Paulistão: Dirigente histórico do Ituano dispara contra investidores

O ex-dirigente disse estar torcendo pelo título do Galo, mas fez algumas ressalvas

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Itu, SP, 04 (AFI) – O Ituano se prepara para o primeiro jogo da final do Campeonato Paulista ONIX CHEVROLET contra o Santos, que acontece neste domingo, às 16 horas, no Estádio do Pacaembu, em São Paulo. A grande campanha realizada até aqui, porém, acaba acobertando alguns problemas no Galo de Itu.

Pelo menos é o que garante o popular Major Vieira (foto abaixo), dirigente mais antigo da história do Ituano Futebol Clube. Apesar de estar muito feliz com a campanha realizada pelo Galo, o ex-presidente rubronegro disparou contra outros dirigentes e também os investidores do clube. No entanto, Juninho Paulista, elenco e comissão técnica foram bastantes elogiados.

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Confira abaixo a entrevista completa com Major Vieira

1 – Major Vieira, como está se sentindo com essa campanha sensacional do Ituano no Campeonato Paulista de 2014?

Muito satisfeito. Depois de 3 ou 4 anos lutando contra o rebaixamento, parece que agora o Juninho e sua equipe, desde o Chimello até o Robertão (roupeiro), acertaram na mosca com a manutenção do Doriva como treinador e a contratação do Anselmo como preparador físico.

O forte do Ituano hoje é a pegada. O Ituano hoje enfrenta qualquer equipe de igual para igual seja em que estádio for. A marcação é forte, tanto no campo adversário como no nosso campo de defesa, tudo isso aliado a uma preparação física sensacional. O jogo pode acabar, mas o Ituano não para de correr…

2 – Major Vieira, a surpresa para todos nós foi o senhor não ser mais o presidente do Ituano em 2014. O que realmente aconteceu?

Forças ocultas como dizia o ex presidente Jânio Quadros. Como sou uma pessoa que batalha pelo Ituano há 26 anos, incomodo muita gente, desde o presidente do conselho Fernando Bragagnolo até um dos investidores, o Toninho Carvalho (Toninho da Maggi).

Vou explicar melhor já que esses senhores se aliaram ao presidente atual e me traíram, dizendo que votariam em mim até o ultimo momento e depois, não só votaram no presidente atual, como ainda influenciaram outros conselheiros para que não votassem em mim.

Até hoje o presidente do conselho não me quer na presidência porque eu o denunciei como a pessoa que causou a maior perda de patrimônio do Ituano Futebol Clube. Um rombo de aproximadamente R$ 15 milhões no patrimônio do clube ao abrir mão de um terreno ao lado do SESI de Itu, na área próxima ao novo centro Itu, que havia sido doado pela prefeitura em 1992, quando eu era presidente do Ituano e da Câmara Municipal.

Esse senhor devolveu o terreno para a prefeitura em 1995 em troca de um comodato do estádio municipal por 30 anos. Hoje, o Ituano não tem nem o terreno e nem o comodato. Como eu o questiono desde então, ele tenta impedir que eu volte a dirigir o Ituano porque eu sou uma verdadeira pedra no seu sapato e vou continuar a incomodá-lo enquanto eu for vivo.

Para completar, esse senhor, que continua como presidente do conselho, aprovou a entrega de metade da sede do terreno ao lado do Ituano para os investidores, representados principalmente pelo Plaza Hotel de Itu, do senhor Toninho Carvalho, das empresas Maggi, em troca de uma dívida mínima de R$ 900 mil.

3 – A que dívida o senhor se refere?

Eu fui a pessoa que deu a maior chance ao Juninho, não só como jogador, mas também como gestor de futebol profissional, e tudo corria bem com ele investindo no clube, colocando a casa em ordem, pensando de maneira empresarial e com o sonho de construir um centro de treinamento que pertencesse ao Ituano, para que, se um dia deixasse o clube, ele teria deixado um legado para o clube.

Foi então procurado pelo investidor da Maggi, propondo sociedade para ele. Mudou tudo. O Ituano, que tinha patrimônio, perdeu uma ação do tempo do Oliveira Junior e os investidores propuseram em pagar a dívida. Em troca, o presidente do conselho concordou em ceder metade do terreno ao lado da sede.

O Ituano estava saneado por mim e pelo Juninho e poderia suportar uma situação desse tipo, com empréstimo bancário ou coisa desse tipo, mas com a atitude do presidente do conselho se tornou refém dos investidores e entregou metade do terreno.

Agora, o Ituano está enfrentando outra situação que caminha para outra contenda difícil, com o ex-conselheiro Gildo Desidera. É estimado um prejuízo de R$ 1 milhão. Esse fato ocorreu na gestão do ex-presidente Flávio Antunes. Quem é o presidente do conselho? O mesmo

0002048174963 imgFernando Bragagnolo

Fernando Bragagnolo (foto), que com certeza vai lutar para entregar o resto do terreno para os investidores pagarem a dívida. Querem outra curiosidade? O advogado de Gildo Desidera é o mesmo advogado do grupo Maggi… muita coincidência.

Agora eu pergunto. O investidor tem que correr risco ou não tem? Se os investidores compram uma concessionária de automóvel e ela não vai bem, eles tem que injetar dinheiro e correr o risco. No Ituano foi ao contrário. O clube tem receita de R$ 4 milhões anuais (R$ 2,5 milhões da FPF, R$ 500 mil da Timemania, Brasil Kirin e outras receitas de patrocínios). Um investidor que gasta R$ 1 milhão não pode correr um risco já que ele está tratando o Ituano como negócio? E a venda dos jogadores e as receitas das oitavas de finais, semifinais e final? Como o Ituano fica nisso?

4 – Qual a sua conclusão com tudo isso?

O patrimônio do Ituano tem que ser devolvido pelos atuais investidores. O Juninho não trabalhou dessa maneira. Foi só o Toninho Carvalho entrar que o patrimônio do Ituano está sendo sucateado dia após dia. Futebol é risco. O Ituano não deve nada em termos de impostos e fornecedores, recebe o Timemania, não merece ter seu patrimônio dilapidado duas vezes por um incompetente como o Fernando Bragagnolo.

5 – Como fica o coração agora nas finais?

Desde 1988 que eu estou no Ituano e agora estamos no ponto culminante. Vou torcer e muito para o Juninho poder erguer a taça de campeão paulista, bicampeão na verdade. O futebol é passageiro. Ganhar um campeonato não tem nenhuma validade se para isso o clube tem que abrir mão de seu patrimônio. O ideal é um equilíbrio: ganhar o campeonato e manter o patrimônio.

O Juninho é um garoto de ouro, desde os tempos das categorias de base. Garanto que ele fica constrangido com tudo isso que vem sendo feito pelos investidores. Mas se Deus quiser ele vai ganhar esse título e também ajudar a recuperar o patrimônio do clube.