Paulistão: times pequenos vibram, médios lamentam verba

São Paulo, SP, 12 (AFI) – Apesar do processo de elitização que vive o futebol paulista, com os grandes sendo cada vez mais beneficiados com as receitas geradas pela Federação Paulista de Futebol, um grupo de dirigentes que representam os times pequenos do Paulistão 2008 saíram satisfeitos da sala de reunião do Conselho Arbitral.

”Acho que R$ 1,0 milhão (valor líquido que vai sobrar do R$ 1,3 milhão) é dinheiro suficiente para se fazer o Paulistão”, festejou o presidente Marco Chedid. Ele contestou a reclamação do presidente da Portuguesa, Manuel da Luppa, inconformado em ser igualado com os times do interior, apesar de sua tradição e mesmo tendo voltado de um inesperado ano na Série A-2.

Fizeram coro com o Bragantino, outros times que aceitam pacificamente a pecha de “pequenos” como o próprio Guarani, mergulhado numa crise e dirigido pelo atrasado Leonel Martins de Oliveira, além dos outros times que subiram da Série A-2, no caso Mirassol e Rio Preto, desde já cotados para serem rebaixados.

Opinião Futebol Interior
Realmente ter R$ 1 milhão e mãos para times que apenas cumprem tabela no Paulistão é mesmo um exagero. Mas se comete uma injustiça com clubes de porte médio, que tentam crescer dentro do cenário nacional.

São os casos, por exemplo, da Portuguesa, do São Caetano (já foi campeão paulista), Paulista (já foi campeão da Copa do Brasil), da Ponte Preta (que até ano passado disputava a Série A do Brasileiro) e até mesmo o Noroeste, que tem investido bastante no primeiro semestre.

é preciso ainda considerar que estes times pequenos, geralmente, são dirigidos por dirigentes oportunistas, que prometem e não cumprem. Ou seja, ficam devendo salários e obrigações com seus jogadores. Ou seja: o desenho desaparece como num toque de mágica.

Como ficou a divisão do bolo
”O correto seria ter a divisão da receitas em três faixas: grandes, médios e pequenos e com diferenças menores de valores”, reclama Manuel da Luppa.

Mas a briga entre as emissoras de televisão para transmitir o Paulistão alavancou a receita da Federação Paulista, que continua com falta de criatividade para gerar novas receitas. O total deste ano, pago pela Rede Globo, é de R$ 72 milhões.

Os grandes – Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos – vão receber R$ 7 milhões, perto de R$ 5,5 milhões líquidos. Os demais 16 participantes vão ficar com R$ 1,3 bruto (R$ 1,0 milhão líquido após os descontos de taxas e tributos).

No ano passado, havia a divisão de receita em três patamares: os times pequenos, de menor porte ou ascendentes da Série A-2, receberam R$ 600 mil brutos, ou algo em torno de R$ 480 mil líquidos. Os médios, como Ponte Preta, São Caetano, Paulista e Santo André, receberam R$ 800 mil brutos (perto de R$ 640 mil líquidos). Já os grandes ficaram com R$3,5 milhões brutos (2,8 milhões líquidos).

O pior está por vir
Se há divergências entre os times da Série A-1, ou seja, do Paulistão, pior ainda é a situação dos clubes que participarão do Campeonato Paulista das Séries A-2 e A-3. Ano passado, por exemplo, sobrou apenas R$ 30 mil reais para cada um dos 20 times da Série A-2 e apenas R$ 20 mil para os 20 times da Série A-3.

Esta desproporção de receita só amplia a diferença entre as forças dos clubes do Estado, além de enfraquecer ainda mais os clubes do Interior, que sofreram um enorme baque com a Lei Pelé. Com ela a principal fonte de receita dos clubes interioranos acabou: a venda de passes de jogadores revelados em suas categorias de base.

Em países europeus, como Itália, Espanha e Inglaterra há uma divisão mais proporcional das receitas da televisão. O “bolo total” deixa 60% para os times da Série A, 25% para a Série B (Segunda Divisão) e 15% para a Série C (Terceira Divisão). Desta forma, com um time vão garantindo o acesso vai se igualando em organização e receita com os principais clubes da competição e pode, desde que organiza, sobreviver na divisão.

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