Paulista A3: Em condições precárias, jogadores do Barueri ameaçam não entrar em campo

Orientados pelo SAPESP, os atletas reivindicam melhorias nas condições de trabalho e o acerto de dois meses de salários atrasados

Orientados pela SAPESP, os atletas reivindicam melhorias nas condições de trabalho e o acerto de dois meses de salários atrasados.

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Barueri, SP, 25 (AFI) – O Grêmio Barueri já integrou a elite do futebol nacional, mas hoje a realidade do clube está bem distante das expectativas do passado. Na lanterna da Série A3 do Paulista, sem somar nenhum ponto, o time corre o risco de ser eliminado da competição. Isso porque os jogadores do clube ameaçam não entrar em campo neste domingo, em jogo contra o Catanduvense.

Caso a ação se confirme, será a segunda derrota por WO da equipe, já que na primeira rodada não foi a campo porque não tinha o número mínimo de jogadores registrados na Federação Paulista de Futebol (FPF). Conforme o regulamento, duas derrotas por WO rendem a eliminação da Série A3.

Dois meses de salários atrasados motivaram as manifestações dos atletas, mas não é apenas isso que incomoda. Segundo o advogado Filipe Rino, do Sindicato de Atletas Profissionais do Estado de São Paulo (SAPESP), são cinco as reivindicações: alimentação, cópias de contrato, exames médicos, pagamento de salários e condições de treino. Se o clube não resolver ao menos quatro tópicos até esta sexta-feira, os jogadores se recusarão a jogar. Para o acerto de salários, foi dado um prazo maior, até a próxima quarta-feira.

O SAPESP providenciou alimentação aos jogadores do Grêmio Barueri.

O SAPESP providenciou alimentação aos jogadores do Grêmio Barueri.

“A decisão de entrar ou não em campo é dos atletas. Nós orientamos eles juridicamente e damos as coordenadas. Mas mantemos nosso apoio sob qualquer decisão tomada por eles. Nos vamos apoiar e tentar melhorias da maneira que os jogadores acharem melhor. O prazo para o clube cumprir com as reivindicações e até esta sexta-feira, com exceção do pagamento dos salários, que esperamos que seja feito na semana que vem”, afirmou Rino em entrevista ao Portal Futebol Interior.

CONDIÇÕES PRECÁRIAS
Depois de derrotas sucessivas, com direito a uma goleada por 8 a 0 sofrida diante do Grêmio Osasco, os jogadores deram os primeiros sinais de descontentamento em partida contra o Olímpia, na sexta rodada da terceira divisão estadual. Na ocasião, protestaram sentando-se no chão quando o juiz apitou o início da partida, apenas observando o adversário tocar a bola.

O alojamento do clube não oferece condições básicas aos jogadores.

O alojamento do clube não oferece condições básicas aos jogadores.

Os advogados Filipe Rino, Guilherme Martorelli e Mauro Costa visitaram o alojamento dos atletas nesta segunda-feira. De acordo com Rino, até a manhã desta quinta-feira, a diretoria do Barueri não tomara nenhum providência. A alimentação desta semana foi providenciada pelo SAPESP, que também tenta auxiliar com outras questões básicas de tratamento aos atletas.

“Nós estivemos reunidos na segunda-feira e observamos a situação do clube. Mais do que a situação salarial, o que pesa são as condições de trabalho oferecidas. Falta alimentação e não estão sendo feitos exames médicos obrigatórios para detectar problemas. Agora, nós, o Sindicato, estamos auxiliando com o alimento, mas o clube ainda não resolveu a questão”, afirmou.

Além de constatar que os jogadores não receberam cópias de seus contratos, o Sindicato também observou a condição dos alojamentos e detectou diversos problemas na infraestrutura.

É fácil identificar problemas em diversos setores do alojamento.

É fácil identificar problemas em diversos setores do alojamento.

“Outro problema são as condições de treino. Os atletas não tem nenhum auxílio para ir ao local dos treinamentos. Têm que ir a pé ou de circular. Sem contar que as condições do alojamento são precárias. Muito mato, teia de aranha, tela de cozinha rasgada. Não existem condições mínimas de trabalho”, completou o advogado.

BAGUNÇA
Os problemas na administração são claros. Outra complicação que o time vem enfrentando é em relação ao estádio. Com a Arena Barueri disponibilizada para partidas de Rugby, em algumas ocasiões a equipe precisa mandar seus jogos fora de casa. No último domingo, perdeu para o Olímpia jogando no Ítalo Mário Limongi, em Indaiatuba. Nesta quarta, voltou a jogar na Arena e perdeu para o Guaratinguetá, por 3 a 1.

Recentemente, a diretoria rompeu com o investidor Jaci Martinho de Oliveira, e deu sinais de que estaria começado a se organizar, já que havia uma queda de braço entre a diretoria e o parceiro, fato que travava decisões importantes.

Ao menos, o time conseguiu definir um técnico. Na primeira partida, quando o time não foi a campo, Toninho Cobra seria o treinador. Na segunda rodada, Milton Muniz comandou a equipe. Na terceira, foi a vez de Paulo Muller, enquanto na goleada sofrida para o Rio Preto quem ficou no banco foi Matheus Soares, um dos gestores do clube. A partir daí, Paulo César assumiu o time e segue no comando até o momento.