Por Ariovaldo Izac: Conceição, a volta de uma septuagenária
Campinas, SP, 18 (AFI) – Parabéns pelo aniversário ou valeu pela bravura na luta contra morte? Os dois. São duas mensagens digna de registro a essa guerreira Maria Conceição Rodrigues, que neste domingo (18/05) chega aos 70 anos de idade. Hoje ela ainda convalesce de um AVC (Acidente Vascular Cerebral), e certamente ainda terá vigor para gritar o nome de sua querida Ponte Preta.
Na rotatividade da Internet, pra quem desconhece, o fanatismo dela pela Ponte Preta resultou em viagem até em porta-malas de um veículo Opala até Bauru, para não perder um jogo de seu time contra o Noroeste, pelo Paulistão, na década de 70.
Outra passagem de extrema “loucura” foi em Marília, em meados da década de 80. Numa das madrugadas geladas, ela estava prostrada na rodoviária daquela cidade à espera de um ônibus de carreira, para o retorno a Campinas, após derrota da Macaca. E sem um tostão no bolso, não se fez de rogada quando lhe ofereceram um pingado com pão com manteiga, na lanchonete.
Primeira viagem aérea
Também na década de 80, na primeira viagem aérea ganhada de presente, em excursão da Ponte para Porto Alegre (RS), em jogo contra o Inter, Conceição ficou irradiante. No mínimo durante um mês repetiu que “estava muito social” na aeronave.
Conceição é assim, espontânea. Não se acanhava de pedir ajuda para acompanhar excursões da Ponte, e houve caso em que foi flagrada como a única representante da torcida pontepretana em jogos de seu clube. Partidas em casa, então, eram imperdíveis.
A rigor, não é uma simples torcedora no Estádio Moisés Lucarelli. Por um bom período ficava de plantão no portão que dá acesso aos representantes da arbitragem, e os dito cujo ouviam “gatos e lagartos” quando chegavam. Se pudesse, de certo Conceição daria uns bicudos nas canelas dos mais visados para intimidá-los. Digamos que, em última análise, deixava o claro aviso para não prejudicarem a sua querida Macaca em seu “fortim”.
E quando a bola rolava, só faltava Conceição morder o alambrado a cada falta invertida ou pênalti não assinalado contra o seu time. Suava, sofria. O frio na barriga só passava após o apito final do juizão.
Houve época em que Conceição “picava cartão” – como se diz na gíria – todos os dias no campo da Ponte, só para falar com os seus meninos, como os tratava carinhosamente.
Juras de amor há 54 anos
Se você não sabia, então fique sabendo: há 54 anos Conceição demonstrou juras de amor a Ponte Preta. Raríssimos períodos – por doença, naturalmente – se afastou do Estádio Moisés Lucarelli, como agora. Mas com certeza brevemente reatará o imortal laço com sua querida “Macaquinha”, razão maior de sua vida após a família.
Por esses e outros incontáveis motivos, é mais que justa esta homenagem a esta lídima rainha da Ponte Preta. Homenagem em vida, o que é mais importante. Tão já as forças do além serão impotentes para tirá-la de nosso convívio. Esse novo desafio você venceu, querida Conceição.
O próximo tem de ser o desprezo pelo cigarro e travar uma “briga” contra a obesidade. O homem lá em cima fez questão de mostrar o “cartão amarelo” como sinal de alerta, porque também quer vê-la entre nós. O resto é como você.
É isso aí.





































































































































