Presidente do São Bento lamenta rebaixamento e pede investimento

O dirigente fez um balanço do momento ruim, e pediu desculpas ao torcedor pelo desempenho que culminou com a queda

O presidente do São Bento, reeleito para o mandato 2022 a 2026 (no final deste ano tem nova eleição), concedeu entrevista para o Portal Futebol Interior.

São Bento
Foto: Neto Bonvino/EC São Bento

Sorocaba, SP, 02 (AFI) – Após a derrota no último sábado por 3 a 2 para o Taubaté no Estádio Walter Ribeiro, resultado que rebaixou com uma rodada de antecipação o São Bento para o Paulistão A3 Rivalo de 2027, o presidente do Azulão, Almir Laurindo, reeleito para o mandato 2022 a 2026 (no final deste ano tem nova eleição), concedeu entrevista.

O dirigente fez um balanço do momento ruim, e pediu desculpas ao torcedor pelo desempenho que culminou com a queda. Laurindo falou sobre a necessidade de investimento, o impacto dos altos custos operacionais, a desigualdade financeira no futebol paulista, a importância do clube contar com investidores para o futuro.

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DESCULPAS AO TORCEDOR

O dirigente iniciou reconhecendo o desempenho abaixo do esperado do São Bento – 5 pontos em 14 jogos (12 derrotas) -, além de reforçar a necessidade de mais recursos para melhorar o desempenho do time centenário de Sorocaba.

“Trabalhamos muito para não fazer um bom campeonato. A gente sabia a dificuldade nossa, mas acreditamos que a gente ia brigar ali no meio da tabela. Infelizmente não conseguimos, peço perdão de novo à torcida, e sempre aqui agradecer os nossos quatro assinadores que estão sempre junto com a gente e dizer que o futebol precisa de investimento. Se não tiver investimento, a dificuldade é cada vez maior”.

“A gente tem uma proposta de SAF, para ver o que vai acontecer. A diretoria vai se reunir também porque é difícil você enfrentar dificuldade. O São Bento hoje, infelizmente está na A3, mas é um clube que tem estrutura, que muitos times não tem, e as vezes, como a gente falava e eles (jogadores), sempre cobravam da gente, que o Clube São Bento não tem estrutura, não conseguiu subir sem ter treino, não tinha ônibus para treinar, não tinha campo para treinar. Hoje a gente tem alimentação, tem acomodação, tem campo para treinar, e hoje. Mas infelizmente também falta a parte de investimento”

SEM INVESTIDOR JÁ ENTRA PERDENDO

Sao bent
São Bento realiza último treinamento antes do jogo – Foto: Reprodução/Instagram

Laurindo destacou que o cenário do futebol mudou nos últimos anos e que a presença de investidores se tornou decisiva para competir em igualdade nas divisões estaduais.

“Estou no clube desde 2011, a gente disputava com os mesmos clubes hoje o Paulista, mesmo o orçamento do Paulista e todo mundo disputava igual. Hoje não. Você disputa com 16 times e 14 time no mínimo tem investimento  fora a cota da federação. Então você já entra perdendo. Não é isso que faz também o futebol, e você pode falar que o dinheiro não entra em campo. Já teve time também com orçamento menor e conseguindo subir também. Só que a dificuldade cada vez é maior. Hoje você vê o futebol e o nível de futebol de todo mundo, a dificuldade que tem. Está pronto (o clube) para ter investimento para poder ser um clube grande de novo, para ter time competitivo,  mas precisa de investimento pois a dificuldade cada vez é maior”.

CUSTO ALTO

Situação do São Bento na A2 - Foto: Neto Bonvino
Situação do São Bento na A2 – Foto: Neto Bonvino

O presidente do São Bento também chamou atenção para o aumento das despesas estruturais do clube, afirmando que manter o São Bento competitivo exige um orçamento cada vez maior.

“O São Bento precisa de investimento, porque hoje a gente tem uma estrutura e você tem a alimentação para o clube.  São 40, 50 pessoas por dia de almoço e janta, café da manhã,  um hotel, você tem que manter lá, um campo para você cuidar. Um jogo para fazer que hoje custa 20 mil reais. Você tem uma comissão técnica profissional hoje, no mínimo, 10 pessoas. Quando você fica na situação de rebaixamento, na nossa situação teve que trocar 4, 5 jogadores . Tem que cobrir aqueles que estão machucados. Então, só aumenta o custo e o orçamento. A cota foi bem menor e o custo cada vez aumenta mais”.

INVESTIDOR PARA FICAR DE IGUAL PARA IGUAL

Na avaliação do dirigente, o futebol paulista vive uma nova realidade financeira, com menos clubes endividados e mais equipes estruturadas, o que aumenta o desafio para quem não tem aporte externo.

Segundo Laurindo, antigamente a maioria dos times estava devendo e tinha a cota bloqueada no futebol paulista, algo que hoje não acontece mais. De acordo com o dirigente, entre os 16 times da A2 praticamente nenhum enfrenta dificuldade financeira e a maioria conta com investidor, o que torna o cenário ainda mais competitivo para quem não tem aporte.

Sobre as chances do São Bento voltar à Série A2, ele afirma que o diferencial é ter estrutura e qualidade como clube de futebol, algo que depende de investimento para competir de igual para igual, embora o resultado sempre seja decidido dentro de campo.

SÃO BENTO: ROTATIVIDADE NA PRESIDÊNCIA

Laurindo também falou sobre o futuro político do clube e defendeu maior participação nas eleições, destacando que a renovação pode trazer novas ideias e motivação.

Almir Laurindo falou de eleições, que ocorrem neste ano. Ele explica que no último pleito deixou para a ultima hora para aparecerem outros candidatos mas  ninguém quis. “Eu deixei até o último minuto para poder ter outra chapa e a gente poder deixar para pessoas nova. Já estou aqui tanto tempo, de repente você está cansado, trabalha muito tempo. De repente vem um outro presidente, uma outra pessoa  que enxerga coisas novas, que traz coisas novas e motivação nova. Isso faz parte do futebol”, destacou Laurindo citando como exemplo a troca de treinador: “Às vezes você troca o treinador, porque você não vai trocar o jogador. O treinador chega e dá uma motivação e isso funciona, entendeu?” . “Então, na próxima eleição a gente torce para que tenha três, quatro chapas de sócios querendo assumir o São Bento e torço por isso. E gostaria que isso já fosse na última eleição”.

TENTATIVAS FRUSTRADAS DE SAF

Por fim, o presidente voltou a defender a vinda de investidores  como alternativa para garantir estabilidade financeira e planejamento a longo prazo.

O presidente comentou a possibilidade da transformação do clube em SAF, onde segundo ele, o investidor tem mais segurança sobre o aporte e o retorno, algo que o São Bento tenta viabilizar há cerca de três anos, mas sem sucesso até agora. Laurindo  citou tentativas recentes com diferentes grupos que chegaram a participar do planejamento esportivo, mas recuaram antes ou durante as competições, prejudicando a montagem do elenco.

Em 2025, o dirigente recorda que três propostas chegaram ao Conselho Deliberativo, uma foi escolhida, mas também acabou abandonada em novembro, comprometendo o planejamento da Série A2 e a permanência de jogadores, agravado ainda por mudanças nas cotas e no calendário do Paulistão.  E afirmou esperar que a questão da SAF seja resolvida o mais rápido possível para dar estabilidade ao clube, evitando a necessidade de refazer todo o planejamento ao longo da temporada.

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