Peri Chaib evitava acesso de outros diretores ao elenco da Ponte
Ex-dirigente isolava os jogadores de influência externa
Campinas, SP, 30 (AFI) – O advogado e comerciante Pedro Antonio Chaib, o Peri Chaib, comandou o futebol da Ponte Preta nas finais do Campeonato Paulista de 1977 e 1979, quando a equipe perdeu as disputas de títulos para o Corinthians. Igualmente foi diretor da pasta quando o time sagrou-se campeão da antiga segunda divisão paulista no quadrangular final de 1969. Exatamente por isso a reportagem do Portal Futebol Interior se dispôs a ouvi-lo sobre as suas experiências nesta circunstância.
Além disso, em 1981 e 2008 a Ponte também disputou títulos paulistas diante de São Paulo e Palmeiras, respectivamente, mas ficou com o vice-campeonato.
Futebol Interior: Peri, você modificaria alguma posição adotada nas finais de competições que você participou?
Pri Chaib: Nenhuma. Faria tudo da mesma forma.
FI: O emocional pesa em uma decisão de campeonato. Como você administrou a situação na sua época?

Peri Chaib: Primeira providência foi não modificar a rotina. Nada de prolongar o tempo de concentração, de optar por locais diferentes para se concentrar, e tomei bastante cuidado para não transferir aos jogadores uma responsabilidade que pudesse ser transformada em ansiedade. É preciso muita habilidade para lidar com esta situação.
FI: Peri, no seu tempo havia um controle até de acesso de dirigentes de outras pastas no hotel da concentração, ônibus que conduzia a delegação e vestiário. Você continua pensando assim?
Peri Chaib: Claro. Eu só permitia a entrada do presidente. Qualquer interferência fora de nosso ambiente poderia ser prejudicial. Um dirigente demonstrando medo naquele ambiente poderia resultar em insegurança, e a confiança é fundamental nesta preparação. Vou lembrar de um exemplo em 1969, quando o Formiga [peixeiro já falecido] colocou um cartaz na porta de nosso vestiário, no [Estádio] Parque Antártica, com dizeres de ‘Ponte campeã de 1969’, antes de a gente chegar lá. Encrenquei com ele. Os jogadores viram aquilo. Foi a noite que perdemos para a Francana, mas por sorte fomos campeões e subimos para a divisão principal do futebol paulista.
FI: Como o jogador lida com a natural carga de responsabilidade?
Peri Chaib: A situação hoje é bem diferente em relação ao meu tempo. O jogador ficava vários anos no clube e tinha vínculo com a cidade. Era amigo do gerente de banco, do barbeiro, e criava raízes na cidade. Portanto, a cobrança era maior.
FI: Dê mais detalhes sobre isso?
Peri Chaib: Hoje, o jogador se relaciona bem menos na cidade. A coisa fica restrita aquela pressão de estádio. Não há aquela cobrança que possa resultar em ansiedade, que por conseqüência traga interferência no rendimento dele. Vejam que antes do jogo contra o São Paulo, no [Estádio] Morumbi, havia jogadores da Ponte sorrindo quando cumprimentavam colegas do São Paulo. Aquilo foi uma demonstração de que estavam leves. E posteriormente isso foi confirmado durante o jogo. Motivação de jogador é coisa natural em qualquer final de campeonato. Nem precisa cobrar empenho total porque o jogador já está motivado para isso.
FI: E aí, desta vez vai dar?
Peri Chaib: Acho que é mais uma boa chance da Ponte conquistar o título. É bom lembrar que o Lanús já está classificado para a Libertadores de 2014, e isso implica em menos pressão para que ele seja campeão de qualquer jeito.





































































































































