Por dívidas, Centros de Treinamento do Mogi ficam com Rivaldo

A transferência fere um Termo de Acordo firmado entre Rivaldo e a família Barros

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Mogi Mirim, SP, 17 (AFI) – Adquiridos na era Wilson Fernandes de Barros, ex-presidente do Mogi Mirim, os Centros de Treinamento de Mogi Guaçu e Limeira, não fazem mais parte do patrimônio do Sapão da Mogiana. Os dois espaços foram passados para Rivaldo Ferreira como pagamento de dívida do clube com o atual mandatário, segundo escrituras e matrículas de registro de imóveis

O CT de Limeira, adquirido em julho de 1989 e que contém 24 mil metros quadrados, teve valor afixado em R$ 550 mil. O CT de Mogi Guaçu é bem maior, com 79 mil metros quadrados, e teve uma avaliação de R$ 6 milhões e 300 mil. As duas matrículas foram registradas em nome de Rivaldo Vitor Borba Ferreira em setembro de 2013. As escrituras informam também que, na oportunidade, a dívida do clube com o mandatário era de R$ 12 milhões e 560 mil.

A transferência dos bens para o mandatário fere um Termo de Acordo firmado entre Rivaldo Ferreira e a família Barros no ato da transição da gestão do Mogi Mirim Esporte Clube. Todas as partes envolvidas tomaram ciência do conteúdo do termo e assinaram o documento.

O ex-advogado do Mogi Mirim, Hélcio Luiz Adorno, foi quem redigiu o documento com base nas declarações de Rivaldo Ferreira. “O documento foi feito em cima das declarações do Rivaldo”, afirmou Adorno.

0002048189234 imgFachada do Centro de Treinamento em Mogi Guaçu

Entre os principais pontos destacados no termo, Rivaldo se compromete não dilapidar o patrimônio do clube. Além disso, se compromete arcar com todas as contas passivas do Mogi Mirim. “Se existe dívida no clube, quem deve para o Rivaldo é o próprio Rivaldo. O Rivaldo que acerte a conta com o Rivaldo. Não com o Mogi”, enfatizou o ex-advogado do clube.

A validade jurídica do Termo de Acordo é discutida por representantes de Rivaldo, mas Adorno acredita que o documento pode ser considerado em uma avaliação judicial. “Do documento, todos tinham conhecimento. O Rivaldo sabia e pediu para seu procurador representá-lo na assinatura do termo. Todas as partes envolvidas sabiam do conteúdo e assinaram”, destacou Adorno.

Além dos Centros de Treinamento, aproximadamente 14 apartamentos localizados no Condomínio Lorenzetti foram negociados por Rivaldo após assumir a gestão do Sapo. Uma estimativa indica que Rivaldo conseguiu angariar R$ 2 milhões com as vendas dos imóveis.

Em relação à legalidade do ato praticado por Rivaldo Ferreira, de passar os Centros de Treinamento para o seu nome em parcela de pagamento da dívida do clube com o gestor, os ex-diretores do Mogi Mirim, João Francisco de Queiroz e Hélcio Luiz Adorno, não discutem. “Por se tratar de um clube privado, existindo aprovação dos membros da diretoria, pode ser feito. Não questiono isso. O que quero esclarecer é que existia um Termo de Acordo. Isso ele feriu”, apontou Adorno.

Sobre as declarações de Rivaldo de que, se não houver ajuda de novos investidores, deverá abandonar o clube e fechar as portas, Adorno disse que isso será pouco provável de ocorrer. “Se ele insistir nesta ideia, iremos tomar alguma atitude. Por ser uma entidade associativa, apenas os sócios podem se opor a esta decisão. Eu e o João Queiroz ainda somos sócios”, declarou em afirmação que nunca recebeu um comunicado da atual diretoria que havia sido destituído do quadro associativo.

“Se depender de mim, o Mogi não vai fecha”, bancou Adorno.

BARROS
Em coletiva de imprensa, Adorno relembrou da época da gestão de Wilson Fernandes de Barros no Mogi. “O Wilson às vezes colocava dinheiro da Barros Auto Peças no clube. Fazia uma fatura suplementar de publicidade e pronto. Mas nunca dilapidou o patrimônio. Ao contrário, aumentou os bens da instituição”, informou.

O ex-advogado do Mogi afirmou ainda que após a morte de Barros e a declaração da família que não iria mais tocar o clube, existiram vários grupos interessados para gerir o Mogi. Mas Rivaldo apresentou a proposta mais interessante: de assumir integralmente o comando do clube. “O que é tratado, é para ser cumprido”, enfatizou Adorno.

Os ex-diretores do Sapo, João Queiroz e Hélcio Adorno, destacam que resolveram se pronunciar através da imprensa apenas para esclarecer os fatos, não tendo posicionamento de cunho crítico. “Não estou questionando as atitudes de Rivaldo. Se é certo ou errado. Apenas estou esclarecendo que, existe um documento, onde ele declarou preservar os bens do Mogi”.