Portal FI traz 5 momentos que foram importantes no acesso da Ponte

Até mesmo a derrota de virada para o Atlético-GO, em casa, contribuiu para o crescimento da Macaca no campeonato

A caminhada da Ponte Preta rumo a elite do Campeonato Brasileiro não foi fácil, mas no último sábado o tão sonhado acesso finalmente pôde ter sido comemorado por jogadores

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Campinas, SP, 10 (AFI) – A caminhada da Ponte Preta rumo a elite do Campeonato Brasileiro não foi fácil, mas no último sábado o tão sonhado acesso finalmente pôde ter sido comemorado por jogadores, dirigentes, comissão técnica, funcionários e torcedores. Até a vitória sobre o Bragantino, por 2 a 0, no Nabi Abi Chedid, a Macaca encontrou inúmeros problemas, mas conseguiu dar a volta por cima. Agora, o pensamento é conquistar o título da Série B.

No início do campeonato, a Ponte conviveu com problemas financeiros, atrasos salariais e resultados ruins. Depois, deu a volta por cima com a mudança na comissão técnica e a ajuda de Sérgio Carnielli para colocar as contas em dia. O Portal Futebol Interior enumerou cinco momentos que ajudaram na campanha de sucesso da Macaca.

CONFIRA ABAIXO OS 5 FATOS IMPORTANTES NA CAMPANHA DO ACESSO ALVINEGRO

1 – TROCA NA COMISSÃO TÉCNICA

Antigo sonho da diretoria, Dado Cavalcanti foi anunciado como o treinador da Ponte para a disputa da Série B do Brasileiro. Mas seu retrospecto foi bem abaixo do esperado, com quatro vitórias, sete empates e três derrotas. Por conta de “divergências de opiniões”, o treinador deixou a Macaca em julho.

Guto Ferreira foi apresentado como o

Guto Ferreira foi apresentado como o “salvador da pátria” da Ponte Preta e correspondeu

Apalavrada com Ricardinho, a Ponte cancelou o acordo e, três dias depois da saída de Dado Cavalcanti, anunciou oficialmente a chegada de Guto Ferreira. Foi uma forma da diretoria se reparar do erro que cometeu na metade do ano passado. O treinador, que teve 55,28% de aproveitamento em sua primeira passagem, saiu do Moisés Lucarelli após ser “fritado” por Márcio Della Volpe (presidente) e Ocimar Bolicenho (diretor de futebol).

Guto Ferreira pegou a Ponte na décima colocação e fez sua estreia no empate sem gols com o Vasco da Gama, pela 13ª rodada. Depois disso, foram 15 vitórias, quatro empates e duas derrotas. O aproveitamento de 75,75% garantiu o acesso com quatro rodadas de antecedência e colocaram a Macaca na liderança isolada da Série B, brigando ponto a ponto com o Joinville pelo título do campeonato.

Os números são reflexos do trabalho realizado por Guto Ferreira no dia a dia. O treinador passou confiança a jogadores que não passavam por um bom momento – Cafú, Alexandro e Bryan, entre outros -, armou um time compacto e praticamente perfeito taticamente, blindou o elenco em momentos turbulentos – salários atrasados e pressão da torcida – e fez com que a Ponte não tivesse apenas 11 titulares, mas sim um grupo.

2 – DERROTA PARA O ATLÉTICO-GO

No dia 9 de setembro, em duelo válido pela 21ª rodada da Série B, a Ponte Preta precisava do resultado positivo para entrar no G4 e estava perto de alcançar seu objetivo. A Macaca vencia por 3 a 1 até os 37 minutos do segundo tempo, quando sofreu um apagão e levou a virada já no fim da partida. O tropeço não agradou os torcedores, que deixaram o Moisés Lucarelli criticando bastante os jogadores. A crise estava próxima de se instalar novamente no Majestoso.

Foi difícil esquecer a derrota para o Atlético-GO

Foi difícil esquecer a derrota para o Atlético-GO

Se engana, porém, quem pensou que a Ponte Preta caiu de rendimento depois desse resultado negativo. Na verdade, a derrota para o Atlético-GO foi a última do time campineiro na competição – são 13 partidas de invencibilidade. Guto Ferreira blindou seus jogadores, assumiu a culpa pelo tropeço e deu a volta por cima na rodada seguinte, com a vitória sobre o Luverdense, por 1 a 0, fora de casa.

A derrota para o Atlético-GO teve influência positiva na caminhada da Ponte nesta Série B, tanto que foi apontada recentemente por Guto Ferreira como um divisor de águas: “Nós temos um grupo formado por pessoas inteligentes, que sabem o que querem e amadurecem em cima dos erros. Aquele jogo nos ensinou muita casa. De lá para cá, relaxamos pouquíssimo e temos que continuar assim nos jogos que faltam”, comentou o treinador na semana passada.

