Primeiro passo da conquista inédita: Brasil vencia Austria há 62 anos

Seleção Brasileira contou com boa organização e disciplina para chegar bem ao mundial disputado na Suécia, em 1958

Seleção Brasileira contou com boa organização e disciplina para chegar bem ao mundial disputado na Suécia, em 1958

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São Paulo, SP, 08 (AFI) – A Seleção Brasileira é a que mais venceu edições de Copa do Mundo, com cinco no total. A busca pela hexa, só é possível, atualmente, graças aos títulos de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002. E no dia 8 de junho de 1958, há exatos 62 anos, o escrete nacional dava o primeiro passo rumo à inédita conquista, na Copa da Suécia, em 1958.

Era apenas a sexta edição do mundial em 1958. Sediada na Suécia, contou com a participação de 16 equipes, sendo que 12 eram europeias. As seleções foram divididas em quatro grupos, com quatro integrantes cada. Assim como acontece atualmente, os integrantes dos grupos jogaram entre si uma única vez, e os dois mais bem colocados se classificaram para a próxima fase. A diferença é que a fase seguinte já começava nas quartas de finais.

Antes do primeiro passo
Apesar de sempre contar com bons jogadores para vestir a camisa nacional, o Brasil colecionava fracassos em edições anteriores. Assim foi em 1930, no Uruguai, quando caiu ainda na primeira fase. Na Itália, em 34, sendo eliminado nas oitavas pela Espanha. Na França, terminando na terceira posição, mesmo com o artilheiro e melhor jogador daquela edição, Leônidas da Silva, em 38 e o “Maracanaço”, em 1950. Até a chegada de 58, o Brasil sempre teve bons elencos, mas sempre faltava algo.

Porém, a antiga CBD (Confederação Brasileira de Desportos) se organizou com boa antecedência para trazer a primeira taça à terras Tupiniquins. No dia 4 de maio de 1958, Vicente Feola, ex-jogador de São Paulo e Americano, foi anunciado como novo treinador. Visando proporcionar um ambiente mais organizado do que nas edições anteriores, o novo comandante, com apoio da própria CBD, restringiu uma série de antigos hábitos, tornando a equipe mais bem disciplinada.

Brasil campeão de 62

Brasil campeão de 62

A Seleção Brasileira também passou a fazer uma série de amistosos como preparação. Dentre esses jogos, está o jogo contra o Corinthians, no Pacaembu, quando a Canarinho sobrou em campo, vencendo por 5 a 0.

No entanto, a jovem esperança daquele time, Pelé, de apenas 17 anos, teve que ser substituído por Vavá, após entrada maldosa do corintiano Ary Clemente. A lesão quase custou sua convocação, mas Feola insistiu em levar o futuro rei. Pelé acabou ficando de fora da estreia na Copa, por conta desse lance.

Na sequência, a delegação brasileira embarcou para a Itália, para os dois últimos amistosos antes do mundial. Os adversários foram Fiorentina e Internazionale, vencendo ambos por 4 a 0. Com isso, os nossos representantes ganhavam confiança para encarar com novos olhos as chances de vencer a Copa.

O primeiro passo
A partida aconteceu no estádio Rimnersvallen, em Uddevalla. O primeiro adversário foi a Áustria. O jogo começou foi duro, principalmente por conta da forte marcação dos adversários, que usavam bem seu porte físico superior. Os europeus chegaram a criar bos oportunidades, mas pararam nas mãos do goleiro Gylmar.

Então, aos 38 minutos de bola rolando, o meio-campistas Didi fez lançamento para Mazzola abrir o placar. E a primeira metade terminava com esse resultado. Quando as equipes voltaram para a etapa complementar, a Áustria se propôs a pressionar o Brasil. Mas os brasileiros souberam aproveitar bem os contra ataques.

Com cinco minutos, Nilson Santos desarmou Horak e arrancou pelo lado esquerdo do campo. Chegando na área adversária, a “Enciclopédia do Futebol” tabelou com Mazzola, recebeu nas costas da defesa e tocou por cima do goleiro para ampliar o placar. Nos minutos finais da partida, Mazzola ainda fez boa jogada, arrancou do meio campo em direção ao gol, conseguiu passar entre dois marcadores e chutar forte no canto esquerdo do goleiro. O Brasil vencia por 3 a 0, em sua estreia.

Na ocasião, a Seleção Brasileira terminou na liderança do Grupo 4, somando cinco pontos, com duas vitórias e um empate. Nas quartas eliminou o País de Gales, pelo placar mínimo. Em seguida, ganhou da França por 5 a 2, e bateu a anfitriã Suécia na final, repetindo o placar da semi.

Ficha Técnica:
Brasil 3 x 0 Áustria

Local: estádio Rimmersvallen, em Udevalla (Suécia);
Data:8 de Junho de 1958 (Domingo);
Árbitro:Maurice Guigue (França);
Público:17.788 pagantes;
Gols: Mazola aos 38 minutos do 1º tempo e Nilton Santos aos 4 e Mazola aos 44 minutos do 2º tempo.
Brasil:Gilmar, De Sordi, Bellini, Orlando Peçanha e Nilton Santos; Dino Sani, Didi e Joel Martins; Mazola, Dida e Zagallo. Técnico:Vicente Feola.
Áustria:Szanwald, Halla, Swoboda, Hanappi e Happel; Koller, Horak, Senekowitsch e Buzek; Köerner e Schleger. Técnico:Karl Argauer.

* Por Mateus Bezerra