Polêmicas e desorganização marcam trajetória de rebaixados do Paulista A3

São José e Grêmio Barueri se destacam como as equipes que mais chamaram atenção pela falta de estrutura e planejamento

São José e Grêmio Barueri se destacam como as equipes que mais chamaram atenção pela falta de estrutura e planejamento.

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Campinas, SP, 06 (AFI) – Muitas diretorias das divisões inferiores do futebol não dão o devido valor ao planejamento, negligenciam a pré-temporada e no aguardo para que as coisas se resolvam sozinhas, acabam pagando caro. No Campeonato Paulista da Série A3, os times que viraram notícia por conta de problemas administrativos foram os mesmo que acabaram rebaixados ao fim da primeira fase.

Entre os rebaixados, dois times se destacaram com manchetes negativas por toda a mídia. O caso mais grave é o do Grêmio Barueri, que ganhou uma grande repercussão por sua campanha de 19 derrotas em 19 jogos, sem contar jogadores em péssimas condições de trabalho. O São José é outra equipe que teve diversos problemas administrativos, desavenças com parceiros e salários atrasados. Isso desde o começo da competição.

Os outros quatro rebaixados se blindaram melhor, mas também apresentaram seus problemas. A Itapirense apresentou impasses em relação a salários, o Primavera não conseguiu nenhum apoio financeiro, o Fernandópolis mudou duas vezes de presidente e o Guaratinguetá repetiu a mesma história de sempre, a mercê dos caprichos do persistente João Telê.

SÃO JOSÉ

Mesmo antes do Campeonato Paulista da Série A3 começar, o São José já estava envolvido em polêmicas. Na apresentação dos novos uniformes e do técnico Wladimir Pereira, o presidente Geleia discursou na frente de uma placa de patrocinadores como Gatorade e Nike. O emblema da fornecedora de materiais esportivos, inclusive, estampava a camisa recém-lançada. No dia seguinte, ambas as empresas negaram qualquer vínculo com o clube.

Poucos dias depois do episódio do patrocínio, a até então gestora do clube G&J Sports entrou com um pedido de rescisão de contrato. Os empresários queriam a cabeça de Wladimir Pereira, que negociava paralelamente com outros gestores. A situação ficou insustentável. De qualquer maneira, o clube já tinha acertado parceria com uma nova empresa, a Revela Brasil, o que irritou os donos da G&J.

O presidente do São José, Geleia (dir), protagonizou episódios polêmicos.

O presidente do São José, Geleia (dir), protagonizou episódios polêmicos.

A nova gestora chegou com muito marketing e poucas soluções, dizendo que iria negociar a vinda do atacante Adriano Imperador para o clube. É claro que isso não aconteceu. Com o tempo, os problemas administrativos voltaram a ser escancarados. Jogadores passaram a reclamar de salários atrasados, além de denunciarem diversos problemas na estrutura do clube, em relação a alojamento e alimentação. Alguns atletas, inclusive, foram dispensados por reivindicarem seus pagamentos.

O rebaixamento veio apenas na última rodada. Mesmo com uma vitória de WO sobre o Fernandópolis, o empate do Sâo José FC e a vitória da Inter de Limeira rebaixaram a Águia. O time terminou com 23 pontos, empatado com o Tigre, mas levou a pior por conta do número de vitórias.

GRÊMIO BARUERI

Nenhum time da Série A3 – nem mesmo o Flamengo de Guarulhos que passou 18 rodadas invicto – chamou tanta atenção com o Grêmio Barueri. A situação lamentável do time, que em 2009 e 2010 disputou a Série A do Campeonato Brasileiro, levou o clube às manchetes de diversos jornais pelo país.

O descenso do clube não é de hoje. A decadência começou com a queda para a Série B. Desde 2014, não se classifica nem para a disputa da Série D. No Paulista, chegou à Série A3 em 2015 e se despediu par a segundo ao fim da edição 2016. Tudo isso foi fruto de um trabalho muito mal feito por Alberto Ferrari, ex-presidente do clube.

Na pré-temporada deste ano, não havia nenhuma informação sobre o clube. Ninguém sabia de nada e era impossível contatar a diretoria. Assim, na primeira rodada da competição, quando deveria enfrentar o Primavera, o Abelha surpreendeu e não foi a campo porque não tinha atletas o suficiente inscritos na Federação Paulista de Futebol (FPF).

Jogadores do Barueri foram auxiliados pelo Sindicato dos Atletas para conseguirem alimentação.

Jogadores do Barueri foram auxiliados pelo Sindicato dos Atletas para conseguirem alimentação.

A partir daí, a história ficou cada vez mais feia. Assim como o São José, o time apresentou desavenças internar e rompeu com investidor Jaci Martino de Oliveira. Jogadores passaram a reclamar de salários atrasados, falta de alimentação, entre outras más condições de trabalho. Em reportagem do Futebol Interior, foi mostrado o alojamento utilizado pelos atletas. Outro problema foi a impossibilidade de disputar partidas na Arena Barueri, por conta de uma dívida com a prefeitura da cidade.

Outra polêmica foi o envolvimento do time em um esquema de apostas. Surgiram fortes evidências de que o time ‘entregou’ uma partida da quarta rodada da terceira divisão estadual, quando perdeu por 4 a 0 para o Rio Preto, no dia 11 de fevereiro. Na ocasião, os jogadores do clube teriam sido pressionados por Jaci. Ao fim da competição, Ferrari deixou o comando e uma nova diretoria assumiu. Sem tempo hábil para reverter a situação, o time acabou rebaixado com uma campanha histórica. 19 jogos, 19 derrotas.

AS OUTRAS HISTÓRIAS

As outras equipes rebaixadas não ganharam a repercussão que renderam as peripécias de Geleia, no São José, e Ferrari, no Barueri, mas também tiveram motivos bem claros para deixarem a terceira divisão.

A Itapirense, a exemplo dos outros dois clubes, também teve problemas com a empresa parceira e acabou rescindindo com a Itaquerão Soccer. Os empresários ficaram bastante ressentidos e fizeram serias acusações a direção da Vermelhinha, dizendo que a assinatura dos jogadores teria sido falsificada na FPF. Com um nova gestora no comando, o time não ficou em paz. Atletas fizeram um protesto em jogo contra o Barueri. Todos os atletas usaram nariz de palhaço para reivindicar o acerto de salários atrasados.

O Fernandópolis teve a segunda pior campanha e caiu na vice-lanterna. O time trocou de comando duas vezes. Jerri Falcão começou na presidência e passou para Espedito Vasconcelos, que desistiu e deixou a bomba mais uma vez na mão de Falcão. O time sofreu até o final e na última rodada optou por não entrar em campo contra o São José, alegando que não tinha jogadores disponíveis por conta de lesões e perdendo por WO.

O Primavera chegou a firmar uma parceria com o Grêmio Osasco, que cedeu jogadores e comissão técnica pelo clube. Desde o início, a diretoria deixou claro que o time não tinha muitos recursos e que brigaria pela permanência. No meio da competição, a parceria chegou ao fim e o Fantasma não conseguiu se organizar. O Guaratinguetá, por sua vez, apostou mais uma vez na sabedoria de João Telê e se blindou de todas as maneira. Jogando em Limeira, foi ignorado pela torcida e fez mais um campeonato bastante ruim.