Ponte Preta nega pedido da oposição e jogadores pedem rescição na Justiça
O pedido de oito conselheiros de oposição para afastar e destituir o presidente Luiz Antônio Alves Torrano foi derrubado em primeira instância, mas cabe recurso
Além disso, o lateral-esquerdo Diego Porfírio e o meia David Braw acionaram a Justiça pedir a rescisão indireta de contrato e reconhecimento do vínculo
Campinas, SP, 8 (AFI) – A crise da Ponte Preta ganhou mais dois capítulos nos tribunais nesta semana, enquanto o clube tenta administrar os estragos de uma temporada que terminou com o rebaixamento para a Série C e um cenário financeiro cada vez mais delicado. Em decisões e ações divulgadas nesta quinta-feira, um jogador busca a rescisão do contrato e cobra mais de R$ 250 mil da Macaca, enquanto a Justiça rejeitou, em primeira instância, o pedido de oito conselheiros de oposição para afastar e destituir o presidente Luiz Antônio Alves Torrano.
Futebol Interior agora está nos Canais do WhatsApp. Participe agora!
Os dois episódios caminham em sentidos diferentes, mas expõem a mesma realidade: a Ponte chega à reta final de 2026 pressionada dentro e fora de campo, com dívidas trabalhistas, disputas políticas e questionamentos sobre a condução administrativa do clube.
O lateral-esquerdo Diego Porfírio acionou a Justiça na quarta-feira (7) para pedir a rescisão indireta de seu contrato com a Ponte. O jogador alega uma série de atrasos e cobra R$ 256.994,41.
Contratado em março, com vínculo inicialmente previsto até 30 de outubro, Porfírio afirma que recebeu pagamentos de maneira parcelada e fora do prazo. Segundo a ação, estão pendentes salários de junho, julho, agosto e setembro, além de direitos de imagem referentes ao período de maio a setembro e depósitos de FGTS de março a setembro.
O atleta também cobra valores relativos a 13º salário, férias, FGTS, multa rescisória e cláusula compensatória desportiva. Além da rescisão indireta, a defesa pede liminarmente a liberação do registro do jogador na CBF para que ele possa atuar por outra equipe.
Porfírio disputou 18 partidas pela Ponte em 2026, sendo 17 na Série B e uma na Copa do Brasil. O mais simbólico é que ele esteve em campo na última terça-feira, na derrota por 2 a 0 para o Juventude, justamente na partida que marcou o primeiro jogo da Ponte após a confirmação do rebaixamento.
O caso não é isolado. O meia David Braw, contratado em julho, também entrou na Justiça contra a Ponte. O jogador sequer conseguiu atuar pelo clube porque não teve seu registro regularizado e cobra R$ 109.462,66 em verbas trabalhistas.
Somados, os dois processos representam mais de R$ 366 mil em valores reivindicados.
DIRIGENTES NA MIRA
As ações também chamam atenção porque os jogadores pedem que Luiz Antônio Alves Torrano e Marco Antônio Eberlin sejam responsabilizados solidariamente por eventuais valores reconhecidos pela Justiça.
As defesas dos atletas sustentam que os dirigentes podem responder com base em dispositivos da Lei Geral do Esporte relacionados a atos de gestão irregular ou temerária. Trata-se, porém, de um pedido feito pelos autores das ações e que ainda será analisado judicialmente, com direito de defesa dos envolvidos.
Para sustentar a argumentação, os processos citam o balanço financeiro da Ponte referente a 2025, que registrou déficit de R$ 33,5 milhões, além do crescimento das obrigações relacionadas a salários, FGTS, INSS e IRRF.
Também é mencionado um Termo de Compromisso de Controle Orçamentário assinado por Eberlin em setembro de 2025, quando ainda ocupava a presidência do clube.
Outro dado utilizado nas ações ajuda a dimensionar o tamanho do problema: conforme certidão do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região citada nos processos, a Ponte acumulou 210 ações trabalhistas desde 2022, sendo 55 somente em 2026 até 24 de setembro.
A quantidade de processos reforça que os problemas financeiros deixaram de ser apenas uma questão interna de fluxo de caixa e passaram a produzir consequências judiciais recorrentes.
OPOSIÇÃO TENTA DERRUBAR TORRANO
Enquanto jogadores recorrem à Justiça para cobrar direitos trabalhistas, a disputa política também continua.
