Por Ederaldo Poy: Morre o amigo-narrador

Jaguaré, ES, 6 (AFI) – Quis o destino que o amigo Valentim Antonio resolvesse ir embora justamente no dia em que eu estivesse fora de Araras, viajando para transmitir uma partida de futebol, igual a tantas que fizemos juntos.

Morreu na madrugada desta sexta-feira, dia 6, o narrador Valentim Antonio ao qual devo tudo o que sei sobre ser repórter, que fui durante mais de 8 anos, e, narrador que passei a ser devido a seu incentivo.

Tim, como eu o chamava, era o verdadeiro parceiro até debaixo d’água, apesar da sua dificuldade em se locomover em decorrência de uma poliomielite que teve quando criança, e que o deixou com sérias seqüelas nas pernas.

Mas não seria isso que o levaria a superar todos os obstáculos da vida. A superação o levou a ser gerente da Caixa Econômica Federal, viajando pelo Brasil realizando palestras aos funcionários da empresa e também não o impediu de freqüentar quase todos os estádios do país para narrar brilhantemente jogos do União São João de Araras e do Mogi Mirim, principalmente, além de jogos de clubes “grandes” de São Paulo.

Não o impediu de subir em palanques para apresentar políticos que foram eleitos com 80% de seu carisma e competência em cima do palco e que pouco fizeram por ele na seqüência.

A queda fatal de Tim – queda de sua altura, por que teve centenas em toda a sua existência – aconteceu em 2002 quando tomava banho para ir ao Estádio Dr. Hermínio Ometto, em Araras, para narrar pela Rádio Clube de Araras a partida entre União São João e Vila Nova-GO.

Na queda no banheiro acabou fraturando o fêmur da perna, ao qual teve que se submeter a cirurgia e a partir dai impossibilitando de andar com suas folclóricas muletas de metal. Mesmo assim, com a ajuda de amigos e estranhos, ainda ia ao Herminião realizar suas transmissões, mesmo tendo que ser carregado.

Nos últimos tempos cansou e entregou a Deus, ficando no seu cantinho esperando a banda passar. E ela passou, infelizmente, muito cedo.

Valentim Antonio residia numa das partes da casa germinada de minha mãe, que teve na madrugada desta sexta-feira, a dura missão de avisar minha esposa que Tim tinha falecido, para que depois ela pudesse me avisar aqui no Espirito Santo.

O quarto onde Tim teve o infarto é exatamente o quarto onde vivi toda a minha infância, quarto onde dormia e acordava sonhando um dia ser famoso da bola, ou seja, jogador de futebol. Quis o destino que não fosse boleiro, mas, que fosse profissional do microfone esportivo. Que duro destino: “ONDE NASCEU MEU SONHO, MORREU O RESPONSÁVEL PELO QUE SOU PROFISSIONALMENTE”.

Minha homenagem Tim.

“Valentim Antonio prá festaaaaaaaaaaaaaaa…………..gollllllllllllllllllllllllllllllllll………Valentin Antonio no nome, 10 no caráter………..foi, que foi, que foi, que foi, animalescamente fatalllllllllllllllll”……..Ederaldo Poy………..

Era assim que ele narrava seus vibrantes gols.

Obrigado Tim, mesmo sabendo que agora é tarde demais para dizer isso. Você sempre foi compreensível e sei que agora não será diferente. Vá ao encontro de Deus.