3 – PRESENÇA DE SÉRGIO CARNIELLI

Afastado desde o ano passado devido uma decisão judicial, o presidente de honra Sérgio Carnielli não abandonou a Ponte Preta e deu sua contribuição na conquista do acesso. No dia 28 de agosto, o mandatário se reuniu com os jogadores no Centro de Treinamento do Jardim Eulina e garantiu que os problemas financeiros não iriam mais atrapalhar a Macaca durante a Série B.

Naquela época, a Ponte encontrava muitas dificuldades para manter as contas em dia e honrar com seus compromissos, tanto que os jogadores ainda não haviam recebido os salários de julho. Depois da conversa de Sérgio Carnielli, o elenco nunca mais conviveu com esse problema e o assunto “salários atrasados” não foi mais comentado nos bastidores do Majestoso.

Carnielli voltou a se reunir com o elenco no dia 29 de outubro e, além de passar confiança aos jogadores, conversou também sobre as premiações para cada objetivo alcançado: acesso e título. O encontro aconteceu dias antes da vitória alvinegra sobre o Sampaio Corrêa, que praticamente colocou a Macaca novamente na elite do Brasileirão.

“É um momento importante para a Ponte. Foi isso que tentei passar para os jogadores. O objetivo da Ponte é a Série A. Não adianta fazer festa antes da hora. O time tem que jogar para se classificar. Essa é a meta da Ponte Preta. Se surgir oportunidade para algo mais, se fala depois”, afirmou Sérgio Carnielli, na época, após a reunião.

4 – CONTRATAÇÕES PONTUAIS DURANTE O CAMPEONATO

O início ruim da Série B fez a diretoria alvinegra perceber que o elenco precisaria ser reforçado caso o acesso quisesse, realmente, ser conquistado. A culpa não poderia cair apenas em cima de Dado Cavalcanti. Com o alerta ligado, os dirigentes voltaram suas atenções para o mercado e fizeram contratações pontuais.

A principal delas foi a chegada de Renato Cajá. Ídolo da torcida, o meia treinou com o elenco durante a realização da Copa do Mundo e já havia manifestado a vontade de retornar à Ponte Preta. Após conseguir a rescisão com o Guangzhou Evergrande-CHN, Cajá assinou com a Macaca graças a alguns empresários, que estão ajudando o clube a pagar os salários do jogador.

Renato Cajá chegou graças ao apoio do torcedor

Renato Cajá chegou graças ao apoio do torcedor

Além de Renato Cajá, a Ponte contratou pelo menos quatro jogadores durante a pausa da Série B devido a realização da Copa do Mundo que foram importantíssimos no acesso. O lateral-esquerdo João Paulo chegou junto ao Tombense e rapidamente ganhou a vaga de titular. No entanto, sofreu uma fratura no tornozelo no dia 23 de setembro e só voltará em 2015. O meia Thomás e os atacantes Roni e Rafael Costa também ajudaram nesta caminhada.

Emprestado pelo Flamengo, Thomás pode ser considerado o 12º jogador e, sempre que escalado, fez boas partidas. Atuou como atacante e também como meia. Roni, que pertence ao São Paulo, foi o grande responsável pela vitória alvinegra sobre o Bragantino, por 2 a 0, no último sábado. O atacante, que entrou no lugar de Rafael Costa, sofreu o pênalti que originou o gol de Alexandro e depois marcou um golaço no fim do duelo. Já Rafael Costa tem oito gols e é o vice-artilheiro da Macaca na Série B, atrás apenas de Alexandro, que tem 12.

5 – JOGO DO ACESSO

O jogo do último sábado vai ficar marcado na história da Ponte Preta. Precisando de uma simples vitória para confirmar o acesso de forma matemática e retomar a liderança, a Macaca entrou no gramado do Estádio Nabi Abi Chedid se sentindo em casa. Mais de quatro mil pontepretanos viajaram até Bragança Paulista e empurraram o time de volta à elite do Brasileirão.

Jogadores fazem a festa no estádio Nabi Abi Chedid

Jogadores fazem a festa no estádio Nabi Abi Chedid

A etapa inicial foi equilibrada e a Ponte esteve perto de abrir o placar no finalzinho com Alexandro, que viu seu chute explodir na trave. Antes, o Bragantino havia assustado com Luisinho. O Massa Bruta voltou melhor do intervalo e teve pelo menos três chances para marcar. Depois disso, a Ponte realizou duas alterações que mudaram a partida: Juninho e Roni entraram nos lugares de Adilson Goiano e Rafael Costa, respectivamente.

E as mudanças surtiram efeito aos 31 minutos. Roni invadiu a área e caiu dentro da área. O árbitro assinalou pênalti, convertido por Alexandro. Aproveitando os espaços do adversário, que se lançou ao ataque, a Ponte garantiu a vitória nos minutos finais. Após receber passe de Fernando Bob, Roni acertou um bonito chute por cobertura de Matheus e marcou um golaço.

Depois disso, a Ponte só administrou a posse de bola e esperou o apito final do árbitro para comemorar o acesso junto aos torcedores, que lotaram o espaço destinado aos visitantes no Nabizão.