Prefeito fala em falta de recursos para reforma de estádio e Atibaia deve ficar de fora da Série A2

Saulo Pedroso disse que o valor das reformas impostas pela FPF é muito cara para a Prefeitura e criticou time por não buscar ajuda na iniciativa privada

Saulo Pedroso disse que o valor das reformas impostas pela FPF é muito cara para a Prefeitura e criticou time por não buscar ajuda na iniciativa privada.

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Prefeito Saulo Pedroso cruza os braços e Atibaia continua sem um estádio decente e sem futebol na Série A2

Prefeito Saulo Pedroso cruza os braços e Atibaia continua sem um estádio decente e sem futebol na Série A2

Atibaia, SP, 27 (AFI) – Após conquistar em campo o acesso à Série A2 do Campeonato Paulista neste ano, o Atibaia deve disputar a Série A3 novamente no ano que vem. O clube não conseguiu juntar os recursos necessários para reformar o Estádio Salvador Russani e por isso, não conseguirá adequar sua casa às exigências impostas pela Federação Paulista de Futebol (FPF). O time esperava contar com o apoio da Prefeitura do Município – responsável por administrar o estádio – para financiar as obras necessárias. Mas o valor foi considerado muito

acima do orçamento disponível pela administração da cidade. O Barretos, que nesta quarta-feira comemora 55 anos, está soltando rojões. Ganhou um presentão de aniversário. Como quinto colocado da Série A3, será promovido à Série A2.

O valor necessário para concluir as reformas chega R$ 6 milhões de reais. Segundo o prefeito de Atibaia, Saulo Pedroso, o número ultrapassa os limites dos gastos da prefeitura. Ele afirmou que foram apresentados projetos em busca de recursos, mas a captação não foi aprovada pelas entidades superiores.

UMA PEDRA NO MEIO DO CAMINHO…
Conformismo ou incompetência? Ou falta de interesse político? A verdade é que a cidade de 130 mil habitantes, distante apenas 50 quilômetros da capital, estância climática famosa, perde uma chance valiosa de se projetar no cenário do futebol paulista. Sempre foi conhecida por seu ar puro, agora nem tanto, e pela Pedra Grande, maior ponto turístico da região e realmente uma maravilha da natureza.

Atibaia já tem a Pedra Grande e não precisa de um estádio de futebol. Questão de (falta) visão...

Atibaia já tem a Pedra Grande e não precisa de um estádio de futebol. Questão de (falta) visão…

Uma cidade deste porte não consegue construir um estádio para dez mil torcedores? Parece difícil de acreditar, mas talvez a falta de visão seja tão visível como a Pedra Grande, um dos pontos turísticos da cidade. Lá turistas têm uma visão de toda a região bragantina e da São Paulo. É palco para quem pratica alpinismo, asa delta ou parapente. A Pedra Grande é tão bela e tão grande, que poderia até comportar um estádio de futebol. Evitaria a chuva, afinal ficaria em cima das nuvens. Uma ideia futurista, numa cidade dirigida por políticos que não gostam de futebol.

Talvez seus governantes devessem ficar lá em cima e repensar da maneira míope com que dirigem o futebol e o esporte na cidade. Será que é só o futebol que é administrado desta forma? Fica ai a pergunta para a população pensar e decidir nas próximas eleições.

“Encaminhamos projetos para o Ministério dos Esportes, para a Secretária do Esporte do Estado de São Paulo e não tivemos a aprovação. A prefeitura não tem recursos para arcar com R$ 6 milhões de reais, isso ultrapassa o orçamento de qualquer secretária do município”, explicou, em entrevista ao Portal Futebol Interior.

CONFORMISMO OU INCOMPETÊNCIA ?
Segundo Pedroso, o grande custo da obra vem da necessidade de ampliar a capacidade do estádio, o que demanda uma ampla reforma nas arquibancadas. Para disputar a Série A2, a FPF exige que os estádios dos clubes comportem ao menos oito mil pessoas. O prefeito também afirma que as reformas menores estão ao alcance da administração de Atibaia.

“O pesado da reforma é a arquibancada. Esse é o requisito principal da FPF, aumentar a capacidade do estádio de três mil para 10 mil lugares. As outras reformas necessárias, a prefeitura tem condições de fazer com seu próprio dinheiro, mas não dá para arcar com tudo”, disse Saulo Pedroso.

Estádio Salvador Russani não atende uma cidade do porte de Atibaia, com 130 mil habitantes.

Estádio Salvador Russani não atende uma cidade do porte de Atibaia, com 130 mil habitantes.

O clube tentou recorrer à parceria com o Bragantino para utilizar o Estádio Nabi Abi Chedid, como já foi feito em outras oportunidades. Mas não teve sucesso nas negociações. Para Pedroso, o SC Atibaia não se esforçou para conseguir o apoio da iniciativa privada, mesmo sabendo que a Prefeitura não teria condições financeiras de bancar todas as reformas necessárias para preparar o estádio para a competição.

“São duas as maneiras de obter recursos para as obras. Uma é através dos recursos públicos e outra é por meio da iniciativa privada. Um clube do futebol tem o poder de se movimentar em busca em de um apoio pela iniciativa privada, mas nada foi feito. A captação de recursos com patrocinadores é o caminho natural dos times de futebol, uma boa parceira poderia ajudar a equipe a reformar o estádio”, questionou.