Ponte precisa de treinador que enxergue o jogo da bola

Profissional precisa fazer coisas diferente de seus antecessores

Ponte precisa de treinador que enxergue o jogo da bola

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Já que Marcelo Chamusca é página virada na história de treinadores da Ponte Preta, e o clube não dispõe de um dirigente sequer com pleno discernimento sobre futebol, sugiro que o pontepretano reze para eventualmente acertem sobre o substituto.

Tivesse no clube um diretor com visão de bola de ex-dirigentes como Peri Chaib e Marco Eberlin, se teria um diagnóstico do contrastante goleiro Ivan, que opera milagres nos três paus, mas peca na saída da meta.

Não digam que é defeito inerente do atleta que não possa ser corrigido. A saída da meta do gol na derrota para o Brasil de Pelotas foi precipitada.

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Nada de carta branco ao treinador pra fazer aquilo que bem entender. Dirigente que conhece bola chama o treineiro no cantão e quer saber quem será escalado.

Já que a Ponte não conta com tal dirigente, que os cartolas saibam contratar um profissional competente, com discernimento de quem é quem no elenco.

Que esteja convicto sobre Danilo Barcelos como jogador descartável quer como lateral, quer mais adiantado. Lateral ou meia-atacante sem capacidade de aplicar um drible pra limpar jogada ou arrancar com a bola, não cabe espaço nem no banco de reservas.

Que o novo treinador já coloque jogador dispensável como o atacante Victor Rangel pra treinar em separado. E dê uma sacudida em jogadores com nítido descuido da parte física.

Como pressupõe-se que treinador tenha pleno controle do grupo, cobra-se que detecte rapidamente aquilo que ocorre com o lateral-esquerdo Orinho. Lesões a parte, estranho a queda incrível de rendimento.

ERROS A CORRIGIR

Entra a sai treinador e ninguém sugere saída rápida de bola da defesa, exceto em chutões do goleiro e zagueiros.

São inúteis as trocas de passes sem evolução de jogadores do compartimento defensivo e volantes, com sucessivos recuos.

Isso tira a velocidade do time e possibilita que o adversário se reorganize em seu campo defensivo.

Aos trancos e barrancos a Ponte consegue cavar algumas faltas nas imediações da área adversária.

Cadê o cobrador? Se colocassem o cara pra treinar 40 ou 50 cobranças quase todos os dias, como faziam Dicá, Zenon e Neto, certamente o nível de aproveitamento seria outro.

Entra treinador, sai treinador, e a filosofia é sempre a mesma do atacante canhoto – caso André Luís – se posicionar do lado direito, e o destro na esquerda.

Assim constroem jogadas pra eles, fazendo a diagonal. Por que o canhoto não pode se posicionar do lado do pé bom para fazer assistência, com cruzamentos do fundo de campo?

Estilos alternativos precisam ser trabalhados. Treinador precisa ter variação de jogadas ofensivas.

CABECEIO

Cruzar pra quem? Boa pergunta. A Ponte não tem cabeceador.

Uma das alternativas seria tentar melhorar o cabeceio de Júnior Santos. Outra, prender um dos volantes à zaga e liberar o zagueiro Reginaldo para se transformar em atacante em lances de bola rolando, não apenas bola parada.

Professor Pardal? Invenção? Não. Mestre Cilinho já fazia isso há décadas. Foi assim que descobriu que o zagueiro Marcão poderia se transformar em centroavante devido à elevada estatura e bom aproveitamento no jogo aéreo.

Quando se conta com elenco limitado, o trabalho precisa ser redobrado e o treineiro usar criatividade.

JOÃO BRIGATTI

Por fim, àqueles que ainda lamentam a saída do João Brigatti, cabe recordar que o time já estava na descendente nas mãos dele.

Cometia todos os erros elencados, com o diferencial de ser mais vibrante na área técnica, narrando a forma como as jogadas deveriam se transcorrer.

A Ponte precisa de um treinador que abra o olho e faça coisas diferentes daqueles que passaram pelo clube na temporada. Só assim para melhorar o que é ruim no elenco.