Superação: conheça a história de Glaucia, atacante do São Paulo

Atleta já jogou fora do país e seu 2019 foi repleto de conquistas; agora, quer fazer história com a camisa tricolor

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Atleta já jogou fora do país e seu 2019 foi repleto de conquistas; agora, quer fazer história com a camisa tricolor

São Paulo, SP, 29 (AFI) - As oportunidades para seguirmos nossos sonhos podem aparecer nas nossas vidas de maneiras inusitadas. Foi o caso da atacante Glaucia, atualmente no São Paulo, que resolveu seguir seu sonho pelo futebol por conta do handebol, uma outra paixão da jogadora.

“Na verdade, estava indo fazer um teste para handebol. Mas eu jogava bola na rua, com os meus amigos e, quando cheguei, vi que estava fazendo peneira no São Bernardo e resolvi ver e acabei conseguindo. Foi meio que uma decisão em cima da hora, de assistir e acabar passando”, revelou.

Reviravoltas da vida! (Foto: Rubens Chiri / São Paulo)
Reviravoltas da vida! (Foto: Rubens Chiri / São Paulo)
Seu início na carreira, até mesmo quando jogava com os amigos na rua, não contou com muito apoio, mas revelou o apoio de uma pessoa especial.

“Foi bem difícil no começo, porque era a única mulher que jogava na rua, então minha mãe tinha muita preocupação, para não me machucar. E tinha muito preconceito, aquela questão da ‘maria macho’. Eu tive muito apoio da minha avó, que me deu minha primeira chuteira e foi assim que tudo começou”, disse.

LÁ FORA!

Glaucia teve passagens pelo futebol coreano e, segundo ela, mesmo sem muito público nos estádios, o futebol feminino tem grande investimento no país.

“Tive várias experiências (em 2012, 2015, 2017 e 2018). Vão poucas pessoas [no estádio], mas tinha um grande investimento, a prefeitura investe bastante e acredita. O clube sempre faz algo para agradecer a presença, a entrada é gratuita. Antes do jogo, a gente chuta para a torcida uma bola pequena, com a assinatura das todas atletas e isso acaba incentivando o retorno”, explicou.

Após duas temporadas no futebol internacional, Glaucia retornou ao Brasil no último ano e atuou pelo Santos, onde foi eleita a melhor atacante do Paulistão e do Brasileirão, além de ser artilheira da competição nacional.

Premiada e orgulhosa. (Foto: Rodrigo Corsi/FPF)
Premiada e orgulhosa. (Foto: Rodrigo Corsi/FPF)
“Falar de 2019 me deixa muito feliz, porque foi um ano muito importante para mim, depois de ter voltado para o Brasil e conseguir fazer tudo que fiz, tanto pelo Santos como pela minha carreira. Ter esse reconhecimento de todos, de torcedores rivais até e saber o quanto isso significou para mim", enfatizou.

PROBLEMAS!
Mas nem tudo foram flores para a atleta, que enfrentou problemas pessoais, mas que viu no esporte uma razão para continuar.

“Passei muitos momentos difíceis, Deus me ajudou muito, além da minha família, dos meus amigos de verdade, do futebol. Tudo isso foi importante para continuar na minha caminhada, na minha carreira, continuar deixando minha marca, para todo mundo conhecer a Glaucia, conhecer o meu futebol. Espero sempre dar o meu melhor para que as pessoas não esqueçam de mim", ressaltou.

ATUAL TEMPORADA!
Na atual temporada, a jogadora se transferiu para o São Paulo e projetou a sequência da carreira com a camisa tricolor.

"Minha chegada foi maravilhosa, teve um reconhecimento grande por parte da torcida, dos jornalistas, da comissão técnica, de todos os setores de dentro do São Paulo. Várias pessoas vieram falar comigo, que estavam felizes com a minha chegada. Me senti super em casa, jogando então, só aumentou".

"Vestir a camisa do São Paulo é gratificante e espero fazer muito para ajudar o clube, porque é uma honra vestir esse manto. Tenho que fazer melhor que no outro ano e gosto de deixar isso acontecer naturalmente. Espero ajude a equipe a chegar mais adiante nas competições”, enfatizou.

ROTINA!
A atleta teve que modificar toda sua rotina, assim como todos os jogadores, por conta da pandemia do novo coronavírus e, mesmo com dificuldades, Glaucia não deixa de seguir os treinos, principalmente os de força.

“A rotina em casa está sendo bem complicada, porque a gente tem que adaptar os aparelhos com tudo que a gente tem em casa. Eu ainda consegui comprar algumas coisas antes das lojas fecharem, como barra, peso e outras coisas, para manter a minha força, que é minha característica mais forte. Estou me adaptando, tentando fazer o meu melhor, mas é bem difícil sair da nossa rotina, de treinos, de conviver com as pessoas, mas a gente vai passar por cima disso", finalizou.

Letícia Denadai, especial para a FPF