A Justiça de Campinas julgou improcedente, em primeira instância, a ação apresentada por oito conselheiros de oposição que buscavam o afastamento e a destituição de Torrano da presidência da Ponte.
O processo havia sido protocolado em maio e questionava a condição associativa do dirigente e sua elegibilidade para ocupar o cargo. Os autores também haviam solicitado o afastamento imediato de Torrano enquanto a ação fosse analisada, mas esse pedido já havia sido negado anteriormente.
Na decisão mais recente, o juiz Paulo César Batista dos Santos entendeu que parte dos questionamentos apresentados pelos conselheiros estava prescrita. Em relação à eleição e à permanência de Torrano na presidência, o magistrado concluiu que não havia fundamento para acolher os pedidos.
Segundo a sentença, Torrano mantinha sua condição de associado e cumpria os requisitos previstos no estatuto para disputar a presidência. O juiz também considerou que ele constava da relação de associados aptos divulgada pela Comissão Eleitoral em 2025 e que a impugnação apresentada na época não o alcançava.
A decisão é de primeira instância e pode ser contestada por recurso.
CRISE POLÍTICA SEGUE ABERTA
A derrota judicial da oposição não encerra a guerra política dentro da Ponte. Pelo contrário, acontece poucos dias depois de outra decisão que anulou a exclusão de dez conselheiros oposicionistas em um processo disciplinar interno.
Naquele caso, a Justiça apontou falhas no procedimento adotado pela Comissão Permanente de Ética e Disciplina e determinou o restabelecimento da situação associativa anterior. A decisão, contudo, não analisou se as acusações feitas pelos conselheiros contra a administração eram verdadeiras ou se houve irregularidades na gestão.
O cenário ajuda a explicar por que a Ponte chegou à votação da SAF, em setembro, mergulhada em uma disputa institucional. A proposta de constituição da sociedade anônima foi rejeitada pelos associados: 234 votaram contra e 150 a favor, quando eram necessários 256 votos favoráveis.
Com isso, caiu por terra, ao menos naquele momento, o caminho que vinha sendo apresentado como uma alternativa para enfrentar uma dívida estimada em aproximadamente R$ 320 milhões e um déficit operacional mensal de cerca de R$ 2,8 milhões.
UMA CRISE QUE ULTRAPASSOU O CAMPO
O resultado dessa combinação aparece de forma brutal no futebol. A Ponte foi rebaixada no Campeonato Paulista e, na última terça-feira, confirmou também a queda para a Série C do Campeonato Brasileiro.
A equipe tem apenas 13 pontos em 32 rodadas e sofreu 25 derrotas na competição. Depois do revés por 2 a 0 para o Juventude, o auxiliar Nenê Santana admitiu que o rebaixamento não foi provocado por um único resultado e relacionou as dificuldades esportivas aos problemas financeiros enfrentados pelo clube.
A Ponte ainda precisou interromper atividades do elenco durante a Série B por causa dos atrasos salariais, sofreu com transfer bans e chegou a entrar em campo com jogadores das categorias de base para evitar um W.O.
Agora, nem sequer consegue voltar ao próprio estádio. O Moisés Lucarelli passa por reforma no gramado e a CBF confirmou que o próximo jogo como mandante, contra o Atlético-GO, será novamente disputado em Indaiatuba. A previsão é de que o Majestoso só seja liberado em novembro.
A Ponte tenta, portanto, terminar 2026 dentro de um cenário que vai muito além de um rebaixamento. A crise financeira alimenta ações trabalhistas, a crise política mantém o clube dividido e a crise esportiva levou a dois rebaixamentos no mesmo ano.
Adicione o FI nas suas fontes favoritas do Google!
No momento em que deveria discutir a reconstrução para 2027, a Macaca ainda precisa resolver problemas básicos de sustentabilidade administrativa e financeira – enquanto as disputas internas e judiciais continuam abertas.
AGENDA
A Ponte Preta volta a campo na próxima segunda-feira (12), quando enfrenta o Novorizontino, às 19h, no Estádio Jorge Ismael de Biasi, em Novo Horizonte, pela 33ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro.





































































































































