Ponte Preta: crise financeira desafia liderança na Série C
Salários atrasados e penhora do estádio marcam a luta da Ponte pelo acesso.
Ponte Preta lidera Série C, mas enfrenta salários atrasados e bloqueios milionários.
Campinas, SP, 18 (AFI) – A Ponte Preta vive momento de extremos. No campo, a Macaca lidera o quadrangular da Série C com 100% de aproveitamento, mas fora dele a crise financeira se agrava, com salários atrasados há 100 dias e o Estádio Moisés Lucarelli penhorado. O elenco, mesmo afetado pela falta de pagamento desde junho, mantém o foco na briga pelo acesso.
Após vencer o Brusque por 2 a 1, o volante Lucas Cândido externou o clima nos bastidores:
“Dentro de campo estamos vivendo um momento mágico, mas fora tá complicado. Difícil jogar com 100 dias de salários atrasados”.
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DESVENDADA A CAIXA PRETA DO MAJESTOSO
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A dívida com jogadores é referente a junho, julho e agosto, enquanto demais profissionais do futebol aguardam desde maio.
CRISE FINANCEIRA NA PONTE PRETA
O passivo do clube passa de R$ 450 milhões. São R$ 50 milhões em dívidas trabalhistas em execução, R$ 100 milhões em cíveis e outros R$ 100 milhões ligados a empréstimos de ex-presidente.
Cerca de R$ 190 milhões já estão em fase de execução, resultando em bloqueios de verbas, penhora do estádio e transfer ban desde julho, impedindo inscrições de reforços.
Para tentar equilibrar as contas, a Ponte fechou acordo com a Câmara Nacional de Resoluções de Disputas (CNRD) e planeja quitar R$ 18 milhões em até dez anos.
Dentre as pendências, aparecem valores a atletas como Ygor Vinhas (R$ 781 mil), Camilo (R$ 698 mil), Gilson Kleina (R$ 573 mil), além de dívidas com Santos (R$ 1,4 milhão), Goiás (R$ 850 mil) e Vasco (R$ 787 mil).
No entanto, bloqueios de valores impediram o clube de honrar as primeiras parcelas e acentuaram a punição no mercado de transferências.
SÉRIE C E DESAFIOS EXTRACAMPO
Entre 2023 e 2025, o clube pagou cerca de R$ 15 milhões em acordos, mas novas ações seguem surgindo, como a do zagueiro Nilson Júnior, que cobra R$ 1 milhão por compromissos não cumpridos em 2024.
O principal risco é a dívida civil com o ex-presidente Sérgio Carnielli, de aproximadamente R$ 85 milhões, causa central da penhora do Majestoso desde novembro de 2022. A administração tenta evitar leilão do estádio, aguardando decisão judicial sobre recursos pendentes.
Para fechar o caixa, a diretoria aposta em adiantamento de cotas de transmissão, patrocínios e busca investidores, mas admite que tais receitas não cobrem o rombo, acumulado ao longo de gestões passadas.
A prioridade é organizar pagamentos em setembro, enquanto renegocia dívidas na Justiça e tenta liberar verbas bloqueadas.
Apesar da situação delicada, o técnico Marcelo Fernandes mantém o grupo unido.
“É realmente uma situação muito delicada. O que eu posso dizer é que os jogadores estão chateados — e eles têm razão nisso — e, mesmo assim, honram o compromisso profissional que firmaram. É por isso que eu digo que é um grupo de homens.
Eu tenho até um trabalho mais de psicólogo aqui para administrar isso. Mas eu posso garantir que não tem ninguém com braço cruzado vendo a situação passar. A gente sabe que isso vai se acertar.
O que eu peço para os jogadores é para não deixar de acreditar. São jogadores compromissados e que estão honrando a camisa da Associação Atlética Ponte Preta”.
Às vésperas do duelo contra o Náutico, fora de casa, neste sábado às 17h, a Ponte lidera o Grupo C com seis pontos, à frente de Guarani e Náutico, ambos com três, e Brusque, sem pontuar. O elenco segue remando contra a maré, buscando o acesso em meio ao turbilhão financeiro.





































































































































