Paulistão: Clubes reclamam de exigência da FPF sobre estádios para 2016

As imposições da federação pode fazer com que o Água Santa fique de fora da competição

As imposições da federação pode fazer com que o Água Santa fique de fora da competição

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São Paulo, SP, 22 (AFI) – O Campeonato Paulista de 2015 teve média de 7.605 torcedores pagantes por jogo. Graças aos quatro principais clubes. Senão, a média cairia para pouco mais de 3.500 e isso contando os jogos dos pequenos contra os grandes. Ainda assim, a Federação manteve a exigência de um clube ter estádio para pelo menos 10 mil pessoas como condição para disputar a Série A1 em 2016. Na A2, a capacidade mínima é de oito mil.

Essa exigência está obrigando o Água Santa a correr contra o relógio para adequar a arena de Diadema à capacidade determinada e, assim, poder jogar na elite pela primeira vez. Esperança que o Atibaia não tem mais na Série A2. Precisaria ter um estádio para oito mil pessoas e, como o seu só comporta três mil, não poderá usufruir da vaga conquistada em campo.

Estádio do Água Santa passa por obras para se adequar às exigências

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Os clubes envolvidos lamentam. Mas tomam atitudes diferentes. O Água Santa, que enfrenta as consequências de um desabamento de parte das arquibancadas que pode atrasar de maneira fatal a reforma que está sendo feita no estádio do distrito de Inamar para deixá-lo apto para 10 mil pessoas, prefere não reclamar no momento. “Sabemos que a primeira divisão é um campeonato diferente de tudo que já vimos até agora”, tem dito o presidente Paulo Sirqueira.

O Atibaia, condenado a permanecer na Série A3, pois o estádio da cidade comporta apenas três mil pessoas e a prefeitura não se dispôs a ampliá-lo, é um pouco mais incisivo. “A Federação exige oito mil para um estádio da Série A2, sendo que nunca iremos colocar isso no estádio. Nossa média de público é de 250 pessoas e, se aumentar a capacidade do estádio, vai ter um elefante branco. Que time coloca oito mil pessoas no estádio?”, reclamou o diretor esportivo, Leonardo Silvério.

Até quem não enfrenta esse problema, como outro caçula da A1, o Novorizontino, considera 10 mil um exagero. “Eu acredito que isso (o limite mínimo) poderia ser diminuído”, disse o presidente Genival Rocha Santos. “Seria até mais prudente. É preferível você ter um estádio com capacidade menor que fique cheio do que um para dez mil que receba dois mil”. O clube de Novo Horizonte joga no estádio Jorge Ismael de Biasi, cedido pela família Biasi, e que tem capacidade para pouco mais de 13 mil pessoas.

Os presidentes, de maneira geral, lembram que quando um pequeno enfrenta um grande no Paulistão, muitas vezes o jogo é transferido para um palco maior. “Se chega numa A1 e vai enfrentar o Corinthians, aí vai jogar em estádio com melhores condições”, ponderou Silvério, do Atibaia.

DEFESA – A Federação defende a medida. “Exagerada? Era mais exagerada ainda, a exigência era de 15 mil e de 10 mil para a A2. Nós baixamos”, disse o coronel Marcos Marinho, diretor de prevenção e segurança da FPF. “O que a gente quer visa à qualidade, ao conforto e segurança do torcedor. O clube tem de investir nisso”. Ele garante que Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos vão jogar em estádios para pouco mais de 10 mil pessoas, se eles estiverem aptos para receber a partida.

Detalhe: neste ano nem o campeão Santos (9.752) alcançou, em média, a capacidade mínima exigida. Apenas Corinthians (29.235), Palmeiras (28.913) e São Paulo (10.185) tiveram média superior a 10 mil pessoas.