâmbulo?

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Porque na seção de comentários pós-jogo do Guarani em Criciúma, bugrinos como Bruno Piracicaba, Profeta da Tribo, Eugênio, Luiz Otto, Tito e Léo-PR procuraram justificar ‘precariedade na preparação física da equipe’ para atuação desapontada em terra catarinense.

Claro que o espaço é plural e todos indistintamente têm direito de opinar.

Todavia, sejamos sensatos: um time mal condicional fisicamente corre como o Guarani correu contra o Atlético Goianiense, terça-feira da semana passada?

Teriam os jogadores perdido o condicionamento em tão curto espaço de tempo?

Teve o dérbi? Sim. Mas o Guarani correu tanto num jogo truncado, marcado predominantemente por faltas?

Contra a Ponte, no primeiro tempo, deu um chute a gol. Depois da metade do segundo tempo sofreu pressão. Tudo isso por precariedade física?

Claro que não. Os problemas são outros, e já os enumerei aqui.

Se três dias depois do dérbi o Guarani teve que jogar em Criciúma, não nos esqueçamos que o adversário saiu no domingo de Maceió, após ter sido atropelado por 3 a 0 para o CSA.

IDADE DOS JOGADORES

Gente, dê uma espiada na idade da boleirada do Guarani, e constate se é pra essa rapaziada se queixar de cansaço?

Volante Ricardinho, o mais ‘velho’ do grupo, tem 29 anos de idade. E ele correu como um molecão de 20 anos, correto?

Meia Rafael Longuine e zagueiro Fabrício têm 28 anos. Depois é da faixa de 25 anos – como o volante Willian Oliveira – pra baixo. Lateral Kevin e atacante Matheus Oliveira ainda vão completar 21 anos.

É preciso distinguir que na condição de mandante o Guarani adota postura de marcação alta, adiantando as suas linhas, e desarma o adversário ainda em seu campo de ataque.

Como visitante adota estilo mais precavido na marcação, e isso provoca distanciamento dos compartimentos da equipe, o que implica em mais erros de passes, ou bola alongada geralmente com predominância do adversário.

Portanto, quem corre sem a bola tem desgaste maior. Tantos meias como atacantes que ajudam na recomposição sentem um peso maior por isso, passando a impressão de que o time – num todo – está desgastado fisicamente.

A postura do treinador Umberto Louzer de posicionar dois boleiros abertos pelos lados do campo – casos do meia Jefferson Nem e Matheus Oliveira ou Bruno Xavier – deixa a meiúca despovoada em jogos fora do Estádio Brinco de Ouro, conforme citado.

Providências práticas precisam ser tomadas para que Jefferson Nem deixe de ocupar faixa exclusiva pela esquerda, e tenha liberdade de jogar centralizado. Igualmente isso se aplica a Matheus Oliveira.

KEVIN

Foi citado reiteradas vezes que é preciso coordenar a cobertura para avanços de Kevin.

Mais uma vez o zagueiro Plilipe Maia foi obrigado a sair à lateral para cobri-lo, e numa das ocasiões recebeu cartão amarelo.

É preciso que um volante seja determinado para a cobertura, de forma que Kevin possa ter liberdade para avançar e trabalhar a bola pelo setor.

Quando começou a fazer isso no início do segundo tempo contra o Criciúma, o Guarani ficou organizado por ali. Todavia, bastou o treinador adversário, Mazola Júnior, colocar um atacante hábil no lado esquerdo – caso de Andrew -, para que Kevin se preocupasse com a marcação.

Aí quem teve liberdade para atacar foi Marcílio, o que não acontece absolutamente nada.

Ficamos, então, combinados. Vamos observar a parte tática e captar menos aquilo que dizem de precariedade física.