Prefeitura de SP suspende leilão do Canindé e Lusa pode fechar projeto milionário
Canindé foi penhorado pela 59.ª Vara Trabalhista de São Paulo e leilão aconteceria por dívida de R$ 47 milhões
Prefeitura Municipal de São Paulo suspendeu o leilão do Estádio Canindé, da Portuguesa, que aconteceria no próximo dia 2 de fevereiro.
São Paulo, SP, 13 (AFI) – A Portuguesa recebeu uma ótima notícia, neste início de ano. Pelo menos provisoriamente. É que a Prefeitura Municipal de São Paulo suspendeu o leilão do Estádio Canindé, que aconteceria no próximo dia 2 de fevereiro, em razão de parte das dívidas trabalhistas que não foram quitadas.
De acordo com informações do Portal da Band, a Prefeitura usou como argumento o fato de ter encontrado um erro no processo. Na identificação do imóvel, que na verdade pertence ao município e não é propriedade particular do clube lusitano.
Com a suspensão do leilão, a diretoria da Lusa ganha tempo para colocar em prática um de seus projetos para salvar o terreno do Canindé e viabilizar o pagamento das dívidas do clube. A ideia é fechar parceria com investidores para construção de vários empreendimentos no terreno que cerca o estádio, onde fica a sede social.
Conforme a própria diretoria, já há um acordo bem encaminhado com um investidor, que deve ser apresentado aos sócios em breve. Este investidor compraria um total de 110 mil metros quadrados do terreno, onde seriam construídos torres residenciais e comerciais, além de hotéis.
O dinheiro seria utilizado para abater as dívidas trabalhistas. O valor a ser recebido pelo clube, contudo, é uma incógnita. Em 2015, peritos do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) avaliaram que o terreno, excluindo a área do estádio, vale R$ 123,5 milhões. O clube acredita que o terreno vale dez vezes mais, por situar-se em uma área valorizada, à beira da Marginal Tietê.
SITUAÇÃO CAÓTICA
A dívida total do clube gira em torno de R$ 160 milhões. São R$ 60 milhões de causas trabalhistas e condenações em processos cíveis e cerca de R$ 100 milhões de tributos federais, estaduais e municipais. Na esfera federal, o clube estudava aderir ao Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut) para refinanciar as suas dívidas. Os cálculos iniciais mostram prestações mensais de R$ 200 mil. Os diretores acharam a parcela muito pesada.
Para garantir o pagamento dos débitos com ações trabalhistas devidas pelos clubes nas últimas duas décadas, a 59.ª Vara Trabalhista de São Paulo penhorou e tornou indisponível um terreno de 42 mil metros quadrados da sede social do clube. A penhora foi determinada pelo juiz Maurício Marchetti que reuniu oito processos em uma única ação. A soma totalizou R$ 47 milhões (esse valor pode subir se surgirem novas ações). Em maio, a Lusa recorreu, mas foi derrotada.
Qualquer negociação referente às áreas de administrativas e de lazer (o estádio não está incluído) teria de ser resolvida nos tribunais. No caso das ações, o clube tenta diminuir o valor das condenações. No caso do leilão do Canindé, o clube recorreu para ganhar mais tempo, o que conseguiu através da Prefeitura.
ALIADA
Em outra ponta da negociação, a Prefeitura de São Paulo possui uma área de cerca de 33 mil metros quadrados em comodato com o clube. O poder municipal considera positiva a modernização do estádio para iniciar o processo de revitalização da região do Tietê. A ideia é promover na zona norte o desenvolvimento que aconteceu nos arredores do rio Pinheiros.
O principal chamariz do campo da Portuguesa é a localização. Ele está ao lado da Marginal Tietê, uma das principais vias de São Paulo, próximo ao Terminal Rodoviário Tietê, o maior da América Latina, e das estações de metrô Armênia e Tietê e até do aeroporto Campo de Marte. Além disso, o estádio possui ligação direta com o aeroporto de Cumbica, ampla rede hoteleira, além de hospitais e três shopping centers.
O Canindé ficou grande demais para a Portuguesa. Construído quando o clube tinha mais de 100 mil sócios – hoje são pouco mais de três mil -, as instalações são subutilizadas e o custo de manutenção é muito alto. A diretoria calcula que o rombo mensal é da ordem de R$ 200 mil.
Com isso, a ideia é demolir parte do estádio e fazer uma arena multiuso para gerar mais receitas. Mais ou menos o que acontece com a Arena Palmeiras. Ela também seria bem menor, com capacidade entre 12 mil e 15 mil.





































































































































