Ponte Preta de volta. Mas, para ficar?
Não há segredo. No lugar que merece estar, a Ponte Preta precisa de inteligência e humildade para se manter
Não há segredo. No lugar que merece estar, a Ponte Preta precisa de inteligência e humildade para se manter
A euforia de um ano transforma-se em agonia no ano seguinte. É necessário estrutura e bom senso para se manter na série A
Rojões, festas, comemorações merecidas. É sempre assim no final de uma temporada em que a Ponte Preta retorna, com todos os méritos, diga-se, para a elite do futebol brasileiro. A “veterana” merece seu lugar entre os principais clubes do país. Mas a euforia de um ano costuma se transformar em sofrimento e agonia no ano seguinte.
Não é desafio pequeno manter-se entre os 20 clubes que disputam a “série A”. Mas é possível conseguir esse objetivo, desde que haja um tripé de sustentação para essa meta: estrutura, organização e bom senso.
A Ponte Preta é um clube bem estruturado, diante das referências com as quais é possível algum tipo de comparação no futebol brasileiro. Tem um bom centro de treinamento e uma força na marca que lhe permite boas parcerias de apoio e patrocínio. Tem seu próprio e bom estádio de futebol e uma torcida entusiasta, capaz de empurrar o time sempre que necessário. Contudo, há muito tempo não possui um grande elenco capaz de brilhar na elite do futebol.

Quem viu Carlos, Oscar, Polozzi, Dicá e Jorge Mendonça em campo sabe do que eu estou falando. O time da Ponte Preta que vai disputar a “série A” precisa mais que apenas jogadores voluntariosos. O atual elenco é bom e tem no treinador Guto Ferreira um comandante à altura. Mas os torcedores já viram essa história antes. Sem alguns reforços, o destino da Ponte Preta será mais uma vez o de brigar para não cair novamente.
Para conseguir esses nomes sem “estourar” o orçamento do clube ou desarmonizar o bom clima entre os jogadores é preciso um mínimo de organização. Em vário sentidos. Em primeiro lugar, negociar rapidamente os contratos pendentes, como o do próprio treinador, que, dentro do mercado, e no nível que o clube pode pagar, deve ser mantido no cargo. Aposta feita, é preciso prestigiar o técnico e não ceder à tentação do troca-troca diante dos primeiros resultados adversos. Para se manter na série “A” é preciso dar continuidade ao trabalho do comandante. A receita mais certa para cair é ficar mudando o técnico. O time não ganha cara, consistência, volume… Acaba se perdendo e termina sem autoconfiança.
A organização também deve se estender às novas contratações. A Ponte Preta precisa se reforçar cirurgicamente, nos seus pontos mais frágeis. Isso não significa trazer os “medalhões” a peso de ouro. Mas, sim, encontrar entre tantas promessas as que melhor se identifiquem com o perfil do futebol da Macaca, marcado pelo forte empenho de seus jogadores. E, além disso, o clube deve estar organizado para não gastar mais do que tem nos cofres, manter salários e prêmios em dia, para poder cobrar de seus funcionários – desde o roupeiro até o treinador.
E, por último, o bom senso de entender que a Ponte Preta precisa fazer um campeonato regular, para se manter sem sustos na elite, e, talvez, beliscar uma Sul-americana. O que vier além disso é lucro. Isso significa não ter vergonha de jogar fechadinha, tentando surpreender os adversários fora de casa. E, dentro de casa, fazer valer a força de sua torcida e conseguir uma boa porcentagem de vitórias.
Não há segredo. No lugar que merece estar, a Ponte Preta precisa de inteligência e humildade para se manter. E, talvez, beliscar algo ainda melhor. Boa sorte à Macaca na Série “A” em 2015!





































































































































